A arte do “follow-up” sem ser inconveniente, por Josbertini Clementino
O “follow-up” é o ato de retomar contato para obter uma resposta. E é o momento em que a reputação de um profissional de Relações Institucionais e Governamentais (RIG) é colocada à prova. Se feito com amadorismo, destrói meses de construção de relacionamento. Se feito com estratégia, consolida a sua posição como um parceiro necessário e estratégico.
E como bem sabemos, em RIG insistência não é sinônimo de influência. Muitas vezes, excesso de cobrança é só ansiedade travestida de estratégia. E há um erro recorrente em Relações Institucionais e Governamentais:
Tratar follow-up como tarefa operacional.
Não é mesmo… Follow-up é linguagem política, sinalização, leitura de timing. É acima de tudo gestão de percepção.
Uma das frases mais perigosas do repertório institucional é: “Só passando para lembrar…”
Porque, sejamos honestos, muitas pautas estratégicas não fracassam por ausência de argumento. Fracassam, sim, pelo manejo inadequado da continuidade.
Trago neste artigo 4 pontos de reflexão, a partir da minha experiência, sobre como fazer do follow-up uma ferramenta de construção e não de desgaste.
1. O Capital político: Por que ele é o seu limite?
O capital político funciona como uma conta bancária:
Cada vez que você pede algo, faz um saque.
Cada vez que entrega valor, faz um depósito.
O erro crasso de muitos profissionais de RIG é tentar fazer saques constantes em uma conta onde raramente depositam informação de qualidade.
Quando decide cobrar uma resposta de um Chefe de Gabinete ou de um Secretário de Estado (e eu já estive nas duas posições), você está solicitando uma fatia do recurso mais limitado daquela autoridade: o tempo e a atenção.
Se o seu contato for percebido como meramente reativo ou puramente interesseiro, você é classificado como “inconveniente”. A etiqueta em RIG não é sobre formalismos linguísticos, mas sobre o respeito ao processo decisório e ao fluxo de trabalho do outro.
2. O desafio do gabinete blindado
Nas altas esferas do poder, o Chefe de Gabinete, função que já exerci na Câmara dos Deputados, atua como um filtro deliberado. Sua função é proteger a agenda da autoridade contra ruídos e demandas sem fundamento técnico.
Para “furar” essa blindagem sem causar atrito, o profissional de RIG precisa entender uma verdade incômoda:
O silêncio do gabinete nem sempre é um “não”. Na maioria das vezes, é um sintoma de prioridades concorrentes.
Um erro capital, muito mais comum do que se imagina, é a insistência vazia, proferindo perguntas como: “Alguma novidade sobre o nosso pleito?'”
Sinceramente essa frase é o gatilho para o arquivamento mental da sua demanda. Não agrega valor e só gera trabalho para quem já está sobrecarregado.
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Por Josbertini Clementino
Sócio da CBPCE, Especialista em Relações Institucionais e Governamentais, Políticas Públicas, Gestão de Projetos e Stakeholders, Conselheiro de Administração IBGC, Regulatório l Advocacy, RIG, RelGov
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