O novo papel do Brasil na logística global, Por Carlos Alberto Nunes

O novo papel do Brasil na logística global, Por Carlos Alberto Nunes

O ano de 2025 tem evidenciado uma transformação importante no setor logístico brasileiro. Mais do que movimentar cargas, a logística passou a ocupar um papel estratégico nas decisões econômicas, industriais e comerciais do país. Em um cenário marcado por tensões geopolíticas, mudanças tarifárias e reconfiguração das cadeias globais, eficiência, previsibilidade e integração tornaram-se palavras-chave.

Eventos do setor, fóruns técnicos e congressos especializados têm mostrado que o Brasil deixou de ser apenas um elo operacional para se posicionar como agente ativo nas discussões sobre comércio exterior, segurança, agronegócio e energia. A análise recente dos impactos de políticas tarifárias internacionais, por exemplo, reforça como decisões externas influenciam diretamente a competitividade das exportações brasileiras e exigem respostas rápidas da logística.

Outro ponto central é o fortalecimento da cabotagem e da multimodalidade como alternativas para reduzir custos, aumentar eficiência e integrar regiões produtoras aos grandes corredores de exportação. Estados com vocação portuária e industrial ganham relevância nesse processo, especialmente quando conectados a hubs capazes de atender diferentes tipos de carga, do granel sólido aos projetos especiais.

A aproximação com mercados asiáticos, em especial a China, também sinaliza um movimento claro de diversificação de parceiros e ampliação das relações comerciais. Esse diálogo direto com armadores, fornecedores e importadores fortalece a posição brasileira nas negociações globais e amplia oportunidades para diversos setores da economia.

Mais do que números, 2025 deixa como aprendizado a necessidade de planejamento, visão de longo prazo e articulação entre iniciativa privada e poder público. A logística brasileira avança quando deixa de ser apenas custo e passa a ser reconhecida como vetor estratégico de desenvolvimento, competitividade e inserção internacional.

Contatos:
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Por Carlos Alberto Nunes
Diretor Comercial da Tecer Terminais Portugários Ceará

Ceará fortalece a conectividade aérea e amplia presença no turismo internacional

Ceará fortalece a conectividade aérea e amplia presença no turismo internacional

O desempenho positivo da rota aérea Fortaleza – Caiena e a ampliação das conexões internacionais da capital cearense com a Europa, especialmente com Portugal, confirmam um novo momento para o turismo no Ceará. A avaliação é do titular da Secretaria do Turismo do Ceará (Setur-CE), Eduardo Bismarck, que atribui os resultados a uma estratégia consistente do Governo do Estado, voltada à expansão da malha aérea e à consolidação de Fortaleza como Hub internacional.

Dados da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) reforçam esse avanço. Em 2025, a França liderou o ranking de estrangeiros que mais chegaram ao Fortaleza Airport, com 20.690 turistas. Na sequência aparecem Portugal (17.304), Argentina (14.203), Itália (12.121) e Estados Unidos (9.732), evidenciando a força do mercado europeu no fluxo internacional para o Estado.

“A rota Fortaleza – Caiena tem sido um grande sucesso e ajudou a posicionar a França como a principal nacionalidade estrangeira a visitar o Ceará. Esse resultado é fruto de planejamento, diálogo com as companhias aéreas e, sobretudo, do apoio firme do governador Elmano de Freitas, que entende a conectividade como eixo estratégico para o desenvolvimento do turismo”, afirmou Eduardo.

Portugal em destaque

O secretário também destacou que o crescimento no número de turistas estrangeiros está diretamente ligado ao fortalecimento das ligações com a Europa, em especial com Portugal, impulsionado pelo lançamento de voos da Latam com destino a Lisboa.

“O reforço da ligação com Portugal amplia nossas conexões com a Europa, facilita o fluxo de turistas e negócios, e fortalece ainda mais a presença internacional do Ceará. Estamos colhendo os frutos de uma política consistente, que trata o turismo como vetor de geração de emprego, renda e oportunidades para os cearenses”, completou.

Fonte: Portal In em 13.01.2026

Embaixador de Portugal no Brasil celebra acordo UE-Mercosul: “Não poderíamos ter tido melhor notícia”

Embaixador de Portugal no Brasil celebra acordo UE-Mercosul: “Não poderíamos ter tido melhor notícia”

“É uma notícia para ser recebida com enorme satisfação, e mesmo algum alívio, dada a incerteza que pairou até ao último momento sobre as dinâmicas de voto”. Foi desta forma que o Embaixador de Portugal no Brasil, Luís Faro Ramos, reagiu à decisão do Conselho da União Europeia que, aprovou, na última sexta-feira, 9 de janeiro, o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul. A formalização política será assinalada com a assinatura da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante uma visita oficial ao Paraguai nos próximos dias.

“Não poderíamos ter tido melhor notícia na cena internacional, no início de um ano em que o multilateralismo está mais uma vez ameaçado”, sublinhou este diplomata.

Segundo apurámos, o acordo vai criar a maior zona de livre comércio do mundo, reunindo aproximadamente 720 milhões de pessoas e um PIB combinado superior a 22 trilhões de dólares. A previsão é que esta iniciativa possa eliminar mais de quatro mil milhões de euros em impostos sobre as exportações da UE anualmente.

Especialistas em comércio internacional na América do Sul acreditam que, para além de ganhos comerciais, o acordo representará um importante instrumento de diversificação geopolítica, de fortalecimento do Mercosul como parceiro estratégico e de redução da dependência europeia de mercados como China e Estados Unidos, abrindo assim caminho para investimentos industriais, infraestrutura e inovação tecnológica no bloco sul-americano.

Entre Portugal e Brasil: carne, cereais, azeite e vinho serão beneficiados

Sobre a forma como Brasil e Portugal poderão se relacionar a partir deste momento, no campo do mercado internacional, Faro Ramos acredita que o acordo permitirá a Portugal e o Brasil atuarem com ainda mais interação.

“Há muito que os benefícios do acordo, seja considerando os dois blocos (União Europeia e o Mercosul), seja considerando cada país individualmente, estão identificados. Com regras claras e um mercado de mais de 700 milhões de cidadãos, um dos maiores livres mercados do mundo, o acordo permitirá a Portugal e o Brasil, cujas relações comerciais são tradicionalmente significativas, passarem para um patamar qualitativamente e quantitativamente superior”, comentou Faro Ramos, que revelou que, “do ponto de vista de Portugal, e tendo em conta que uma parte muito significativa das nossas exportações para o Brasil pertence ao setor agroalimentar, o acordo trará benefícios muito relevantes para produtos como o azeite ou o vinho, cujo preço de venda virá a diminuir drasticamente”.

“O mesmo se poderá dizer do Brasil em relação a produtos onde são tradicionalmente fortes, como a carne ou os cereais. Importante é ressaltar que, num sistema de comércio livre internacional, ganha a qualidade e ganham os consumidores”, finalizou Faro Ramos, que aproveitou para alertar que, “o acordo alcançado dia 9 foi ainda um acordo a nível da União Europeia, a assinatura formal deverá ocorrer no final desta próxima semana, no Paraguai segundo as informações de que dispomos”.

Embaixador Cessante

O embaixador Faro Ramos divulgou encontros com autoridades brasileiras para apresentação de cumprimentos de despedida, se reunindo no dia 13 de janeiro com os Ministros de Estado da Defesa e do Meio Ambiente e Ação Climática, José Múcio e Marina Silva, e no dia 12 de janeiro, cumprimentos de despedida aos Ministros da Cultura e do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Margareth Menezes e Wellington Dias. O embaixador segue para Marrocos, após 5 anos no Brasil, e será substituído no cargo pela embaixadora Isabel Brilhante Pedrosa.

Por Igor Lopes

Publicado no Jornal Mundo Lusíada em 14.01.2026

Páginas Vermelhas, com Patrícia Campos: “Internacionalizar exige disposição para se adaptar”

Páginas Vermelhas, com Patrícia Campos: “Internacionalizar exige disposição para se adaptar”

Presidente da Câmara Brasil-Portugal do Ceará, Patrícia Campos avalia que 2026 será decisivo para o ambiente empresarial brasileiro. Entre juros elevados, incertezas fiscais e reforma tributária, ela aponta a previsibilidade da Selic como fator-chave para investimentos e analisa os desafios e oportunidades da internacionalização das empresas cearenses

Presidente da Câmara Brasil-Portugal do Ceará, Patrícia Campos avalia que 2026 será um ano decisivo para a maturidade do ambiente empresarial brasileiro. Em um cenário marcado por juros ainda elevados, incertezas fiscais e a transição da reforma tributária, ela destaca que a trajetória da Selic continuará sendo determinante para o ritmo dos negócios, mas de forma desigual. Para a executiva, mais do que o nível exato da taxa, o fator-chave será a previsibilidade, capaz de estimular investimentos produtivos e atrair capital. Ela também fala do processo de internacionalização das empresas cearenses, seus desafios e oportunidades na Europa.

Confira abaixo a entrevista na íntegra para O Otimista.

O Otimista – Sua trajetória ganhou força no cenário internacional, atuando na área jurídica, especialmente na relação Brasil–Portugal. Como esse caminho foi sendo construído ao longo dos anos e quais experiências marcaram sua atuação até chegar à presidência da entidade?
Patrícia Campos – Tudo aconteceu de forma muito natural. Eu costumo dizer que nunca tracei um plano rígido para ocupar determinados espaços, mas sempre tive clareza sobre como eu queria atuar: de forma ética, colaborativa e comprometida com algo que fosse maior do que interesses individuais. A relação Brasil-Portugal surgiu exatamente nesse contexto: como uma extensão natural desse olhar cooperativo. A internacionalização nunca foi, para mim, apenas uma operação jurídica ou econômica, mas um exercício de construção de pontes, de confiança e de visão de longo prazo. Ao longo dos anos, essas experiências foram se somando na advocacia, na atuação institucional, na consultoria empresarial, até que a presidência da Câmara Brasil Portugal Ceará se tornasse uma consequência natural desse caminho.

O Otimista – Você transita entre os universos jurídico, empresarial e acadêmico. Como essa combinação de experiências aprimora sua capacidade de tomar decisões assertivas sobre internacionalização, atração de investimentos e ambiente regulatório?
Patrícia – O universo jurídico me dá o rigor, a leitura de risco e a capacidade de estruturar decisões com segurança. O ambiente empresarial me traz a realidade do “chão da fábrica”: timing, viabilidade, custo de oportunidade, cultura de execução e impacto direto no caixa, nas pessoas e na reputação. E a academia, em um momento muito importante da minha formação, me deu método, profundidade e senso crítico, a disciplina de estudar, comparar experiências, compreender fundamentos e não decidir apenas pelo “achismo” ou pelo senso comum. Quando falamos de internacionalização e atração de investimentos, essa combinação é decisiva porque esses processos não são apenas técnicos: são estratégicos e humanos. A decisão de levar uma empresa para outro mercado ou de receber um investidor envolve estrutura societária, tributação, contratos, compliance, proteção de ativos, governança e previsibilidade regulatória. Mas envolve também narrativa, posicionamento, credibilidade, capacidade de entrega e alinhamento de expectativas e isso não se resolve apenas com uma boa cláusula contratual.

O Otimista – Na sua avaliação, quais são hoje os principais desafios legais enfrentados pelas empresas cearenses que buscam se internacionalizar para Portugal e para a Europa?
Patrícia – Na prática, eu não acredito que existam desafios legais que não possam ser ultrapassados com segurança quando há vontade real de fazer o melhor. As leis, as regras, especialmente no ambiente internacional, não devem ser vistas como uma barreira, mas como uma ferramenta de organização, proteção e previsibilidade. O que faz diferença, de fato, é a postura do empresário diante do novo mercado. Internacionalizar, assim como abrir uma filial em outro bairro, em outra cidade ou em outro país, exige disposição para se adaptar. Isso significa cercar-se de bons assessores, em todas as áreas, uma excelente logística. Compreender as regras do jogo local e ajustar processos, produtos e mentalidade ao que aquele mercado específico exige. A adaptação precisa ser constante, porque os mercados mudam, as regulações evoluem e o comportamento do consumidor se transforma o tempo todo. Um dos grandes pontos de miopia do empresariado, não apenas no Ceará, mas de forma geral, é acreditar que apenas grandes empresas podem se expandir internacionalmente. Essa lógica não se sustenta mais. Hoje, empresas de qualquer porte e de praticamente qualquer setor podem acessar mercados internacionais — inclusive o europeu — desde que tenham estratégia, planejamento e apoio qualificado.

O Otimista – Na sua visão, como a trajetória da taxa Selic em 2026 deve influenciar o ritmo de crescimento dos negócios no Brasil?
Patrícia – A Selic continua sendo um fator decisivo para o ritmo de crescimento dos negócios no Brasil, porque ela impacta diretamente o custo do dinheiro, o nível de risco que as empresas estão dispostas a assumir e a forma como o empresário planeja o médio e o longo prazo. Em 2026, mais do que o número exato da taxa, o que realmente fará diferença será o caminho que ela vai seguir: se haverá estabilidade, alguma queda gradual ou novas pressões de alta. Eu vejo 2026 menos como um ano em que a Selic trava completamente o crescimento e mais como um ano em que ela separa empresas maduras das menos preparadas.

O Otimista – Quais setores da economia tendem a atrair mais investimentos?
Patrícia – São aqueles que conseguem alinhar crescimento econômico, inovação e altos padrões de sustentabilidade e ESG. O mundo vive uma mudança estrutural de prioridades. Sustentabilidade deixou de ser um discurso aspiracional e passou a ser um critério central de decisão de investimento, tanto no setor privado quanto nas políticas públicas e nos grandes fundos internacionais.

O Otimista – O ambiente macroeconômico será favorável para a retomada da expansão empresarial?
Patrícia – Eu acredito que 2026 será um ano desafiador para as empresas, e isso precisa ser dito com transparência. Não porque o Brasil não tenha oportunidades, mas porque o ambiente ainda deve ser marcado por insegurança, principalmente em razão da implementação da reforma tributária. A reforma é necessária e importante, mas o período de transição traz dúvidas práticas: como tributar, como precificar, como reorganizar estruturas e como planejar investimentos. Em cenários assim, é natural que o empresário fique mais cauteloso. Muitas decisões de expansão acabam sendo revistas, e o foco passa a ser muito mais organização, eficiência e proteção do negócio.

O Otimista – Apesar dos desafios, há oportunidades à vista?
Patrícia – Sim, eu enxergo oportunidades em 2026. E, historicamente, é exatamente em cenários mais difíceis que surgem as melhores e maiores oportunidades para quem está atento e preparado. Momentos de instabilidade obrigam as empresas a repensarem seus modelos, seus custos, seus processos e até a forma como entregam valor ao mercado. Isso acaba revelando lacunas que antes estavam escondidas: necessidades não atendidas, serviços ineficientes, modelos que deixaram de fazer sentido ou demandas que surgem a partir das próprias mudanças econômicas e regulatórias. Crises funcionam como um filtro. Negócios pouco eficientes tendem a sair do mercado, enquanto empresas mais organizadas, flexíveis e estrategicamente posicionadas conseguem ocupar espaços que se abrem. É nesse contexto que surgem bons movimentos de expansão, aquisições, reposicionamento e inovação.

Fonte: O Otimista em 05.01.2026

Como a Propriedade Intelectual aumenta o valuation da sua startup, por Beatriz Carvalho do APSV Advogados

Como a Propriedade Intelectual aumenta o valuation da sua startup, por Beatriz Carvalho do APSV Advogados

Em conversas com investidores, uma pergunta costuma aparecer cedo ou tarde: o que realmente diferencia essa empresa das demais e quem é dono disso?

Propriedade intelectual é o que protege exatamente esse diferencial. Marca, tecnologia, patentes, desenho industrial, software, identidade visual e conhecimento técnico são ativos que sustentam o valor do negócio. Quando não estão organizados, o crescimento vira risco. Quando estão bem estruturados, viram vantagem competitiva.

Na prática, investidores avaliam se a marca está protegida, se a tecnologia pertence à empresa, se há patentes ou registros que reforcem a inovação e se o design dos produtos está resguardado. Também analisam contratos, cessões de direitos e a consistência da titularidade desses ativos. Não se trata apenas de formalidade, mas de segurança para investir.

É comum encontrar empresas com soluções sólidas e mercado validado, mas com lacunas na proteção dos seus ativos intangíveis. Essas lacunas costumam aparecer na due diligence e, muitas vezes, atrasam negociações, reduzem valuation ou exigem ajustes antes da entrada do capital.

Estruturar a propriedade intelectual de forma estratégica é parte do preparo para crescer. Isso envolve entender quais ativos precisam de proteção, escolher o tipo de registro adequado e alinhar contratos e governança à realidade do negócio.

A propriedade intelectual não é um tema isolado no mercado. Ela se conecta diretamente à estratégia, à expansão e à capacidade de atrair investimento de forma segura.

Por Beatriz Carvalho, Advogada na área de Inovação Jurídica do APSV, especializada em assessoria jurídica para startups, investidores e hubs de inovação.

Profissional “Jano”: Dilema de duas faces nas Relações Institucionais e Governamentais, por Josbertini Clementino

Profissional “Jano”: Dilema de duas faces nas Relações Institucionais e Governamentais, por Josbertini Clementino

Na mitologia romana, Jano é o Deus das transições, dos limiares e das passagens. Representado com duas faces, olha simultaneamente para o passado e para o futuro, para dentro e para fora. Poucas imagens simbolizam tão bem a realidade do profissional de Relações Institucionais e Governamentais (RIG).

Assim como Jano, o profissional de RIG vive permanentemente entre dois mundos que operam em lógicas opostas: de um lado, a empresa, pressionada por resultados, prazos, metas e retorno sobre investimento; do outro, o governo, regido por ritos, tempos longos, procedimentos formais, controles e múltiplos centros de decisão.

Esse não é apenas um desafio técnico. É um dilema existencial deste campo profissional.
Duas racionalidades em colisão permanente
O setor privado trabalha sob a lógica da urgência. O relógio é trimestral, o KPI é imediato, a pergunta é sempre: “Quando isso gera resultado?”

O setor público, por sua vez, opera sob a lógica da legalidade, da previsibilidade institucional e da cautela. Processos levam tempo. Decisões passam por filtros políticos, jurídicos e administrativos. Muitas vezes, não avançam.

O profissional de RIG está no meio desse atrito constante. Ele entende profundamente os dois mundos, mas não controla integralmente nenhum deles.
A disrupção invisível: o desgaste de ser o eterno mediador
Aqui surge a grande disrupção, pouco debatida e raramente reconhecida: o desgaste mental e emocional de ser cobrado por resultados que dependem majoritariamente de atores externos.

O profissional de RIG:

É cobrado internamente por decisões que não assina;
Responde por agendas que não controla;
Assume riscos reputacionais por processos que não conduz;
Traduz expectativas privadas para um ambiente público que não funciona por demanda.

Diferentemente de áreas como vendas, marketing ou operações, o RIG não “fecha contratos” sozinho. Seu trabalho é relacional, incremental, cumulativo e, muitas vezes, silencioso.

O paradoxo central do RIG
Aqui está o ponto-chave:

RIG é uma atividade onde o seu sucesso depende, em grande medida, de pessoas que não trabalham para você.
Deputados, senadores, reguladores, técnicos de carreira, assessores, ministros, prefeitos, secretários. Nenhum deles responde hierarquicamente ao profissional de RIG. Ainda assim, deles depende o avanço (ou o bloqueio) da agenda.

Isso gera uma sensação recorrente de impotência funcional:

Você influencia, mas não decide;
Articula, mas não executa;
Constrói pontes, mas não controla quem atravessa.

Como lidar com essa “impotência” sem adoecer
O amadurecimento profissional em RIG passa por aceitar e estruturar essa realidade.

Alguns aprendizados fundamentais que tive ao longo da minha trajetória:

Trocar controle por influência: RIG não é sobre comando, é sobre construção de ambiente favorável.
Educar a empresa sobre tempo institucional: Quanto mais o C-level entende o funcionamento do Estado, menor a pressão irrealista.
Medir sucesso além do “sim” ou “não”: Avanços de agenda, redução de risco, antecipação regulatória e reputação também são resultado.
Separar identidade pessoal do resultado político: Nem todo “não” é fracasso. Muitas vezes, é preservação estratégica.
Reconhecer que RIG é trabalho de médio e longo prazo: Quem busca gratificação imediata dificilmente sustenta a carreira.

RIG como guardião dos limiares
Assim como Jano, o profissional de RIG não pertence totalmente a nenhum dos lados. Atua no limiar, na fronteira entre interesses, narrativas e tempos distintos.

Esse lugar é desconfortável, mas é exatamente aí que está o valor estratégico deste campo de atuação profissional.
RIG maduro entende que seu papel não é acelerar o Estado artificialmente, nem desacelerar a empresa por conveniência política. Seu papel é traduzir mundos, alinhar expectativas e reduzir riscos em um ambiente estruturalmente complexo.

No fim, a pergunta não é se o profissional de RIG consegue controlar o processo. A pergunta é:

Ele consegue sustentar o equilíbrio entre as duas faces sem perder a própria?

Por Josbertini Clementino
Especialista em Relações Institucionais e Governamentais l Políticas Públicas l Gestão de Projetos e Stakeholders l Conselheiro de Administração IBGC l Regulatório l Advocacy l RIG l RelGov

Business Transformation Outsourcing (BTO), por Benedito Simões

Business Transformation Outsourcing (BTO), por Benedito Simões

Nos cenários empresariais dinâmicos da atualidade, a transformação dos negócios deixou de ser uma opção para se tornar uma necessidade estratégica. Nesse contexto, o Business Transformation Outsourcing (BTO) surge como uma abordagem que vai além da simples execução de tarefas, orientando as empresas a repensarem e reestruturarem suas operações com foco em desempenho e competitividade.

Diferentemente do Business Process Outsourcing (BPO), que se concentra na execução eficiente de processos existentes e na redução de custos por meio da terceirização, o BTO tem como objetivo promover uma transformação inovadora dos processos internos. Enquanto o BPO prioriza eficiência e padronização, o BTO utiliza tecnologias como Inteligência Artificial (IA) e Automação de Processos Robotizados (RPA) para reavaliar e otimizar o modelo de negócios de forma estratégica.

No Brasil, o mercado de BTO encontra-se em expansão, acompanhando a crescente necessidade das empresas de se adaptarem a um ambiente altamente competitivo e em constante transformação digital. Organizações de diversos setores têm recorrido aos serviços de BTO para aprimorar a experiência do cliente, elevar a eficiência operacional e fortalecer suas estratégias de longo prazo. Esse movimento é especialmente relevante em segmentos como finanças, saúde e varejo, onde a transformação digital tem gerado ganhos significativos em agilidade e qualidade na tomada de decisões.

Em Portugal, o cenário é semelhante, ainda que com algumas particularidades. O BTO vem ganhando espaço à medida que as empresas buscam inovar e elevar o nível de seus serviços. Com forte foco em tecnologias emergentes e transformação digital, as organizações portuguesas reconhecem cada vez mais o valor das parcerias estratégicas para reestruturar processos e aumentar sua competitividade no mercado.

Em síntese, tanto no Brasil quanto em Portugal, o Business Transformation Outsourcing representa uma evolução necessária para empresas que desejam prosperar em um ambiente corporativo cada vez mais complexo e desafiador.

Benedito Simões
Diretor Comercial da Câmara Brasil–Portugal do Ceará

Cerimônia destaca legado de Pedro Teixeira na história da Amazônia

Cerimônia destaca legado de Pedro Teixeira na história da Amazônia

A trajetória de Pedro Teixeira, um dos nomes centrais da expansão portuguesa na Amazônia e da consolidação territorial do Brasil, será celebrada em uma cerimônia especial no próximo dia 12 de janeiro de 2026. O encontro acontece na Igreja de Nossa Senhora das Mercês e propõe um mergulho reflexivo na história, na cultura e na identidade nacional.

A homenagem reunirá pesquisadores, acadêmicos e convidados em uma programação que combina conteúdo histórico, análise acadêmica e diálogo aberto com o público. A abertura será conduzida pelo padre João Paulo Dantas, que também apresentará considerações sobre o Opúsculo de Pedro Teixeira, obra fundamental para a compreensão do personagem e de seu contexto histórico.

Na sequência, o doutor Aurélio Meira abordará o monumento dedicado a Pedro Teixeira, destacando sua relevância simbólica e histórica. Já o doutor André Meira trará reflexões sobre a conquista do Rio Amazonas, a partir da obra do professor Sylvio Meira, ampliando o debate sobre o processo de ocupação e domínio da região.

A programação segue com análises sobre a presença portuguesa na Amazônia, fundamentadas nos estudos do professor Otávio Mendonça, e com reflexões sobre fé, Império e Terras Viciosas, a partir da obra do professor Carlos Mendonça. Esses temas serão apresentados pelo doutor Eduardo Mendonça, reforçando a dimensão histórica, política e religiosa do período. O evento também reservará espaço para manifestações e contribuições dos participantes.

O encerramento está previsto para as 19h15, com registro fotográfico ao lado do banner de Pedro Teixeira, simbolizando o tributo a uma figura que marcou de forma definitiva a história amazônica.

Aberto ao público, o evento se propõe a valorizar a memória histórica e estimular o debate qualificado sobre o passado brasileiro, reafirmando a importância de preservar e compreender as raízes que moldaram o país.

Serviço
Evento: Homenagem a Pedro Teixeira
Local: Igreja de Nossa Senhora das Mercês
Data: 12 de janeiro de 2026
Horário: A partir das 17h30

Turismo do Ceará cresceu 8,3% em 2025, superando 3,4 milhões de visitantes e amplia impacto na economia do Estado

Turismo do Ceará cresceu 8,3% em 2025, superando 3,4 milhões de visitantes e amplia impacto na economia do Estado

Foto: Alex Uchoa

O turismo do Ceará encerrou 2025 em trajetória de crescimento sólido, consolidando-se como um dos principais motores da economia estadual. De janeiro a dezembro, o Estado recebeu 3,48 milhões de turistas, um aumento de 8,35% em relação a 2024, de acordo com dados da Secretaria do Turismo do Ceará (Setur). O desempenho positivo se reflete diretamente na economia, com R$ 13,8 bilhões em receita turística direta e R$ 24,2 bilhões em renda gerada, ambos com crescimento superior a 11% na comparação anual.

O avanço foi impulsionado tanto pelo mercado nacional quanto pelo internacional. A demanda turística doméstica alcançou 3,15 milhões de visitantes, enquanto o fluxo internacional chegou a 340 mil turistas, registrando alta expressiva de 14,8%. O bom desempenho está diretamente associado à ampliação da conectividade aérea, ao fortalecimento da promoção do destino e à melhoria da infraestrutura turística do Estado.

Além do crescimento no número de visitantes, o setor apresentou avanços qualitativos. A taxa média de ocupação hoteleira chegou a 78%, crescimento de 3,6 pontos percentuais, acompanhada pela expansão da oferta, que alcançou 49.091 unidades habitacionais em 2025. Os gastos per capita dos turistas também aumentaram, chegando a R$ 3.965, reforçando o impacto positivo do turismo sobre a cadeia produtiva e os serviços locais.

O movimento nos aeroportos cearenses acompanhou esse desempenho. Ao longo de 2025, foram registrados 6,9 milhões de passageiros, um crescimento de 555 mil embarques e desembarques em relação a 2024, consolidando o Ceará como um dos principais hubs aéreos do Nordeste.

Para o secretário do Turismo do Ceará, Eduardo Bismarck, os números refletem uma estratégia consistente de fortalecimento do setor, com destaque para a expansão da malha aérea. “Os números de 2025 mostram um turismo em plena aceleração no Ceará. Esse crescimento é resultado de um trabalho consistente de fortalecimento da conectividade aérea, da promoção do destino e da melhoria da nossa infraestrutura, sempre com muito diálogo e articulação. Mas é importante dizer: esses resultados não são um ponto de chegada, são o início de uma nova fase. Muito do que foi construído ao longo de 2025 já está contratado, estruturado e planejado para os próximos anos, o que nos permite olhar para frente com ainda mais confiança. O Ceará entra em 2026 com bases sólidas, projetos amadurecidos e um plano robusto de ações que vão ampliar ainda mais o fluxo de turistas, a geração de renda e o impacto positivo do turismo em todas as regiões do Estado. Esse avanço é fruto do olhar estratégico e da prioridade que o governador Elmano de Freitas tem dado ao turismo como vetor de desenvolvimento econômico e social. Seguimos trabalhando para transformar crescimento em permanência, e resultados em oportunidades para o povo cearense.”, destacou o secretário.

O fortalecimento do turismo também ampliou sua participação na economia cearense. Em 2025, o setor passou a responder por 10,3% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, frente aos 9,3% registrados no ano anterior, reforçando o papel estratégico da atividade para o desenvolvimento regional.

Com resultados expressivos em fluxo de visitantes, geração de renda, movimentação aérea e impacto econômico, o desempenho de 2025 consolida o Ceará como um destino cada vez mais competitivo no cenário nacional e internacional, com perspectivas positivas para os próximos anos.

Fonte: Setur em 05.01.2026

Isabel Brilhante Pedrosa nomeada nova embaixadora de Portugal no Brasil

Isabel Brilhante Pedrosa nomeada nova embaixadora de Portugal no Brasil

Isabel Brilhante Pedrosa está destacada no Serviço Europeu de Ação Externa da UE desde 2017, tendo servido como embaixadora da UE na Venezuela, entre 2017 e 2021, e depois, até 2025, em Cuba.

Isabel Brilhante Pedrosa vai ser a nova embaixadora de Portugal no Brasil, sucedendo assim a Luís Faro Ramos, confirmou à Lusa o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Desde 2017, Isabel Brilhante Pedrosa está destacada no Serviço Europeu de Ação Externa da União Europeia (EU), tendo servido como embaixadora da UE na Venezuela, entre 2017 e 2021, e depois, até 2025, em Cuba.

Antes, entre 2013 e 2016, foi embaixadora de Portugal em Trípoli.

Em 2020, na sequência de uma decisão dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE de alargarem a lista de personalidades ligadas ao regime venezuelano alvo de sanções, o regime de Nicolas Maduro considerou Isabel Brilhante Pedrosa ‘persona non grata’, dando-lhe 72 horas para abandonar o país.

A medida foi posteriormente revertida por Nicolas Maduro.

Isabel Brilhante Pedrosa, de 61 anos, é a primeira mulher a ocupar o cargo de embaixadora de Portugal no Brasil.

Fonte: Diário de Notícias.pt em 06.01.2026