Qair avança com eólica offshore no Ceará
Projeto de eólica offshore da Qair mira hidrogênio verde, data centers e expansão da energia renovável no estado
A Qair, sócia patrocinadora da Câmara Brasil Portugal no Ceará (CBPCE), avançou em seu projeto de eólica offshore no Ceará com o pedido de licença prévia apresentado ao Ibama para o Complexo Eólico Marinho Dragão do Mar. O empreendimento, previsto para a costa de Acaraú, terá capacidade instalada de 1.218 MW e é considerado estratégico para atender futuras demandas de energia limpa no estado.
De acordo com informações publicadas pela MegaWhat, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis aceitou analisar o pedido da Qair Marine Brasil, mas solicitou a elaboração do Estudo de Impacto Ambiental e do Relatório de Impacto Ambiental, etapas fundamentais para avaliar os possíveis efeitos do projeto na região.
A licença prévia representa a primeira fase do licenciamento ambiental. Nessa etapa, são analisadas a localização, a concepção do empreendimento e sua viabilidade ambiental. A autorização, no entanto, ainda não permite o início das obras nem a instalação do parque eólico.
Segundo comunicado enviado pela Qair à MegaWhat, o projeto está em fase avançada de licenciamento. A empresa informou que os estudos ambientais solicitados pelo Ibama já foram apresentados, com base em dados primários coletados ao longo de aproximadamente quatro anos de medições na área prevista para o empreendimento e no leito marinho.
O projeto básico do Complexo Eólico Marinho Dragão do Mar prevê o uso de aerogeradores da Vestas, fundações do tipo monopile e conexão ao Sistema Interligado Nacional em 500 kV, por meio de duas subestações. A escolha das fundações considera as características de profundidade identificadas na área do projeto.
Como sócia patrocinadora da CBPCE, a Qair integra o ambiente empresarial que fortalece conexões entre Brasil, Portugal e o setor produtivo, com atuação voltada a projetos de energia renovável e transição energética. No Ceará, a iniciativa reforça o papel estratégico do estado na atração de investimentos ligados à economia verde.
A iniciativa também está conectada à estratégia de expansão da infraestrutura energética cearense. Conforme informou a empresa, o empreendimento poderá contribuir para suprir a demanda do Hub de Hidrogênio Verde do Complexo do Pecém, que reúne alguns dos principais projetos de hidrogênio verde anunciados no país.
Além do hidrogênio verde, a Qair avalia que projetos de eólica offshore no Brasil podem atender grandes consumidores de energia, como data centers de grande escala e plantas industriais instaladas próximas a portos estratégicos. O Complexo do Pecém também tem atraído iniciativas ligadas a centros de dados, incluindo projetos associados à plataforma TikTok.
Apesar do avanço no licenciamento, a empresa aponta que a consolidação do marco regulatório da eólica offshore ainda é uma condição essencial para destravar novas etapas do setor no país. A regulamentação é aguardada por empresas interessadas em desenvolver parques eólicos marítimos em diferentes regiões do Brasil.
O processo regulatório começou em 2022, com o decreto que estabeleceu regras para a cessão de uso de áreas em águas da União. Posteriormente, a Lei nº 15.097/2025 instituiu o marco legal da atividade. Em abril de 2026, o Conselho Nacional de Política Energética aprovou diretrizes para a regulamentação da legislação.
O potencial brasileiro para geração de energia eólica offshore é considerado expressivo. Segundo levantamento do Banco Mundial citado pelo Ministério de Minas e Energia, o país possui potencial técnico estimado em cerca de 1.200 GW. Desse total, aproximadamente 480 GW seriam viáveis com fundações fixas, enquanto 748 GW poderiam ser explorados futuramente com estruturas flutuantes.
Até fevereiro de 2026, tramitavam no Ibama 59 projetos de eólica offshore, somando 134,25 GW. O Nordeste concentrava a maior parcela da potência em análise, com 62,48 GW, seguido pelas regiões Sul e Sudeste. Entre os estados, o Ceará aparecia com 36,18 GW distribuídos em 16 projetos, atrás apenas do Rio Grande do Sul.
A primeira licença prévia concedida pelo Ibama para um projeto de eólica offshore no país foi emitida em junho de 2025 para uma planta piloto do Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis, no Rio Grande do Norte.
Fonte: MegaWhat em 02.06.2026
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