‘o nome disso não é fome’: artista visual Alice Dote apresenta sua primeira exposição individual

‘O nome disso não é fome’: artista visual Alice Dote apresenta sua primeira exposição individual

A artista visual e pesquisadora Alice Dote apresenta sua primeira exposição individual intitulada ‘o nome disso não é fome’. A abertura acontece dia 22 de novembro no Centro Cultural Banco do Nordeste e tem curadoria de Eduardo Bruno e Waldirio Castro.

Partindo de imagens fotográficas de nus e naturezas-mortas capturados pelo próprio olhar, Alice Dote compõe um universo que questiona as hierarquias de gênero historicamente estabelecidas entre quem vê e quem é visto.

Se a tradição da arte ao longo da história consolidou o homem como quem olha e registra e a mulher como objeto de contemplação, a artista subverte essa lógica ao ocupar o lugar de quem observa, recria e compartilha desejo com o outro.

“Minhas ‘musas’ são homens que dispo, observo e com quem dialogo através da pintura. Não para reproduzir um sistema, mas para embaralhar domínios, desejos e identidades”, afirma Alice.

A mostra reúne 20 pinturas a óleo produzidas entre 2024 e 2025 e uma videoperformance em que a artista investiga o olhar do desejo na pintura, compreendendo-a como um processo erótico capaz de figurar o desejo e criá-lo nos expectadores das imagens.

Idealizado por Eduardo Bruno e Waldirio Castro, o projeto curatorial tensiona o espaço expositivo como lugar de encontro e fricção. Corpos e objetos dividem o mesmo território visual, desafiando a hierarquia entre gêneros da pintura e entre os próprios corpos que habitam o desejo.

O espaço do Centro Cultural, onde acontece a mostra, é um corredor. Depois de acessá-lo, não há como voltar atrás – uma estratégia elaborada pelos curadores e por Alice. Uma vez lá dentro, é preciso encarar o desejo, sem temê-lo, e ir até o fim.

Nas obras que exploram a nudez explícita, uma sala reservada foi pensada com classificação indicativa +18, não como limitação, mas como um dispositivo poético: o segredo torna-se também matéria do erotismo. Além disso, Alice deixa uma pergunta: o que é o erótico? Será apenas a nudez?

Programação
A exposição fica em cartaz durante quatro meses. Nesse tempo, o público poderá participar de ações propostas pela artista, como visitas guiadas, uma prática de pintura com modelo vivo e uma roda de conversa sobre erotismo e arte com os artistas e pesquisadores Raisa Christina e Cláudio Rodrigues.

Serviço
“o nome disso não é fome”
Exposição individual de Alice Dote
Onde: Centro Cultural Banco do Nordeste (Rua Conde d’Eu, 560 – Centro)
Quando: até 22 de fevereiro. De terça-feira a sábado, 10h às 19 horas
Entrada gratuita

Fonte: Márcia Travessini

Indústria têxtil brasileira está ameaçada pela concorrência chinesa

Indústria têxtil brasileira está ameaçada pela concorrência chinesa

Liderança nacional do setor pede ao governo salvaguardas contra a concorrência desleal que vem da Ásia, principalmente da China.

O texto a seguir é de autoria de Ricardo Steinbruch, presidente da Associação Brasileira da Indústria Textil (Abit), e de Fernando Pimentel, diretor-superintendente da entidade e seu presidente emérito, os quais, diante da crescente e desleal concorrência de produtos importados da Ásia, estão a sugerir duas providências, uma defensiva, outra ofensiva. A primeira, para melhorar a produtividade da indústria nacional; a segunda, para enfrentar a concorrência chinesa.

O tema é atual e está inserido no cenário de perspectivas que se abrem diante da próxima assinatura do Acordo de Livre Comércio do Mercosul com a União Europeia. Por esta e outras razões, eis, a seguir a íntegra do texto que Steinbruch e Pimentel elaboraram especialmente para esta coluna:

“O comércio internacional vive um período de forte turbulência. Alterações repentinas de tarifas, interrupções de fornecimento e barreiras não tarifárias têm se tornado o novo normal de um mundo em disputa por mercados e influência econômica. Nesse contexto, países e blocos também aceleram a busca por novos acordos comerciais, como é o caso das negociações entre Mercosul e União Europeia, que ganharam nova tração e podem ser concluídas ainda este ano.

“Entretanto, essas mudanças produzem efeitos colaterais importantes. Podem redirecionar fluxos de comércio de maneira intensa e súbita, gerando severos impactos nas economias e nas indústrias locais.

“No Brasil, um setor emblemático desse fenômeno é a indústria têxtil e de confecção, uma das maiores do mundo e integrada do campo à moda, que vem sofrendo uma volumosa invasão de excedentes produtivos internacionais, especialmente de países asiáticos, com destaque para a China.

“Diante dessa pressão, nosso país precisa avançar em duas frentes complementares. A primeira é a agenda ofensiva: ampliação de competitividade, inserção em novos mercados, inovação e produtividade. A segunda, de igual relevância, é a agenda defensiva: uso assertivo e legítimo dos instrumentos de defesa comercial, como processos antidumping, salvaguardas e cotas, para combater concorrência desleal e restabelecer condições equitativas de competição.

“Cabe enfatizar que o acionamento de mecanismos de defesa comercial é um direito assegurado às nações e aos setores produtivos que comprovem estar sendo prejudicados por práticas desleais ou aumento repentino e significativo das importações. Uma vez constatado o dano, o Estado deve agir para corrigir as assimetrias e devolver isonomia ao mercado.

Porém, há um desafio crucial quanto ao setor têxtil e de confecção. Por se tratar de uma cadeia produtiva longa, abrangendo a produção de fibras naturais, sintéticas e artificiais, fiação, tecelagem, acabamento, confecção e varejo, medidas de defesa comercial fragmentadas, aplicadas apenas em um elo específico, podem simplesmente empurrar o problema para frente.

“Se um estágio da produção tem aplicação de uma medida, as importações migram para o elo seguinte, de maior valor agregado. No limite, isso pode resultar em um cenário dramático, com o fechamento de indústrias ao longo de toda a cadeia e a invasão definitiva de produtos acabados importados, com perda de milhares de empregos e investimentos no Brasil.

“Por isso, o momento exige visão sistêmica. A defesa comercial deve ser pensada como política integrada, com coordenação entre todos os elos, das fibras ao vestuário, e com forte suporte governamental. Somente assim será possível preservar a competitividade do setor como um todo e evitar que ações corretas, porém isoladas, produzam um resultado indesejado no conjunto da indústria.

“O Brasil tem oportunidade única. Possui uma das poucas cadeias têxteis completas do planeta, gera inovação, emprego e renda em centenas de municípios e está preparado para competir, desde que as regras do jogo sejam equilibradas.

“A defesa comercial responsável não é protecionismo, mas sim segurança econômica, justiça competitiva e soberania produtiva. Em tempos de incertezas no mundo, proteger nosso parque industrial é legítimo e indispensável para garantir um futuro mais próspero para o Brasil.”

Fonte: Egídio Serpa/Diário do Nordeste em 25.11.2025

 

CBPCE realiza confraternização de Natal no Hotel Sonata de Iracema

CBPCE realiza confraternização de Natal no Hotel Sonata de Iracema

A Câmara Brasil Portugal no Ceará (CBPCE) promoverá, no dia 3 de dezembro, sua tradicional confraternização de Natal, reunindo associados e convidados no Hotel Sonata de Iracema, em Fortaleza. O encontro está marcado para as 19 horas e contará com apresentação da cantora Melina Portela, que animará a noite com repertório especial.

Este ano, o evento ganha um caráter ainda mais solidário: toda a arrecadação será destinada a duas instituições sociais, o Lar de Clara e a Obra Lumen, reforçando o compromisso da CBPCE com ações de impacto comunitário.

O evento deste ano conta com o apoio institucional de André Lima Advogados, Campos Advocacia, Aveiro Consultoria, Campos Aguiar Consultoria e Mabel de Carvalho & Anna Magalhães Advogados Associados, reforçando a parceria entre o setor empresarial e a entidade luso-brasileira.

Serviço
Data: 3 de dezembro de 2025 (quarta-feira)
Horário: 19h
Local: Hotel Sonata de Iracema – Av. Beira Mar, 848, Praia de Iracema
Para mais informações: secretariace@cbpce.org.br

Inni Consultoria Organizacional e Certificações é a nova sócia da CBPCE

Inni Consultoria Organizacional e Certificações é a nova sócia da CBPCE

É especialista em certificações internacionais e vem se destacando na certificação de sistemas de gestão ISO 9001,45001 e 14001 das empresas. Tem como objetivo oferecer as melhores soluções para o avanço de resultados organizacionais. Avalia as empresas na sua adequação aos instrumentos de gestão, conforme normas internacionais.

Atualmente, a INNI oferece todo o suporte para as empresas atuarem com qualidade em seus produtos e serviços. Realiza auditorias internas e externas e treinamentos das equipes corporativas.

Conheça a importância da certificação para o seu negócio. No mundo corporativo atual, a busca por excelência e qualidade é essencial para se destacar no mercado. E é nesse cenário que os serviços de certificação desempenham um papel fundamental, garantindo que as empresas atendam aos padrões e requisitos necessários para oferecer produtos e serviços de alta qualidade.

A certificação não apenas agrega valor à marca, mas também fortalece a confiança dos clientes, demonstrando o comprometimento da empresa com a qualidade e a segurança.
Além disso, a certificação pode abrir portas para novas oportunidades de negócios, permitindo que a empresa participe de concorrências e parcerias estratégicas. Portanto, investir em serviços de certificação é um passo importante para o crescimento e a consolidação do seu negócio.

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Pela primeira vez liderada por uma mulher, a Câmara Brasil Portugal no Ceará potencializa negócios entre Ceará e Portugal

Pela primeira vez liderada por uma mulher, a Câmara Brasil Portugal no Ceará potencializa negócios entre Ceará e Portugal

A promoção de negócios entre Ceará e Portugal é uma bandeira da primeira mulher eleita presidente da Câmara Brasil Portugal no Ceará (CBPCE), Patrícia Campos. E o vento está a favor. O estado alcançou o maior crescimento industrial do Nordeste no último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), publicado em novembro, mas com base em setembro. O desempenho colocou o estado à frente das médias regional e nacional, cujas variações foram de -0,1% e -0,4%, respectivamente. Outro levantamento, desta vez publicado pela Revista Forbes, em outubro, aponta que 1.600 empresas portuguesas estão instaladas no Ceará, sendo o estado o líder em investimento direto português.

Dentro desse contexto, a Câmara Brasil Portugal se potencializa como um facilitador para os negócios de Portugal no Ceará e do Ceará em Portugal, promovendo o fortalecimento das relações bilaterais, incentivando a cooperação empresarial entre Brasil e Portugal. “Nossa atuação se baseia em construir pontes reais e efetivas entre o Ceará e Portugal, criando condições para que empresas de todos os portes possam se internacionalizar com segurança e planejamento. Nosso papel é orientar, abrir caminhos institucionais e reduzir barreiras para que o empreendedor brasileiro enxergue Portugal como uma porta de entrada estratégica para a União Europeia”, destaca Patrícia. A presidente da CBPCE aponta que a instituição realiza desde o diagnóstico inicial do potencial de cada empresa até a inserção em ecossistemas de inovação e o acesso a fundos de investimento internacionais.

“Avaliamos o perfil do produto, as exigências regulatórias europeias, certificações necessárias e ajudamos a definir a melhor estratégia de entrada, seja exportação, parcerias locais ou a abertura de uma filial. Nossa atuação se baseia em construir pontes reais e efetivas entre o Ceará e Portugal, criando condições para que empresas de todos os portes possam se internacionalizar com segurança e planejamento. Nosso papel é orientar, abrir caminhos institucionais e reduzir barreiras para que o empreendedor brasileiro enxergue Portugal como uma porta de entrada estratégica para a União Europeia. Por meio dos nossos associados, podemos oferecer apoio jurídico, tributário e financeiro, com uma rede de especialistas que garante conformidade legal e segurança nas operações. Damos a orientação e apoio institucional. Além disso, promovemos conexões com programas como o Portugal 2030, investidores, aceleradoras e órgãos de fomento, ampliando as possibilidades de captação de recursos”, ressalta.

Patricia Campos é sócia do escritório Campos Advocacia Corporativa e Internacional e da Campos Aguiar Consultoria, com operação em Portugal, e possui uma carreira marcada pela liderança em diversas entidades de relevância no setor jurídico e empresarial, até chegar à presidência da CBPCE. Sobre a entidade, ela aponta que outro eixo essencial é a integração dos empresários ao ecossistema português de inovação. “Conectamos nossas empresas a universidades, centros de pesquisa e polos tecnológicos, criando oportunidades para desenvolver produtos, soluções e parcerias científicas. Complementamos esse trabalho com missões empresariais e rodadas de negócios, onde aproximamos diretamente os empreendedores de municípios portugueses, investidores e potenciais parceiros comerciais. Acredito que internacionalizar é pensar globalmente e inovar com propósito. Meu trabalho à frente da CBPCE é garantir que cada empresa cearense que deseje dar esse passo tenha suporte, informação e portas abertas. Nossa missão é conectar sonhos e oportunidades entre o Ceará e Portugal, e transformar esse potencial em resultados concretos”, aponta.

Missões empresariais

Uma das estratégias da Câmara para aproximar os mercados é a realização de missões empresariais. Na agenda de 2026, a primeira levará em maio, empresários cearenses para Portugal, e tem como foco o agronegócio. “A Missão Técnica e Empresarial de Agronegócios Portugal, que faremos no primeiro semestre de 2026, é uma ação estratégica para o setor agrícola. A missão inclui visitas técnicas a polos produtivos, centros de pesquisa e empresas portuguesas, além de reuniões com investidores, câmaras municipais e órgãos de fomento, proporcionando uma imersão prática no ecossistema agrícola de Portugal. O objetivo é oportunizar uma troca de experiências, para fortalecer ainda mais a competitividade do agronegócio cearense, estimular inovação aplicada ao campo e abrir caminhos para investimentos e colaborações sustentáveis entre Brasil e Portugal. O Ceará possui muitos atrativos para esse tipo de investimento”, diz.

Outra missão no calendário da CBPCE, como revela Patrícia, será a Missão Internacional do Esporte, ainda em 2026, que pretende conectar os diversos profissionais e instituições que integram o ecossistema esportivo, gestores, técnicos, atletas, investidores, educadores e empreendedores, entre o Brasil, Portugal e outros países da Europa. A iniciativa busca promover a troca de experiências, fomentar parcerias estratégicas e impulsionar o desenvolvimento do esporte como vetor de inovação, educação e integração social.

Geminação de cidades

A gestão de Patricia Campos à frente da Câmara Brasil Portugal no Ceará vem realizando também um trabalho de convênios com cidades do Ceará para geminação com cidades de Portugal, a fim de realizar o intercâmbio de experiências e atrair investimentos. “O programa vai muito além de uma simples parceria formal. Criamos uma estrutura de colaboração contínua que conecta governos, empresas, universidades e centros de pesquisa, e já estamos fechando colaboração com algumas prefeituras cearenses. A geminação permite que as cidades compartilhem boas práticas, tecnologias e experiências em áreas estratégicas como inovação, educação, empreendedorismo e desenvolvimento econômico. Iniciativas de sucesso podem ser replicadas em Portugal e projetos portugueses podem inspirar soluções aplicáveis no Ceará, criando um ciclo constante de aprendizado e inovação”, destaca Patrícia.

Além disso, segundo a presidente da CBPCE, a geminação abre oportunidades de intercâmbio acadêmico, atração de investimentos e desenvolvimento de novos negócios, fortalecendo o ambiente empresarial e tecnológico. “Também incentiva a integração de pequenas e médias empresas do interior, que passam a ter acesso a mercados internacionais e programas de cooperação. Em resumo, a geminação é um vetor de desenvolvimento estratégico que transforma relações institucionais em oportunidades reais de crescimento mútuo, consolidando o Ceará como protagonista no cenário de cooperação internacional com Portugal’’, conclui.

Expolog 2025 destaca inovação, tecnologia e experiências imersivas na logística

Expolog 2025 destaca inovação, tecnologia e experiências imersivas na logística

A Expolog 2025 chega com uma proposta renovada, unindo tecnologia, conhecimento e experiências imersivas que reforçam seu papel como um dos maiores eventos de logística do Brasil. Com o tema “Logística e Transformação”, a feira promete uma edição ainda mais interativa, que culminará com a grande final de suas atividades acontecendo dentro do próprio evento.

Os participantes terão acesso a vivências exclusivas, incluindo duas visitas técnicas a importantes polos logísticos do Ceará: o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) e o Porto do Mucuripe. As visitas permitirão entender de perto o funcionamento de estruturas estratégicas para o escoamento de cargas e para o desenvolvimento econômico do estado.

Em 2025, a Expolog também expandiu suas fronteiras digitais. O evento ganhou um novo endereço: o celular. Com o aplicativo oficial disponível pela plataforma DOIT, o público poderá acompanhar toda a programação em tempo real, interagir com conteúdos, acessar informações e vivenciar o evento de forma integrada.

As inscrições já estão abertas no site oficial da Expolog. Para participar, basta se cadastrar e baixar o aplicativo da DOIT, que será a principal porta de entrada para toda a experiência da feira.

Serviço:
Expolog 2025
Data: 26 e 27 de novembro de 2025,
Local: Centro de Eventos do Ceará
Mais informações: https://feiraexpolog.com.br/

Fonte: A Noticia do Ceará em 15.11.2025

Algodão quebra recordes de exportação em 2025

Algodão quebra recordes de exportação em 2025

O ano de 2025 está se desenhando como um marco histórico para a cotonicultura nacional. Com um ritmo de embarques que impressiona até os analistas mais otimistas, o Brasil caminha para superar todos os recordes anteriores e se firmar ainda mais como um dos líderes mundiais no fornecimento de algodão.

Dados recentes do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) indicam que o volume exportado em outubro foi o maior já registrado para o mês, impulsionado por uma combinação de fatores que vão da fazenda ao porto. Esse cenário positivo é fruto de anos de investimento em tecnologia, sustentabilidade e, acima de tudo, do trabalho incansável do produtor rural, que transformou o algodão brasileiro em sinônimo de qualidade e confiança no mercado internacional.

O que está por trás do sucesso do algodão brasileiro?
O crescimento notável do Brasil no mercado global de algodão não aconteceu por acaso. É o resultado de uma estratégia bem-sucedida que une produtividade, tecnologia e um forte compromisso com a sustentabilidade. A maior parte da produção nacional vem do Cerrado, em um sistema predominantemente de sequeiro, o que já representa um grande diferencial. O produtor brasileiro se especializou em utilizar a tecnologia a seu favor, com agricultura de precisão, colheita 100% mecanizada e variedades geneticamente melhoradas, muitas delas desenvolvidas pela Embrapa, que garantem uma fibra mais longa, resistente e limpa.

Além da excelência produtiva, a rastreabilidade e a certificação são pilares que sustentam essa expansão. Programas como o Algodão Brasileiro Responsável (ABR), gerido pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), atestam que a produção segue rigorosos critérios ambientais, sociais e econômicos. Essa garantia de origem e de boas práticas abre portas nos mercados mais exigentes, que hoje buscam não apenas um produto de qualidade, mas uma cadeia produtiva transparente e ética. É essa combinação que torna a pluma brasileira tão competitiva e desejada mundo afora.

Exportações brasileiras de algodão em números recordes
Os números falam por si e confirmam o momento excepcional vivido pelo setor. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pelo Cepea, até a primeira semana de novembro de 2025, o Brasil já havia exportado 2,326 milhões de toneladas de algodão. Este volume já supera o total embarcado em anos inteiros anteriores, com a única exceção de 2024, que fechou com 2,77 milhões de toneladas. A expectativa, no entanto, é que essa marca seja batida. Se o ritmo diário dos embarques se mantiver intenso em novembro e dezembro, 2025 tem tudo para estabelecer um novo recorde anual para as exportações brasileiras de algodão.

Esse desempenho é impulsionado pelo avanço do beneficiamento da safra, que transforma o algodão colhido na pluma pronta para exportação, e pelo escoamento eficiente do grande volume produzido. Outro fator crucial é o preço externo, que tem se mostrado mais atrativo para o produtor do que o praticado no mercado interno. Essa conjuntura favorável permite que o Brasil atenda à forte demanda global, especialmente de gigantes da indústria têxtil, consolidando sua posição entre os maiores exportadores do planeta e garantindo um fluxo de receita vital para o agronegócio nacional.

Principais destinos e a confiança do mercado internacional
A pluma brasileira viaja o mundo e veste milhões de pessoas, mas alguns destinos se destacam como os principais compradores. Tradicionalmente, países asiáticos lideram a lista, sendo os maiores polos da indústria têxtil global. Nações como China, Vietnã, Bangladesh, Paquistão e Turquia são clientes fiéis do algodão brasileiro, valorizando suas características de fibra longa e alta qualidade, ideais para a produção de tecidos finos e resistentes. A confiança desses mercados não se baseia apenas na qualidade intrínseca do produto, mas também na regularidade do fornecimento e na segurança contratual que os exportadores brasileiros oferecem.

A crescente demanda por produtos sustentáveis também fortalece as exportações brasileiras de algodão. O alinhamento do programa ABR com iniciativas internacionais, como a Better Cotton Initiative (BCI), confere uma credencial de peso à pluma nacional. Os compradores sabem que, ao adquirir algodão do Brasil, estão investindo em um produto que respeita o meio ambiente e as leis trabalhistas. Essa reputação positiva é um ativo valioso que diferencia o Brasil de outros concorrentes e garante a preferência dos maiores players da indústria têxtil mundial, que estão cada vez mais pressionados por seus consumidores a adotar cadeias de suprimento responsáveis. Clique aqui e acompanhe o agro.

Da lavoura ao porto: os desafios do produtor
Apesar dos números expressivos, a jornada do algodão do plantio ao navio é complexa e cheia de desafios para o produtor. Cada safra é um ciclo de planejamento cuidadoso, trabalho duro e gerenciamento de riscos. O sucesso das exportações brasileiras de algodão começa muito antes do embarque, com decisões tomadas ainda na fazenda. Para o cotonicultor, o dia a dia envolve uma série de etapas cruciais para garantir uma colheita de qualidade e rentável.

Planejamento da safra, incluindo a escolha da variedade mais adaptada à região e a rotação de culturas para a saúde do solo;
Manejo integrado de pragas e doenças, buscando um equilíbrio entre o controle eficiente e o uso consciente de defensivos;
Monitoramento constante do clima, pois o excesso ou a falta de chuva em momentos-chave pode comprometer toda a produção;
Execução precisa da colheita mecanizada, definindo o momento ideal para garantir uma fibra limpa e com o mínimo de contaminação;
Acompanhamento do beneficiamento e da classificação da pluma, etapas que definem o valor final do produto;
Gestão da logística de escoamento, enfrentando os desafios de transporte das fazendas até os portos.
Superar esses obstáculos exige conhecimento técnico, investimento e uma grande capacidade de adaptação. O recorde nas exportações é, em essência, o reconhecimento da competência do produtor de algodão, que consegue entregar um produto de excelência mesmo diante de um cenário agrícola sempre desafiador.

O panorama para o algodão brasileiro é extremamente positivo. Os recordes de exportação em 2025 não são um ponto de chegada, mas um indicador da força e do potencial de um setor que se modernizou, abraçou a sustentabilidade e conquistou o mundo com qualidade. O sucesso das exportações brasileiras de algodão reflete a sinergia entre o campo, a pesquisa e o mercado, mostrando que o agronegócio nacional continua a ser um motor de desenvolvimento e uma referência global em produtividade e responsabilidade. O futuro da pluma brasileira parece tão brilhante e promissor quanto a própria fibra.

Fonte: Agro News em 19.11.2025

O futuro das Relações Institucionais e Governamentais é coletiva ou não é? por Josbertini Clementino

O futuro das Relações Institucionais e Governamentais é coletiva ou não é? por Josbertini Clementino

O tempo das vozes isoladas e das agendas setoriais restritas está chegando ao fim. Hoje, influenciar exige convergência, não imposição. A legitimidade deixou de ser construída por acessos individuais e passou a depender da capacidade de formar alianças sólidas, baseadas em confiança e propósito comum.

Entramos na “Era das Coalizões”: um tempo em que o poder não está em quem fala mais alto, mas em quem fala junto.
A complexidade dos temas públicos e a interdependência entre setores impõem um novo modelo de governança. Nenhuma organização, seja pública, privada ou social, consegue avançar sozinha. As decisões que configuram o futuro exigem redes de diálogo, parcerias intersetoriais e construção de soluções coletivas.

Do interesse ao propósito coletivo
RIG ainda é percebido como uma prática voltada à defesa de interesses específicos, seja corporativo, setorial ou institucional. Um campo marcado pela busca de acesso, influência e posicionamento político. Mas o mundo mudou, e com ele o conceito de influência.

A sociedade passou a cobrar transparência, coerência e propósito. As empresas e organizações que desejam ser ouvidas precisam mostrar por que suas pautas também importam para o interesse público.

O que antes era uma agenda interna, hoje precisa dialogar com causas sociais amplas, com impactos mensuráveis e legitimidade reconhecida.
Nesse contexto, o verdadeiro poder está em transformar interesses privados em causas públicas. Coalizões legítimas nascem justamente de convergências unindo técnica e ética, estratégia e empatia, resultado e responsabilidade. O que legitima um movimento de influência hoje não é meramente o poder econômico, mas a capacidade de produzir soluções coletivas com base em evidências e diálogo.

O novo papel do profissional de RIG
O profissional de RIG do tempo presente e futuro precisa ir além da negociação. A mediação entre instituições e governo já não se sustenta apenas em argumentos técnicos ou acesso político. O verdadeiro diferencial está em traduzir complexidades, conectar atores e gerar valor coletivo.

Mais do que articulador, esse profissional se torna um curador de convergências, alguém capaz de perceber onde agendas aparentemente divergentes podem se encontrar.

Sua principal habilidade deixa de ser o convencimento e passa a ser a composição, transformando conflitos de interesse em espaços de diálogo produtivo.
Essa mudança de papel exige uma combinação diferenciada de competências: escuta ativa, inteligência política e visão sistêmica. Empatia para compreender o contexto dos outros; estratégia para antecipar movimentos; e capacidade analítica para propor soluções que façam sentido para todos os lados da mesa.

O profissional de RIG contemporâneo precisa ser tão bom em ler pessoas quanto em ler políticas.
Influenciar, hoje, é um ato de cocriação, não de imposição. A construção de consenso é o novo campo de disputa, e os grandes influenciadores institucionais são aqueles que mobilizam conhecimento, constroem confiança e traduzem propósito em política pública. O futuro da influência não pertence a quem fala por todos, mas a quem faz todos falarem juntos.

RIG moderno é colaborativo, empático e orientado por evidências. O profissional de destaque não é o que defende uma posição isolada, mas o que facilita o entendimento que permite avançar.
Influência com propósito
Coalizões verdadeiras não são apenas alianças estratégicas e não se constroem pela pressão, mas pela articulação qualificada. O papel de quem atua em RIG hoje é mediar perspectivas, unir diferenças e criar entendimento entre mundos que, muitas vezes, não se escutam. Influenciar, nesse sentido, é construir pontes, e não muros.

A influência com propósito é aquela que gera impacto sem romper relações, que propõe sem impor. É mister entender que cada negociação, cada política pública, cada pacto firmado é, antes de tudo, uma oportunidade de fortalecer as partes e renovar a confiança social. A influência deixa de ser instrumento de poder e passa a ser ferramenta de construção coletiva.

O que percebo de maneira simples e límpida é que sozinho, ninguém aprova nada. O presente e futuro das Relações Institucionais e Governamentais é coletiva, ou simplesmente não será.

Por Josbertini Clementino
Especialista em Relações Institucionais e Governamentais l Políticas Públicas l Gestão de Projetos e Stakeholders l Conselheiro de Administração IBGC l Regulatório l Advocacy l RIG l RelGov

Funcex defende modelo de “inteligência comercial” entre países de língua portuguesa

Funcex defende modelo de “inteligência comercial” entre países de língua portuguesa

A Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais (Funcex), com sede no Brasil, propõe um modelo de comércio exterior orientado por inteligência, por meio de análise preditiva, entre Brasil, União Europeia e a África lusófona.

Responsáveis pela Funcex afirmam que “estudos de mercado e plataformas digitais, quando aplicados de modo prático, orientam as decisões sobre preços, logística, certificações e estratégias de entrada, permitindo que os exportadores tomem decisões mais rápidas baseadas em dados concretos”.

A Funcex ressalta que “a análise de dados permite identificar oportunidades antes dos concorrentes”.

“Por meio de sistemas de análise preditiva e do cruzamento de indicadores de importação e exportação, é possível identificar mercados emergentes, nichos de oportunidade e parceiros estratégicos”, afirmou Antônio Carlos da Silveira Pinheiro, presidente da Funcex, entidade que tem atuação também em Portugal, através da Funcex Europa.

Por Igor Lopes
Publicado no Jornal Mundo Lusíada

Investir em Portugal Diretrizes Estratégicas e o Papel das Câmaras de Comércio no Planejamento para o Novo Ano

Investir em Portugal Diretrizes Estratégicas e o Papel das Câmaras de Comércio no Planejamento para o Novo Ano

Portugal permanece como um dos destinos mais atrativos para investidores internacionais, em especial para empresários brasileiros que buscam segurança jurídica, inserção na União Europeia, ambiente de negócios competitivo e forte vocação para inovação. A Estratégia Portugal 2030 , aprovada no âmbito governamental, organiza prioridades nacionais e oferece parâmetros claros para investimentos alinhados ao desenvolvimento sustentável, competitivo e inclusivo.

Com a aproximação de um novo ciclo anual, o período de planejamento empresarial torna-se propício para avaliar oportunidades, estabelecer parcerias estratégicas e estruturar iniciativas que dialoguem com os objetivos nacionais portugueses.

A Estratégia Portugal 2030 estrutura-se em agendas centrais que funcionam como referência para investidores que desejam ingressar ou ampliar presença no país. Entre os eixos prioritários, destacam-se:

a) Inovação, digitalização e qualificação
Portugal elegeu a inovação tecnológica e a transformação digital como pilares de crescimento. Projetos que incorporem tecnologia, promovam formação especializada ou dinamizem cadeias produtivas possuem forte aderência à estratégia nacional.

b) Sustentabilidade e transição climática
A transição energética, o uso eficiente dos recursos naturais e a descarbonização estão entre os compromissos nacionais. Investimentos em energias renováveis, economia circular, tecnologias verdes e gestão ambiental são fortemente incentivados.

c) Competitividade externa e coesão territorial
Há incentivo explícito para investimentos que ampliem a participação portuguesa nos mercados globais, fortaleçam exportações e apoiem a dinamização de regiões fora dos grandes centros. Investidores dispostos a estabelecer-se em zonas menos centrais podem beneficiar-se de incentivos adicionais e melhores condições de instalação.

d) Pessoas, inclusão e equidade
O capital humano @PESSOAS2030 é central para Portugal. Iniciativas que promovam formação, empregabilidade qualificada, inclusão social e bem-estar encontram ambiente favorável e podem tornar-se diferencial para empresas em expansão.

Oportunidade de Planejamento para 2025

O encerramento de um ciclo anual convida investidores a rever estratégias, reposicionar capital e mapear novos mercados. Portugal oferece:
– Ambiente regulatório estável
– Facilidade de constituição de empresas
– Elevada segurança jurídica
– Integração total com o espaço europeu
– Incentivos a inovação, sustentabilidade e internacionalização

Assim, o início de um novo ano é momento ideal para consolidar planos de investimento, conduzir estudos de mercado e engajar-se em redes institucionais.

O Papel das Câmaras de Comércio no Fomento ao Investimento

As Câmaras de Comércio bilaterais, como a Câmara Brasil Portugal no Ceará – CBPCE e demais estruturas congêneres, assumem protagonismo crescente na facilitação dos fluxos de investimento entre os dois países. Atuando como ponte institucional, exercem funções relevantes:

a) Inteligência de mercado
Fornecem informação qualificada sobre setores prioritários, estrutura regulatória, tendências econômicas e oportunidades regionais.

b) Articulação institucional
Conectam investidores a organismos governamentais, agências de promoção de investimentos, associações empresariais e potenciais parceiros locais.

c) Missões empresariais e networking
Organizam agendas técnicas, rodadas de negócios e visitas setoriais, permitindo ao investidor conhecer in loco o mercado, reduzir riscos e acelerar a tomada de decisão.

d) Redução do risco empresarial
Oferecem suporte em temas legais, regulatórios e logísticos, contribuindo para processos de internacionalização mais seguros, rápidos e eficazes.

e) Promoção da cultura de cooperação
Aproximam ecossistemas empresariais, estimulam a troca de know-how e fortalecem cadeias de valor bilaterais.

Não se trata apenas de “introduzir investidores no país”, mas de acompanhar o ciclo completo de maturação de negócios, favorecendo a criação de valor sustentável.

Caminhos para o Investidor Brasileiro

Considerando o alinhamento estratégico de Portugal, recomenda-se que investidores interessados:

Mapeiem oportunidades compatíveis com a Estratégia Portugal 2030, especialmente em tecnologia, energia, sustentabilidade, logística, saúde, educação e economia criativa.
Busquem parcerias com Câmaras de Comércio, aproveitando sua capacidade de articulação e inteligência institucional.

Valorem projetos enraizados regionalmente, sobretudo em áreas fora dos grandes polos urbanos.

Planejem com ênfase em inovação, qualificação e exportação.

Incorporem critérios ESG como vantagem competitiva.

Aproveitem programas europeus de incentivo e financiamento, quando aplicáveis.

Portugal projeta-se como plataforma estratégica para negócios globais, graças ao seu ambiente estável, políticas integradas e forte compromisso com inovação e sustentabilidade. Com o novo ano, abre-se uma janela de oportunidades para investidores que desejam crescer de forma responsável, conectada com a matriz europeia e com o dinamismo luso-brasileiro.

As Câmaras de Comércio emergem como agentes centrais nesse processo, ampliando pontes, facilitando integração e sustentando decisões empresariais mais sólidas.

Trata-se, portanto, de momento privilegiado para investidores que almejam não apenas retornar capital, mas construir legado.

Por Clivânia Teixeira
Diretora Executiva CBPCE