Sócios da CBPCE abordam estratégias essenciais para o futuro dos negócios entre Brasil e Portugal
A Câmara Brasil Portugal no Ceará (CBPCE) reúne em seu quadro de sócios profissionais que se destacam por suas análises e contribuições sobre temas estratégicos para o mundo dos negócios.
Em artigos recentes, três associados compartilharam visões complementares que reforçam a relevância da entidade no debate empresarial: Francisco Pinheiro Neto analisou os diferentes prazos de cobrança no Brasil e em Portugal e seus impactos na gestão internacional; Yunare Marinho destacou a importância do marketing Human to Human (H2H) em um cenário cada vez mais tecnológico, valorizando a conexão genuína entre pessoas; e Josy Viana apontou o futuro promissor da cooperação luso-brasileira no ecossistema de startups e inovação.
Confira os artigos na integra:
Francisco Pinheiro Neto: O tempo das cobranças no Brasil e em Portugal
No comércio internacional, o tempo é recurso estratégico, capaz de abrir oportunidades ou selar fracassos. Saber administrá-lo, compreendendo os prazos legais aplicáveis em cada país, é um diferencial competitivo.
Tantas vezes, no mundo da gestão empresarial, falamos sobre preço, qualidade e logística. Contudo, há um fator silencioso, mas decisivo, que influencia diretamente a saúde financeira de uma operação: o tempo. Trata-se do período legal concedido para exigir judicialmente o cumprimento de uma obrigação.
No Brasil, o Código Civil cria um mosaico de prazos prescricionais. A regra geral é de dez anos. Mas há exceções: o segurado contra o segurador possui apenas um ano; tabeliães, auxiliares da justiça e serventuários também. Em três anos, extinguem-se créditos por enriquecimento sem causa, dívidas locatícias, rendas de juros e dividendos.
Já dívidas comerciais, honorários de profissionais liberais e despesas processuais são exigíveis por cinco anos. Esse sistema fragmentado exige classificação rigorosa: identificar mal a natureza do crédito pode resultar na perda definitiva da possibilidade de cobrá-lo, pois decorrido o prazo, extingue-se a pretensão.
Em Portugal, a lógica é semelhante, mas com diferenças expressivas. O artigo 309 do Código Civil fixa prazo geral de vinte anos, o dobro do brasileiro.
O artigo 310 prevê prescrição de cinco anos para rendas perpétuas ou vitalícias, alugueres, foros, juros, dividendos e pensões alimentícias. Também há prescrições de dois anos, como para créditos de alojamento, dívidas de consumidores não comerciantes e honorários de profissionais liberais.
Essas diferenças demonstram que empresas que operam em ambas as jurisdições não podem tratar a cobrança como ato isolado, mas como parte essencial de sua estratégia de gestão. Estabelecer controles internos de prazo, criar sistemas de alerta, padronizar comunicações e avaliar riscos legais em cada contrato é fundamental para preservar créditos e evitar perdas.
No comércio internacional, o tempo não é apenas um relógio que corre em silêncio: ele é recurso estratégico, capaz de abrir oportunidades ou selar fracassos. Saber administrá-lo, compreendendo os prazos legais aplicáveis em cada país, é um diferencial competitivo. Afinal, na arte da cobrança, quem domina o tempo inevitavelmente ocupa terreno favorável.
Artigo escrito pelo sócio da CBPCE, Francisco Pinheiro Neto
Yunare Marinho Targino: Aspectos H2H – Human to Human
Embora muitos acreditassem que as máquinas dominariam o futuro e que a população se misturaria com as ferramentas, é essencial lembrar que, afinal, são as pessoas que operam essas tecnologias.
Em um ambiente cada vez mais tecnológico, com novas ferramentas sendo lançadas diariamente e interações pessoais cada vez mais raras, surge a questão: como fica o contato humano? Mesmo com a automação crescente, o marketing, por mais que utilize tecnologia, é feito para pessoas e por pessoas. Foi assim que surgiu o conceito de marketing Human to Human (H2H), que foca no vínculo direto entre indivíduos.
Embora muitos acreditassem que as máquinas dominariam o futuro e que a população se misturaria com as ferramentas, é essencial lembrar que são as pessoas que operam essas tecnologias. As ferramentas existem para facilitar o cotidiano humano e nunca devem substituir as interações genuínas. Nesse contexto, o marketing H2H humaniza o atendimento, garantindo que todas as estratégias de marketing, digitais ou tradicionais, sejam direcionadas para pessoas, e não apenas para dados. Assim, essa abordagem conecta seres humanos e se torna acessível em qualquer organização.
A implementação do marketing H2H nas empresas permite uma evolução, pois coloca as pessoas no centro da transformação. Ao adotar esse modelo, as empresas podem engajar melhor seus clientes, utilizando a empatia e o entendimento das necessidades humanas. Essa abordagem permite falhas e testes, pois, como todo ser humano entende, só sabemos se algo dará certo ao tentar. E, como a prática é genuína e se baseia no senso comum, ela é mais facilmente aceita e eficaz.
Aspectos essenciais do H2H:
Seja empático: Colocar-se no lugar do cliente cria conexões poderosas e pode ser decisivo para fechar grandes negócios.
Seja pessoal: Conhecer o cliente, saber seu nome e seus desejos, com uma escuta ativa, fortalece a relação e gera mais confiança.
Seja autêntico: A transparência no trato e nas conversas constrói confiança e permite uma experiência mais rica e verdadeira.
Seja inspirador: Inspirar emoções é fundamental para conectar-se de forma significativa com o cliente, ajudando-os a superar obstáculos e fortalecendo a relação.
A proximidade genuína entre pessoas é a chave para construir relações duradouras e de sucesso. Adote o marketing H2H e pense na importância de se conectar de pessoa para pessoa.
Artigo escrito pelo sócio da CBPCE, Yunare Marinho
Josy Viana: Brasil e Portugal, um futuro promissor
Nos últimos anos, Portugal tem se consolidado como um hub europeu de inovação, com destaque para eventos como o Web Summit e políticas públicas voltadas à atração de talentos e empresas estrangeiras.
Lisboa e Fortaleza estão mais próximas do que nunca ao menos no universo das startups. Em um cenário global marcado pela transformação digital, Brasil e Portugal intensificam sua cooperação estratégica para fomentar inovação, atrair investimentos e impulsionar o empreendedorismo de base tecnológica.
Nos últimos anos, Portugal tem se consolidado como um hub europeu de inovação, com destaque para eventos como o Web Summit e políticas públicas voltadas à atração de talentos e empresas estrangeiras. O Brasil, por sua vez, desponta como um dos maiores mercados emergentes, com mais de 13 mil startups registradas e um ecossistema vibrante em cidades como São Paulo, Florianópolis, Fortaleza e Recife.
Essa sinergia tem ganhado corpo por meio de programas bilaterais, missões empresariais e acordos de cooperação. A iniciativa “StartOut Brasil”, por exemplo, já levou dezenas de startups brasileiras para rodadas de negócios em Lisboa e Porto, enquanto aceleradoras portuguesas como a Beta-i e a Startup Lisboa têm recebido empreendedores brasileiros em busca de internacionalização.
Segundo especialistas, a afinidade cultural e linguística entre os dois países é um diferencial competitivo. Portugal é uma porta de entrada natural para o mercado europeu. E o Brasil oferece escala e diversidade para testes e validação de soluções tecnológicas.
Além disso, o avanço de tecnologias como inteligência artificial, fintechs e healthtechs tem estimulado parcerias em áreas estratégicas. Universidades, centros de pesquisa e investidores de risco dos dois lados do Atlântico estão cada vez mais conectados, criando um ambiente fértil para inovação aberta.
O futuro aponta para uma integração ainda mais profunda. Com a entrada de Portugal na Aliança Global de Startups e o fortalecimento de políticas de apoio à inovação no Brasil, espera-se que o fluxo de conhecimento, capital e talentos entre os países se intensifique. Em um mundo onde colaboração é a chave, Brasil e Portugal mostram que a língua portuguesa pode ser também o idioma da inovação.
Artigo escrito pela sócia da CBPCE, Josy Viana