Ceará inicia em outubro embarque de melão para China

Ceará inicia em outubro embarque de melão para China

Produtores já discutem com armadores como será a logística para a primeira viagem, que pode durar até 35 dias. Expectativa é que mercado chinês motive a duplicação da área plantada atual

O Ceará se prepara para dar o maior salto em exportações de frutas nos últimos anos. Até o fim de outubro, produtores locais farão o primeiro teste para enviar melão para a China. Em uma logística que ainda está sendo concluída, a viagem estimada é de 30 a 35 dias e levará seis contêineres do produto para o país asiático. O setor está otimista com a empreitada. Se o resultado for positivo, a expectativa, com o novo mercado, é dobrar a produção local, levar o Ceará ser o maior produtor de melão no país e ampliar a oferta de empregos no campo e nas indústrias do agronegócio.

De acordo com o presidente da Câmara Setorial do Agronegócio, José Amílcar Silveira, o primeiro embarque de melão para a China deve acontecer dia 23 ou 26 de outubro. O evento deve contar com a presença da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Tereza Cristina. Os seis contêineres sairão do Porto do Pecém em direção ao Porto de Santos, principal equipamento do tipo no país e maior complexo portuário da América Latina. “É um negócio fantástico. Se a gente conseguir, nossa produção de melão vai dobrar”, antecipa Amílcar.

Segundo ele, a China tem 440 mil hectares plantados de melão. Contudo, a produção não é regular ao longo do ano por conta do período chuvoso, que prejudica o plantio. Já no Brasil, são 20 mil hectares cultivados com melão, sendo 15 mil no Ceará e 5.000 no Rio Grande do Norte, onde as chuvas se restringem a cerca de três meses por ano e não são regulares. Silveira acredita que, efetivada a ponte com o mercado chinês, 20 mil hectares a mais sejam plantados no país, dobrando a capacidade atual, sendo 5.000 novos hectares somente no Ceará e em curto prazo.

Hoje a maioria do produto exportado do Ceará vai para a Europa. Somente um produtor embarca para o continente 300 contêineres por semana. Amílcar Silveira informa que, durante esses meses de pandemia, todos os contratos foram reativados e com procura maior, uma vez que a produção caiu em alguns países. “Com o dólar mais alto, naturalmente vamos ter uma receita maior”, diz, destacando que a expectativa é aumentar em 30% a receita da exportação de frutas em 2020, independente do negócio com a China.

Este ano, em relação à água, Amílcar Silveira afirma que a situação é confortável, devido às chuvas, à efetivação da transposição de águas do Rio São Francisco e ao aporte acumulado no açude Castanhão. Contudo, ele informa que o maior limitador da produção agropecuária local é exatamente a água. “É nosso gargalo, porque não temos grandes rios e o custo para trazer água do São Francisco é caro. Se a água do São Francisco fosse para Fortaleza e o Castanhão abastecesse a agricultura, seria o ideal. Para a pecuária, inclusive, é melhor que chova menos. Se tiver água, não precisamos de chuva. O que falta é reúso, melhorar a eficiência no abastecimento e distribuição, diminuir o desperdício. Só precisa ser eficiente. Hoje o desperdício é de 48%. Se fosse 25%, nós teríamos o equivalente a duas usinas de dessalinização”, explica Silveira.

Segundo o secretário executivo da Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho do Ceará (Sedet), Sílvio Carlos Ribeiro, em anos anteriores, a exemplo de 2019, os produtores exportavam de 100 a 150 contêineres em uma semana. Neste ano, são 250 a 300. “E ainda tem a questão do Oriente Médio e, em outubro, o grande desafio que é a China. Já temos permissão para exportar para lá, mas ainda não tem a logística definida. Os produtores já vão discutir com armadores para fazermos o teste. O problema é o tempo. Da fazenda até a Europa são 10, 12 dias até chegar ao consumidor. Na China, são 30 a 35 dias. Vamos avaliar a qualidade do melão quando chegar lá, a logística, o tempo. Dando certo, vai ser uma reviravolta no mercado”, aposta. Para Sílvio Carlos, a logística para a China sendo positiva, o negócio “vai mudar completamente o mercado, porque o consumo é muito alto. O mundo árabe também comprou bastante ano passado, há muitos países interessados, os Emirados Árabes, a Arábia Saudita”, complementa.

Fonte: O Otimista em 19.09.2020

Ministro diz que Nordeste terá investimentos de R$ 26 bi para expansão energética

Ministro diz que Nordeste terá investimentos de R$ 26 bi para expansão energética

O chefe da pasta participou junto ao presidente Jair Bolsonaro nesta quinta-feira da inauguração de nova etapa do complexo solar de Coremas (PB)

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, destacou nesta quinta-feira, 17, que 56% da previsão da expansão da capacidade de geração de energia elétrica brasileira até 2026 se dará na Região Nordeste. Segundo ele, os investimentos devem chegar a cerca de R$ 26 bilhões.

O chefe da pasta participou junto ao presidente Jair Bolsonaro nesta quinta-feira da inauguração de nova etapa do complexo solar de Coremas (PB).

Durante o evento, o ministro ressaltou em especial o potencial energético da região na produção de energias limpas, a eólica e solar. “O Nordeste se destaca pela sua extraordinária contribuição nas gerações solar e eólica, fontes que representam hoje cerca de 11% da nossa capacidade de geração e serão 25%, em 2030”, disse.

O ministro também citou o perfil acima da média mundial do País de produção de energia limpa. “As nossas fontes limpas e renováveis representam 85% da geração de energia elétrica brasileira, enquanto a média no resto do mundo é 24%”, disse.

Ele também mencionou a segurança energética do Brasil, mesmo durante a pandemia da covid-19. “O Brasil é um exemplo para o mundo em termos de sustentabilidade na geração e energia elétricas. Estamos vendo na pandemia alguns países com apagões e aqui estamos com segurança energética; fontes limpas 85% da energia.”

Fonte: Diário do Nordeste em 17.09.2020

Refinaria entra no rol de grandes projetos privados no CE, que somam R$ 56 bilhões

Refinaria entra no rol de grandes projetos privados no CE, que somam R$ 56 bilhões

Iniciativa privada é responsável pela aplicação dos recursos no Estado, em parcerias com o governo estadual e com o federal, no caso da Usina de Itataia. Resultado aparecerá com geração de empregos e atração de novas indústrias

Ao fim deste mês, o Ceará deve somar R$ 56,64 bilhões em investimentos estruturantes, que não se limitam exclusivamente à instalação de empresas, mas à atração de novas indústrias e fomento de desenvolvimento local. Além do acordo firmado semana passada para estabelecimento de indústrias na área de energia (investimento de R$ 50,4 bilhões) e os R$ 4,240 bilhões anunciados ontem para a refinaria de petróleo, o Estado deve firmar, no fim de setembro, aplicação de mais R$ 2 bilhões para a construção da Usina de Itataia, no município de Santa Quitéria. Com os três aportes, o Ceará passa a ser destaque no país por movimentar tamanho volume em negócios estruturantes nestes meses de pandemia.

De acordo com o titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho do Ceará (Sedet), Maia Júnior, no fim do mês o projeto para a Usina de Itataia deve ser assinado pelo Estado, Governo Federal e Consórcio Santa Quitéria, formado pela estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e Empresa Galvani Indústria Comércio e Serviços S.A. A finalidade é explorar, na mina localizada no município de Santa Quitéria, urânio e fosfato. “Dentro de uma lógica estratégica, são três grandes projetos que vão ter como consequência uma boa geração de empregos e desenvolvimento local”, acredita o secretário.

São avanços para uma nova economia, na avaliação de Maia Júnior. Isso porque as atrações envolvem energias renováveis, bens e geração de energia solar e eólica. “Agora estamos consolidando as energias offshore. Atraímos uma fábrica semana passada. Com o projeto de energia, turismo, o hub de aviação e indústria de datacenter, o Ceará está criando – além das velhas economias, como agronegócio, têxtil, turismo e indústria de calçados – novas oportunidades de fortalecer sua base econômica. Do ponto de vista futuro isso tudo dá ao Ceará uma estrutura mais sólida de desenvolvimento”, considera.

Só com Itataia, o investimento estimado é de US$ 400 milhões de dólares, o que equivale a cerca de R$ 2 bilhões. Trata-se de um acordo semipúblico, pois o INB é o detentor de exploração da mina de urânio no Brasil, mas uma empresa do setor de fertilizantes que vai produzir o subproduto da mina, que é o fosfato. A produção local, segundo Maia Júnior, deve reduzir em 50% as importações brasileiras as fosfato e bicálcio. A expectativa é que a exploração e produção gerem em torno de 2.000 empregos diretos. A previsão é que a mina passe a operar por volta de 2023, sendo que o projeto deve ser iniciado no fim de 2021 ou início de 2022.

“São três notícias extraordinárias”, diz Maia Júnior. Além da refinaria e da Usina de Itataia, ele se refere ao contrato assinado semana passada com chinesa Mingyang Smart Energy, que construirá uma fábrica de aerogeradores para utilização em parques eólicos offshore, instalados no mar do Ceará. Com 15 fábricas na China, a companhia pretende investir R$ 400 milhões no Ceará. Somados aos investimentos do projeto Asa Branca e da Neoenergia, Maia Júnior informa que o Ceará soma R$ 50,4 bilhões em aplicações em energia limpa. “São três notícias extraordinárias para o Estado, em um momento difícil, em que o Nordeste todo teve articulação de atração”, diz.

“Considerada a maior jazida de urânio do Brasil, Itataia foi descoberta na década de 1970. Em 2004 formou-se o consórcio do Projeto Santa Quitéria (PSQ), formado pela estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e a Empresa Galvani Indústria Comércio e Serviços S.A. Segundo informações da INB, o PSQ está na agenda de prioridades do Governo Federal. A empresa aponta como justificativa a “recuperação do Brasil pós-pandemia da covid-19, com foco na balança comercial tanto para o urânio como para o fosfato”. O objetivo da exploração, segundo a estatal, é produzir fertilizantes fosfatados granulados destinados à agricultura, fosfato bicálcico utilizado para suplementação animal e urânio para a produção de energia elétrica.

Entre os benefícios do projeto a INB destaca ainda a condução de investimento pela iniciativa privada, a diminuição da importação de fertilizantes, a receita prevista, arrecadação de impostos, distribuição de produtos fosfatados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e desenvolvimento da “rota tecnológica”. Ainda conforme a estatal, a exploração em Itataia será baseada na economia de água, dispensará barragem de rejeitos, substituirá biomassa por coque de petróleo e terá maior aproveitamento do minério.

Pesquisas apontam que a produção do fosfato deve garantir a exclusão de elementos radioativos que representam risco para pessoas e ecossistema. Segundo informações do Ministério de Minas e Energia, o país importa urânio enriquecido no valor de R$ 100 milhões mensais para abastecer as usinas Angra I e II. O Movimento pela Soberania Popular na Mineração no Ceará defende que as comunidades atingidas participem das decisões e que o projeto contemplem políticas públicas que humanizem a economia, as relações com o espaço e minimizem riscos de contaminação.”

Investimento na refinaria é de R$ 4,240 bi, com implantação em até 30 meses

Após mais de 60 anos de espera, finalmente o Ceará terá uma refinaria – não pública, como foi ventilado no início dos anos 2000, mas com investimento privado. Nessa quarta-feira, o memorando de entendimento para a instalação do projeto foi assinado entre Governo do Estado e a companhia brasileira Noxis Energy. Com investimento de R$ 4,240 bilhões, a refinaria de petróleo deve gerar 150 empregos diretos e 3.000 indiretos. O maior impacto, contudo, é para o desenvolvimento local. Através da refinaria, novas indústrias podem se instalar no Estado, inclusive montadora de veículos. O fator determinante para a efetivação do projeto neste ano de incertezas econômicas foi o fato de o Ceará ser o único estado brasileiro com uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE) em pleno funcionamento.

O governador Camilo Santana assinou o documento com o diretor-presidente da Noix, Gabriel Debellian, e Márcio Dutra, principal investidor. Os secretários do Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedet), Maia Júnior, e do Meio Ambiente (Sema), Arthur Bruno, também estavam presentes. “Sempre tivemos um objetivo de implantar no Ceará uma refinaria e uma siderúrgica. Em 2017 conseguimos abrir a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), formada pela brasileira Vale e as coreanas Dongkuk e Posco, um grande investimento de todas as partes. Agora, para a instalação da refinaria da Noxis Energy, nós também nos colocamos à disposição para viabilizar a sua instalação. É um grande investimento para o nosso Estado e para os cearenses”, aponta o governador.

Após o licenciamento ambiental, a implantação está prevista para ocorrer no máximo em 30 meses. Em funcionamento, a refinaria terá como principal produto o óleo combustível marítimo (bunker), com capacidade de refino de 50.000 BBL/dia. Mas, plenamente implantada, a produção prevista é de 1.500.000 (hum milhão quinhentos mil) toneladas/ano de combustível, até 2025. Sediada no Rio de Janeiro, a Noxis Energy atua na área de refino de petróleo com plantas em processo de instalação em locais estratégicos ao longo da costa brasileira.

“Estar no Ceará é muito estratégico para a nossa empresa, pois o Estado apresenta condições favoráveis em posicionamento geográfico em um mercado com demanda significativa de derivados num raio de 200 km, instalações necessárias como o moderno Porto do Pecém, e pode atender também o Porto de Itaqui no Maranhão. Por falta de oferta, os navios vêm para o Brasil supridos de combustível para a viagem de retorno, e assim nos colocamos como principal fonte de reabastecimento de um bunker limpo, que terá uso compulsório nas embarcações já em 2020, reduzindo o teor de enxofre de 3,5% para 0,5%”, explica Gabriel Debellian. O presidente da Noxis garante também que a prioridade para a mão de obra essencial da refinaria será de cearenses.

Originalmente, a refinaria seria instalada no Maranhão. Contudo, a localização e as vantagens estratégicas locais foram preponderantes. Na avaliação do secretário Maia Júnior, daqui em diante o momento é de desenvolver projetos e obter licenças ambientais e de órgãos públicos licenciadores de obras. A ação, para o secretário, representa um segundo grande passo para a estruturação da política de desenvolvimento econômico, pois se trata de um investimento estruturador. O outro projeto a que Maia Júnior se refere é a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP).

“Como a ideia inicial era de um projeto voltado para exportação, o fato de o Ceará ter a única ZPE em funcionamento no Brasil foi um fator decisivo”, ressalta. Como contrapartida, o Estado oferta terrenos que hoje estão alugados e incentivos fiscais. Como já é definido pela ZPE, a produção e exportação do petróleo refinado não gerará imposto. Desse modo, a vantagem local é mais ampla. “A refinaria vai gerar um outro de consumo e indústrias complementares. Como vamos exportar, estamos agregando valor ao petróleo bruto, produzindo combustíveis, criando novas economias, fortalecendo a visão de futuro do porto e consolidando todo o arranjo planejado para o Pecém”, contextualiza.

Como reforça o secretário, “uma indústria não se abre nem se fecha da noite para o dia, sempre foi base de desenvolvimento em qualquer país do mundo”. Apesar de considerada de pequeno porto, Maia Júnior afirma que a refinaria pode ser ampliada de acordo com a demanda. Além disso, a instalação suscita uma nova lógica de crescimento no setor. Como se trata de uma indústria de base, a expectativa é que sua instalação agregue a vinda de outras indústrias, como a petroquímica. “Com essa nova estruturação, os desdobramentos futuros incluem negócios complementares, como a indústria automobilística, por exemplo. Não há mais impeditivo de se formar a complementação da cadeia, com uma base de refino, atrelada à indústria petroquímica”, sinaliza.

O secretário lembra ainda que a refinaria resgata antigos planejamentos para o Ceará, de outros governos. Isso porque desde os anos 1960 se ventila a possibilidade de o estado ter uma refinaria de petróleo. A condição mais próxima ocorreu no início dos anos 2000, quando a instalação de uma refinaria da Petrobras mobilizou estados nordestinos a barganharem a obra. Na ocasião, a decisão foi pelo estado de Pernambuco, onde a Refinaria Abreu e Lima foi instalada, está em operação, mas neste ano passa pela possibilidade de ser privatizada. No Nordeste, o outro equipamento do tipo é a Refinaria Landulpho Alves-Mataripe, construída nos anos 1960 na Bahia e também, à época, vislumbrada para ser instalada no Ceará. Na região, portanto, a refinaria cearense será a terceira, mas a primeira privada.

Fonte: O Otimista em 16.09.2020

ESG: Environmental, Social & Governance. Por Karyna Gaya

ESG: Environmental, Social & Governance. Por Karyna Gaya

Conheça o termo que está sendo cada vez mais utilizado como critério para avaliação e investimento em empresas

Empresas que adotam melhores práticas ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês, como são conhecidas internacionalmente) estão no foco de investidores quando da construção de suas carteiras e da gestão de risco, fortalecendo o conceito de investimentos sustentáveis.

Mas o que isso significa? Que consultores financeiros, bancos e fundos de investimentos estão considerando critérios “ESG” para avaliar empresas de acordo com seus impactos e desempenho em três áreas: meio ambiente, sociedade e governança.

Critérios ambientais ajudam o investidor a entender o relacionamento da empresa com o mundo natural e a sua dependência de recursos naturais. São avaliados fatores como mudança climática, emissão de carbono, uso de recursos naturais, poluição e resíduos.

Já as métricas sociais ajudam na visualização de potenciais preocupações em relação a direitos humanos, relações trabalhistas, comunidades e com o público em geral. Medidas relacionadas à saúde, segurança, diversidade, treinamento de colaboradores, responsabilidade com o consumidor, relação com a comunidade e atividades beneficentes são levadas em consideração quando de investimentos considerando fatores ESG.

Companhias com boa governança, por sua vez, são mais confiáveis e menos propensas a ceder para corrupção, tornando-se mais atrativas para investimentos. Direitos dos acionistas, composição do Conselho de Administração (independência e diversidade), política de remuneração da diretoria e fraudes são avaliados no critério ESG de governança.

No Brasil, a adoção de critérios ESG se encontra em estágio inicial. Em um primeiro momento, investidores se concentraram primordialmente em assuntos reputacionais e em escândalos de corrupção para avaliação de riscos, tornando a governança corporativa o foco inicial de atenção.

Essa abordagem, contudo, começa a evoluir. Seja para avaliação por investidores ou, antes disso, para manter um crescimento sustentável, empresas devem considerar questões ambientais e sociais, além das questões de governança corporativa, evitando impactos negativos em curto, médio e longo prazos.

Vale então refletir sobre os seguintes questionamentos: Quais questões ambientais, sociais e de governança são financeiramente relevantes para cada companhia ou indústria? Como as companhias estão lidando com esses riscos? Como esses riscos vão afetar o valor de longo prazo da companhia?

Deve-se ter em mente, por fim, que a atenção aos critérios ESG revela a tendência dos investidores em não priorizar empresas com potencial de passivos ambientais, trabalhistas e relacionadas à corrupção, bem como a preocupação de geração de valor ao longo do tempo, direcionando investimentos a empresas empenhadas em preservar o meio ambiente, a diversidade e a ética

Fonte: Focus em 16/09/2020

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Economia cearense cresce duas vezes mais que média nacional em julho

Economia cearense cresce duas vezes mais que média nacional em julho

Considerado a prévia do PIB, Índice de Atividade Econômica do Banco Central aponta avanço de 4,75% da economia do Ceará em julho, superior à média do País no período, de 2,15%, e a do Nordeste, de 1,6%

Após crescer 6,71% de maio para junho, a atividade econômica no Ceará avançou 4,75% na passagem de junho para julho, superando o desempenho obtido pela região Nordeste (1,60%) e pelo Brasil (2,15%).

Já na comparação com julho de 2019, a atividade no Ceará apresentou retração de 0,95%, mas também superou os resultados registrados na média regional (-3,59%) e nacional (-4,89%). O dado é referentes ao Índice de Atividade Econômica do Banco Central – Ceará (IBC-CE), divulgado ontem (15).

Para Ricardo Coimbra, presidente do Conselho Regional de Economia Ceará (Corecon-CE), a queda dos números de casos de coronavírus no Estado aliada à retomada gradual das atividades vem contribuindo para a recuperação econômica cearense. E a tendência é que o Estado permaneça nessa trajetória nos próximos meses.

“O Ceará vem tendo esse crescimento da atividade de forma escalonada sem que haja crescimento dos números efetivos da doença. Isso vai gerando uma recuperação mais sólida e constante nas próximas etapas”, diz.
Coimbra destaca ainda que os resultados de agosto e setembro tendem a ser ainda melhores devido à reabertura de outras atividades no Estado.

“Esses números só vão aparecer mais a frente, então é provável que a gente tenha uma melhora mais efetiva do que o outros estados na nossa região”, prevê o economista.

“Além disso, a solidez fiscal do Estado do Ceará também contribuiu nessa perspectiva de uma retomada mais sólida. O Estado manteve sua capacidade de investimento, de pagamento de suas contas, gerando até a possibilidade de ajuda na área econômica com a postergação do pagamento de imposto”.

Expectativa revisada

No acumulado de janeiro a julho, a atividade econômica cearense apresentou queda de 3,96%, ficando abaixo do resultado registrado no Nordeste (-3,17%). Mas no acumulado de 12 meses até julho, o Ceará apresentou retração de 1,39%, enquanto o Nordeste registrou queda de 1,56%.

Divulgado mensalmente pelo Banco Central, o IBC é considerado a prévia do Produto Interno Bruto (PIB) do País, regiões e estados.

Em junho, a expectativa do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) era de queda de 4,92% do PIB estadual para 2020. Mas, diante da recuperação da atividade, Coimbra avalia que o resultado seja revisado

“O crescimento do Ceará acima do patamar nacional e do Nordeste deve gerar uma perspectiva de que o impacto da quarentena no PIB de 2020 seja menor do que se esperava inicialmente, podendo ficar com uma queda de 1,8% a 2%, em vez de uma retração de quase 5% como se imaginava”.
No primeiro trimestre, parcialmente afetado pela quarentena, o PIB do Ceará apresentou queda de 0,45% enquanto o do Brasil caiu 0,3%.

Fonte: Diário do Nordeste em 16/09/2020

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Sebrae-CE seleciona empresas parceiras para Rota das Emoções

Sebrae-CE seleciona empresas parceiras para Rota das Emoções

Serão selecionadas 50 empresas dos municípios que integram o roteiro turístico. Objetivo do Sebrae-CE é reunir as empresas da região para fomentar negócios

O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-CE) está selecionando 50 empresas interessadas em integrar o Clube de Parceiros da Rota das Emoções. As inscrições abertas até o próximo dia 19 deste mês.

O objetivo é selecionar empresas dos municípios que integram o roteiro turístico (Jijoca de Jericoacoara, Camocim, Chaval, Cruz e Barroquinha) para o fomento de negócios. De acordo com o Sebrae-CE, as empresas vão conhecer possíveis parceiros em outros municípios da Rota das Emoções e poderão apresentar seus diferenciais e conceder benefícios aos parceiros e clientes VIP indicados.

“Assim, iremos estimular o consumo e a movimentação da economia neste período de retomada e na baixa estação de 2021”, diz a articuladora do Sebrae-CE, Suilany Teixeira. As empresas farão parte do projeto de forma gratuita.

Conforme o Sebrae-CE, para participar do Clube de Parceiros, os interessados deverão atender a alguns critérios: ser dos setores de hospedagem, alimentação fora do lar ou agência de receptivo; formalizadas e com o Cadastur atualizado; com sede em um dos cinco municípios cearenses que integram a Rota das Emoções; participar do Projeto Rota das Emoções do Sebrae/CE e ter implantado protocolos de segurança sanitária.

Maratona

Além de realizar a inscrição, as empresas interessadas em integrar o clube deverão participar da maratona de negócios online, que será realizada nos dias 23 e 24 de setembro. É nessa ocasião que os empreendedores ou representantes irão apresentar os seus empreendimentos, os diferenciais e os benefícios que estarão à disposição dos outros integrantes do clube.

A oficialização do Clube de Parceiros será realizada no dia 01 outubro de 2020 e ele permanecerá válido até 30 de junho de 2021. A divulgação das empresas integrantes do Clube de Parceiros será feita no site oficial da Rota das Emoções, e reproduzido por todas as 50 empresas participantes em seus sites e redes sociais. As inscrições podem ser feitas aqui. http://bit.ly/clubedeparceiros

Fonte: Diário do Nordeste em 16/09/2020

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Escola de gastronomia recebe inscrições para cursos online gratuitos em Fortaleza

Escola de gastronomia recebe inscrições para cursos online gratuitos em Fortaleza

O prazo para requerer participação começa nesta quarta-feira (16) e se encerra na quinta (17). São ofertadas 240 vagas em quatro cursos.

A Escola de Gastronomia Social Ivens Dias Branco, da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult), abre inscrições para preencher 240 vagas em quatro cursos gratuitos online voltados para o empreendedorismo em gastronomia. O prazo para requerer participação é até a próxima quinta-feira (17).

Os candidatos serão selecionados pela ordem de inscrição e precisam, dependendo do curso escolhido, ter a partir de 17 anos. Também são pré-requisitos ter o ensino fundamental concluído e disponibilizar de celular, tablet ou computador com acesso à internet.

Para fazer a inscrição basta acessar o site da Secult https://www.secult.ce.gov.br/ ou a página da escola de gastronomia. http://www.gastronomiasocial.org.br/

As vagas estão distribuídas entre os cursos de Gestão de Pequenos Negócios em Gastronomia (60), Boas Práticas na Manipulação de Alimentos pós pandemia (60), Fichas Técnicas: Precificação e Custos e Postura Pessoal (60) e Orientação Profissional (60), totalizando 240.

De acordo com a superintendente da escola, Selene Penaforte, os conteúdos a serem abordados no curso são de grande importância, principalmente em um ano com tantas mudanças ocasionadas pela pandemia de Covid-19.

“Os cursos on-line oferecem aos alunos a possibilidade de ter acesso a formações na área de gastronomia, especialmente dentro do momento atual em que vivemos, com suas transformações e adequações necessárias”, ressaltou.

Confira lista de cursos e horários

Gestão de Pequenos Negócios em Gastronomia
Período: 21 a 30.09.2020 – Horário: Manhã – 9h às 11h15 | Modalidade: Formato on-line e Ensino Remoto.

Boas Práticas na Manipulação de Alimentos pós-pandemia
Período: 22 a 25.09.2020 – Horário: Noite – 19h às 21h30 | Modalidade: Formato on-line e ensino remoto.

Fichas Técnicas: Precificação e Custos
Período: 21 a 29.09.2020 – Horário: Noite – 19h às 21h30 | Modalidade: Formato on-line e ensino remoto .

Postura Pessoal e Orientação Profissional
Período: 23. a 30.09.2020 – Horário: Noite – 19h às 21h30 | Modalidade: Formato on-line e ensino remoto.

Fonte: Diário do Nordeste em 16/09/20

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Um manifesto para redefinir o capitalismo — 50 anos após Friedman

Um manifesto para redefinir o capitalismo — 50 anos após Friedman

Movimento IMPERATIVE 21 quer aproveitar efeméride para mostrar que o capitalismo centrado apenas no acionista ficou para trás. Faz parte desse movimento em Fortaleza, Adriana Bezerra(Flow Desenvolvimento Integral), sócia CBPCE.

Este domingo é uma data marcante para a história do capitalismo — e, para um grupo crescente de ativistas, pode ser o marco de um novo momento. Há 50 anos o economista americano Milton Friedman disse sua conhecida frase “The business of business is business” (O negócio do negócio é negócio). Era um resumo sem rodeios de um capitalismo centrado no acionista, que tinha como objetivo central a maximização dos lucros. Friedman seria escolhido Nobel de Economia em 1976.

Pois 50 anos depois um grupo de empresários, investidores e ativistas sociais tenta mostrar que o mundo mudou de vez, e que o capitalismo de “shareholder”, focado no investidor, deu lugar ao capilismo de “stakeholder”, focado em todos os públicos. Neste domingo este grupo, batizado de IMPERATIVE 21, publica um anúncio no jornal The New York Times com o título “Redefina o Capitalismo” e ao longo da semana fará uma série de eventos em grandes centros financeiros do mundo, como a Nasdaq, em Nova Iorque, e a B3, no Brasil.

“A pandemia deixou mais visível o que já estava ali. Um sistema econômico que foi desenhado para cuidar de alguns e não de muitos”, diz o americano Jay Coen, coordenador do IMPERATIVE 21. “É um sistema que foca em maximizar riqueza e não bem-estar, que privilegia o individualismo”.

“Um anúncio não muda nada, é apenas um sinal. Precisamos mostrar que estamos aqui, e que concordamos que o sistema precisa ser transformado. De uma economia de exclusão para uma de inclusão, uma economia que não é mais de ‘winner takes all’”, diz Coen.

Coen e seu grupo se unem a vozes que têm defendido não um retorno ao mercado pré-pandemia, mas um reinício no capitalismo e na forma de fazer negócios. “O normal não estava funcionando. Queremos ter certeza que vamos resetar a economia numa nova trajetória, e não recomeçar a economia. Precisamos pensar em todos os stakeholders, ou vamos terminar na mesma situação em que estávamos quando a próxima pandemia vier, ou quando a mudança climática se acentuar”, afirma.

Nos últimos 15 anos Coen, um ex-executivo da consultoria McKinsey, liderou o B Lab, um movimento que nasceu para mostrar que é possível ter negócios lucrativos e que criam empregos e ao mesmo tempo levam em consideração questões sociais e ambientais. Era o nascimento de um conceito que nos últimos meses se consolidou de vez, o ESG (sigla para Ambiental, Social e Governança, em inglês). O B Corp buscava unir empresas com os mais elevados conceitos de sustentabilidade, e hoje tem 3.500 empresas em 80 países, incluindo o Brasil.

Mas mais recentemente Coen viu que, o impacto destas empresas não era o suficiente. Passou, então, a buscar uma união mais ampla de esforços, com outras organizações. Os fundadores da coalizão global são o B Lab, The B Team, o CECP (Chief Executive for Corporate Purpose), Conscious Capitalism, Coalition for Inclusive Capitalism e Just Capital. No Brasil, a coalizão é formada pelo Sistema B (braço do B Lab na América Latina), Rede Brasil do Pacto Global, Instituto Capitalismo Consciente Brasil e Instituto Ethos.

Nasceu, assim, em abril, a rede IMPERATIVE 21. “A ideia é engajar todos os negocios — mesmo aqueles que não são empresas B. As empresas b lideram o caminho e facilitam para que outros as sigam a cultura do stakeholder”.

“Com a IMPERATIVE 21, nos unimos na missão de munir os líderes com os princípios de liderança do século 21 para guiarem as mudanças”, afirma Francine Lemos, Diretora Executiva do Sistema B.

O embrião da ação foi o Manifesto de Davos, lançado na edição 2020 do Fórum Econômico Mundial. Inspirada nesse aprendizado, a transformação proposta pela Imperative 21 se baseia em três pilares: design para uma economia de interdependência; investimentos para que todos os passos do sistema produtivo sejam mais justos; criação de valor para todos os stakeholders.

Coen afirma que a ideia não é desconstruir o conceito de Friedman, mas mostrar que o mundo mudou. “O próprio Friedman já falava que a responsabilidade de um negócio era maximizar o lucro operando dentro da lei e de forma ética. A lei muda à medida que as pessoas decidem que têm necessidades diferentes. E temos um entendimento maior dos riscos para a vida e para os mercados trazidos pela cultura do capitalismo focado no acionista”, afirma.

“Nos anos 70 a geração era muito focada no indivíduo, mas agora sabemos que estamos conectados, que o meu futuro está ligado ao seu”. É, para o americano, uma visão de mundo que ganhou força com a pandemia, mas que não tem volta.

Fonte: Revista Exame em 13.09.2020

Setor de Turismo cria estratégias de adaptação para captar turistas cearenses

Setor de Turismo cria estratégias de adaptação para captar turistas cearenses

Novos conceitos e usos para os hotéis garantem permanência no mercado. Foco agora é atrair o turista que se desloca via terrestre, tanto o visitante cearense como o de estados vizinhos. Enquanto isso, empreendimentos usam espaços para lives

O setor de turismo foi um dos mais afetados pela pandemia. Embora os hotéis não tenham sido impedidos de funcionar, a ausência de viagens de lazer, de realização de eventos e do turismo de negócios impactou diretamente no segmento. De 50 estabelecimentos associados ao Fortaleza Convention & Visitors Bureau, apenas quatro não fecharam entre março e início de junho. Em paralelo, quem reabriu gradualmente criou estratégias de biossegurança, de adaptação a um mercado retraído e de manutenção dos negócios. Entre as soluções estão hospedar profissionais de saúde a criar espaços para gravação de lives nas redes sociais e eventos virtuais.

Segundo a presidente do Fortaleza Convention & Visitors Bureau (CVB Visite Ceará), Ivana Bezerra, vários fatores agravaram a crise no setor, em função da questão sanitária. Isso porque, de imediato, não havia alternativa para hotéis e pousadas funcionarem. Além disso, o setor atua com vendas por antecedência. Como não havia perspectiva de quando a situação se normalizaria ou chegaria perto disso, não havia como fazer reservas. “Foi muito complicado. A hotelaria realmente fechou por causa da falta de hóspede, não por apresentar algum tipo de insegurança”, informa.

O início da pandemia coincidiu com a baixa temporada no turismo de lazer, período em que acontecem feiras e congressos. Mas, com a paralisação dos eventos, o efeito negativo foi generalizado. “O turismo de negócios parou totalmente, é o que sustenta a gente na baixa temporada. O lazer é só uma parte do negócio. Um evento impacta 52 setores da economia, como montadores, decoradores, buffets, receptivo, bar, restaurante”, informa a presidente.

De acordo com ela entre os hotéis que não fecharam está o Meridional, no Centro. O equipamento fechou convênio com a Prefeitura de Fortaleza para receber profissionais de saúde. Um outro, na Praia do Futuro, manteve o trabalho interno por questão de segurança. Outros se mantiveram funcionando porque abrigam flats e alugueis de longa permanência. Uma das saídas encontradas no Sonata de Iracema, localizado na Avenida Beira-Mar, foi reforçar serviços para o hóspede cearense, criar novos produtos e revitalizar o ambiente para a reabertura.

Com o “Saia da Rotina”, que já existia antes da pandemia, é possível fazer check in às 8 horas do sábado e check out, às 18 horas do domingo. Normalmente, isso daria uma diária e meia. Mas, devido ao movimento, está sendo cobrada apenas uma diária e com tarifa reduzida. “O Sonata é essencialmente corporativo. Já fazíamos o Saia da Rotina há muito tempo, mas, como os eventos não estão acontecendo, estamos reforçando esse serviço”, afirma Ivana Bezerra, proprietária do hotel.

Outra alternativa para o hotel que tem 8 salas de eventos foi criar um estúdio para as pessoas fazerem lives. “Os próprios clientes estão alugando para fazer essa comunicação virtual. E preciso sair da mesmice e buscar soluções, já que as pessoas estão viajando muito pouco ainda. Tem gente que quer sair de casa, mas prefere ainda não viajar”, diz, acrescentando que esse hóspede é de Fortaleza, de cidades do interior do estado, especialmente da região do Cariri, e de estados vizinhos.

No período de paralisação das atividades, o hotel foi reformado e agregou novo conceito. “Tudo na decoração é do Ceará. Quadros, adornos, peças decorativas”, informa Ivana Bezerra, acrescentando que as compras foram feitas diretamente com os artesãos. O hotel também disponibiliza informações sobre o artista, material utilizado e contato. “A gente tirou tudo que não era de identidade. Agora é tudo de palha, barro, coco verde. Acho que isso nasceu de um processo de sensibilidade maior que estamos passando. O sentimento pelo simples está mais aflorado, estamos tendo uma outra percepção do espaço, do que é importante”, justifica.

Sobre o retorno do turismo de lazer e de negócios, a presidente do CVB pondera que é uma interrogação, mas projeta que as viagens em lazer serão retomadas primeiro do que os eventos, congressos e feiras. Isso porque são permitidas 1.000 pessoas em um evento somente na quarta etapa do processo de reabertura do setor. Por enquanto, apenas 100 no máximo são permitidas. “Nosso maior concorrente é o Zoom. As reuniões virtuais são mais baratas, funcionam em certa medida. A não ser algumas situações que precisam do presencial. Esse segmento de negócios movimenta muito a nossa demais a nossa economia. Quem vem para um congresso vai também a restaurantes, shoppings, supermercados, bares”, aponta.

Ivana Bezerra acredita que a movimentação em locais turísticos no feriado de 7 de setembro revela um panorama de como deve ser a retomada para o setor. Embora em Fortaleza a ocupação tenha sido de 30% em média, no litoral variou de 70% a 80%, sendo que a maioria era visitante cearense. Em relação à segurança sanitária, a presidente do Visite Ceará informa que só nessa semana o protocolo para o setor foi divulgado. Antes disso, empresários e empreendedores do setor se espelharam em protocolos internacionais já aplicados em cidades turísticas.

“A partir do momento em que começa a fazer, é fácil continuar. Mas deixar o apartamento isolado 24 horas depois do check out é inviável. Isso tira pelo menos 40% da minha oferta. Além disso, a limpeza é feita com todo rigor, mais do que era antes, com tudo que é recomendado. Também não entendemos por que não podemos ter buffet, se os restaurantes podem ter o serviço self service”, diz. Sobre os questionamentos, Visite Ceará, Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) no Ceará e o Sistema Integrado de Parques e Atrações Turísticas (Sindepat) articulam posicionamento formal sobre essas e outras questões referentes ao protocolo para o setor.

Retomada das atividades proporciona aumento da contratação de pessoal

Compra de passagem, hospedagem, seguro de viagem, locação de veículos. Aos poucos esses serviços voltam a ser rotina nas empresas. Para atender à demanda, quem atua no setor está voltando a se reestruturar após meses com lojas fechadas. Mesmo com voos e viagens ainda em processo gradual de retomada, é possível perceber melhora no faturamento e na perspectiva do fim do ano e início de 2021.

Especializada em contas corporativas, a A3 Turismo viu o faturamento cair 90% entre março e abril. Foi necessário aderir ao programa federal de suspensão da folha de pagamento para se manter. Com duas unidades localizadas em Fortaleza, o sócio Alberto Moura conta que só foi possível manter as duas porque uma é própria. Além disso, contratos de licenças de software foram suspensos, já que não estavam sendo realizadas operações com os serviços.

“Por incrível que pareça, com esse cenário todo, a empresa não ficou completamente parada. Se não tinha passagem, tinha carro para alugar. Se não tinha passagem área, tinha carro”, pondera. Agora, com as lojas reabertas e as 20 pessoas da equipe voltando ao trabalho presencial, até contratações a empresa já está fazendo. “Contratamos mais quatro funcionários. Desde junho o movimento está aquecendo”, comemora.

Nos primeiros meses de pandemia, o home office foi fundamental para manter contato com clientes. Abril, para Alberto Moura, foi o mês mais crítico. Hoje, segundo ele, a empresa atua com 40% do faturamento anterior à pandemia. “A adaptação do home office não é tão complicada. Tanto que entre as contratações vamos chamar pessoas para ficarem trabalhando em casa. Nossa atividade é muito centrada ou apoiada na tecnologia, não precisa tanto do atendimento presencial. Há pessoas que querem trabalhar assim, pois moram longe, gastam muito com combustível, não perdem tempo de deslocamento. Só precisa de um computador e do software”, reforça.

Para o turismólogo, a ausência de uma vacina ainda continuará impactando nas escolhas de viagens. “As pessoas não querem ir para o exterior. Adoecer em uma viagem, precisar de hospital, isso ainda gera receio. As pessoas não sentem segurança. Ainda tem o câmbio de R$ 5,00, que é alto”, analisa. No caso do turismo corporativo, Moura informa que já há funcionários viajando a trabalho. Ele afirma que, na A3, antes da pandemia 75% do faturamento eram viagens corporativas e 25%, de lazer. Atualmente a estimativa é que a conta seja 95% negócios e apenas 5% lazer. “Não parou total porque ainda vende Jeri, Cumbuco, resorts. Mas cruzeiros e intercâmbio cultural foram a zero. Viagem internacional só a trabalho mesmo”, considera.

Entre as contratações que estão sendo feitas, Alberto Moura destaca para o setor de marketing digital. “A gente está bastante otimista, porque estamos nos preparando. Vamos reforçar a participação no mundo digital e nas redes sociais para gerar negócios. Nossa perspectiva é que a retomada vai ser muito boa, mas a partir de janeiro. Em março acredito que teremos o mesmo faturamento de antes da pandemia”, sinaliza.

Plataforma traz novidade para mercado de eventos

Com as limitações de deslocamento, criar alternativas para realizar eventos em ambiente digital se tornou alternativa de sobrevivência no setor. Com base nisso, após 4 meses pesquisando plataformas digitais no Brasil e em outros países, a Ikone firmou parceria com plataformas brasileiras, canadenses e americanas de funcionalidades para eventos digitais no mundo.

“A plataforma é adaptada ao momento atual e traz soluções inovadoras e personalizadas. Projetamos congressos, feiras e eventos corporativos virtuais ou híbridos. Tudo isso conectando tecnologias e plataformas já maduras e testadas”, adianta Roberta Cavalcante, uma das diretoras do aplicativo Ikone Digital.

A funcionalidade do serviço inclui sincronizar o acesso pelo computador, tablet ou celular e disponibilizar o conteúdo dos eventos na web. A participação não tem limites geográficos e abrange programação ao vivo ou vídeos pré-gravados, apresentação de trabalhos técnico-científicos, sessões de networking, engajamento, rodadas de negócios, feira virtual e gamificação, por exemplo.

Os eventos do calendário de 2020 da Ikone já foram migrados para o digital. Assim, a plataforma promove geração de conteúdo, capacitação, intercâmbio de informações e ambiente para networking e realização de negócios. Segundo a empresária Micheline Camarço, o serviço está “surpreendendo patrocinadores e expositores dos eventos com as possibilidades de interação com o público”. Para ela, “basta ter criatividade e vontade de explorar os recursos”.

Fonte: O Otimista em 14.09.2020

Chineses devem investir até R$ 400 mi em nova fábrica de geradores

Chineses devem investir até R$ 400 mi em nova fábrica de geradores

Projeto inicial da Mingyang ainda pode sofrer mudanças relacionadas a expansões. Segundo secretário desenvolvimento econômico do Estado, empreendimento focará a construção aerogeradores para parques offshore

O mercado de geração de energia eólica no Ceará terá um novo reforço operando nos próximos anos. Ontem (10), o Governo do Estado anunciou um acordo com a empresa chinesa Mingyang para a construção de uma fábrica de aerogeradores para utilização em parques eólicos offshore – instalados no mar. Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico e Trabalho do Estado, Maia Junior, o investimento inicial da empresa deverá ficar entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões. Ele aponta que o projeto ainda depende da finalização do processo de dimensionamento para definição do valor.

Os representantes chineses ainda estão entrando em contato com agentes de mercado para firmar possíveis contratos de venda, levando em consideração que o Ceará possui quatro projetos de parques eólicos no mar em avaliação. Os investimentos ainda dependem de liberação ambiental do Ibama.

Outra questão importante para a conclusão do projeto da fábrica é a possibilidade de possíveis expansões para a produção de outros itens. A Mingyang, segundo Maia Júnior, ainda poderia investir na fabricação de painéis solares e outros componentes.

Contudo, já há a previsão de que o empreendimento chinês deverá gerar cerca de 2 mil empregos na fase inicial. A expectativa é que a fábrica de aerogeradores já esteja implantada entre 2022 e 2023.

Para o secretário, o interesse dos chineses em vir ao Ceará pode ajudar a consolidar essa nova linha do mercado de geração de energia eólica no mar. Maia Júnior ainda destacou que a capacidade tecnológica da empresa asiática também é um fator de impulsão do mercado local.

Cada gerador produzido teria potência entre 11 megawatts (MW) e 15 MW. O dado representa até três vezes o valor do gerador mais potente produzido no Estado pela dinamarquesa Vestas, que tem cerca de 4,2 MW.

“É uma tecnologia nova e que tem características diferentes do que a gente tem no Ceará até agora. A chegada dos chineses está associada ao fato do Ceará já ter atraído um projetos de geração de energia offshore. É uma nova cadeia que o Ceará vai montando”, disse Maia Júnior.

Articulação

Para buscar a inserção no mercado, a Mingyang já está em contato com representantes de projetos de parques offshore no Estado. Ainda hoje (11), os chineses deverão ter uma reunião com representantes da BI Energia para possíveis contratos de compra dos geradores.

Já na próxima semana, os chineses deverão ter um novo encontro, com outra empresa investidora no Ceará. As tratativas deverão acontecer na sede da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).
Para Lúcio Bonfim, diretor executivo da BI Energia, a chegada dessa nova empresa é mais do que positiva. Ele ainda disse que a reunião com a Mingyang será focada em conhecer os produtos ofertados, tratando de preços, qualidade e capacidade de produção.

Fonte: Diário do Nordeste em 10.09.2020