AICEP e RCCPM reforçam cooperação para apoiar a internacionalização das empresas

AICEP e RCCPM reforçam cooperação para apoiar a internacionalização das empresas

O Protocolo foi assinado por Bruno Paes Moreira, Administrador Executivo da AICEP, e por Carlos Vinhas Pereira, Presidente da RCCPM.

Foto: divulgação

A AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal e a Rede das Câmaras de Comércio Portuguesas no Mundo (RCCPM) assinaram, em Bruxelas, um Protocolo de Cooperação, reforçando a articulação entre duas redes que trabalham diariamente na promoção da presença económica portuguesa nos mercados internacionais.

O Protocolo foi assinado por Bruno Paes Moreira, Administrador Executivo da AICEP, e por Carlos Vinhas Pereira, Presidente da RCCPM.

Este acordo estabelece um quadro de cooperação institucional entre a AICEP, a RCCPM e as Câmaras de Comércio Portuguesas que integram a Rede, reconhecendo o papel destas últimas enquanto parceiros estratégicos da diplomacia económica portuguesa e da internacionalização das empresas.

Entre as áreas prioritárias de colaboração estão a organização conjunta de missões empresariais, fóruns económicos, encontros B2B e outras iniciativas de promoção económica, a partilha de informação sobre oportunidades de investimento e comércio internacional, a identificação de parceiros e oportunidades de negócio e a mobilização da diáspora empresarial portuguesa.

O Protocolo prevê ainda uma articulação mais próxima entre a AICEP e as Câmaras de Comércio Portuguesas nos diferentes mercados, promovendo a coordenação de iniciativas, a partilha de informação e uma maior participação recíproca nas ações desenvolvidas localmente.

Para a RCCPM, esta assinatura representa um passo importante na consolidação de uma Rede mundial cada vez mais articulada, operacional e próxima das empresas, colocando o conhecimento, os contactos e a capacidade de atuação das Câmaras ao serviço da internacionalização da economia portuguesa.

Uma Rede global, ao serviço das empresas portuguesas e de Portugal.

Fonte: RCCPM em 15.09.2026

Reparação naval cresce em Portugal e estaleiros já recusam navios

Reparação naval cresce em Portugal e estaleiros já recusam navios

Setor movimentou 273 milhões de euros em 2024 e vive aumento da procura, impulsionado pela necessidade de manutenção e inspeções periódicas

Imagem gerada por IA

O setor de reparação naval em Portugal vive um novo momento de forte procura. Depois de um primeiro semestre mais lento, estaleiros portugueses já começam a recusar alguns navios por falta de disponibilidade de docas secas, segundo reportagem publicada pelo Jornal Económico.

A mudança ocorre porque muitos navios adiaram reparações e inspeções periódicas nos últimos meses. Parte das embarcações permaneceu em operação devido ao elevado valor dos fretes, enquanto outras ficaram retidas em regiões como o Golfo Pérsico. Com o limite das extensões dos certificados se aproximando, um volume maior de navios precisa agora entrar simultaneamente em doca seca.

A Lisnave, uma das principais empresas portuguesas do setor, já está recusando algumas solicitações por falta de capacidade disponível. Segundo o vice-presidente da companhia, Nuno Antunes dos Santos, o segmento apresenta grandes oscilações de demanda, exigindo dos estaleiros estruturas de custos flexíveis e utilização frequente de mão de obra subcontratada.

O mercado português de reparação naval movimenta anualmente entre 250 milhões e 300 milhões de euros. Em 2024, o setor alcançou 273 milhões de euros, dos quais aproximadamente 220 milhões foram gerados pelas três maiores empresas do segmento, segundo dados citados pelo secretário-geral das Indústrias Navais, Mário Pinho.

Localização estratégica favorece Portugal

Um dos principais ativos competitivos do país é sua posição geográfica. Mais de 300 navios passam diariamente em frente à costa portuguesa, colocando os estaleiros nacionais próximos de importantes rotas marítimas internacionais.

O clima também representa uma vantagem operacional. A menor ocorrência de chuva em comparação com o Norte da Europa facilita atividades como pintura e manutenção externa das embarcações, reduzindo interrupções e contribuindo para a produtividade dos estaleiros.

Por outro lado, Portugal enfrenta forte concorrência da Turquia, que se beneficia da proximidade com o Canal de Suez, custos de mão de obra mais baixos e mecanismos de apoio estatal. O setor português busca compensar essas diferenças com reputação, qualidade técnica e maior previsibilidade na execução dos serviços.

Mudanças nas rotas internacionais também influenciam o mercado. Quando embarcações deixam de utilizar o Canal de Suez e seguem pelo Cabo da Boa Esperança, por exemplo, passam mais próximas de Portugal, ampliando as possibilidades de contratação dos estaleiros nacionais.

Falta de profissionais especializados preocupa setor

Além da concorrência internacional, outro desafio é a escassez de trabalhadores especializados. O mercado português possui formação qualificada em engenharia, mas enfrenta dificuldade para encontrar profissionais em número suficiente em funções como soldadura, mecânica e pintura naval.

A própria Lisnave mantém uma escola de formação e prepara dezenas de profissionais anualmente, inclusive com bolsas para os alunos. Entretanto, parte desses trabalhadores acaba seguindo para oportunidades no exterior.

O setor também acompanha com preocupação as diferenças regulatórias entre Europa e outras regiões. Normas ambientais relacionadas a resíduos, emissões e tratamento da água tornam a operação europeia mais onerosa, enquanto concorrentes de mercados com exigências menores conseguem praticar custos mais baixos.

Apesar dos desafios, o atual aumento da demanda coloca a reparação naval portuguesa em posição favorável. O momento reforça a importância estratégica da indústria marítima para Portugal e evidencia oportunidades relacionadas à logística, qualificação profissional, infraestrutura portuária e fortalecimento da economia do mar.

Fonte: Jornal Económico em 11 de setembro de 2026.

“Esta newsletter realiza curadoria de conteúdos publicados por terceiros. Os resumos apresentados são elaborados pela equipe e direcionam o leitor às fontes originais, responsáveis pelo conteúdo integral e pelas imagens eventualmente associadas às matérias.”

Rômulo Alexandre defende Economia Azul como vetor de desenvolvimento do Ceará

Rômulo Alexandre defende Economia Azul como vetor de desenvolvimento do Ceará

Sócio e diretor da CBPCE destaca, em matéria de O Otimista, o potencial do mar para atrair investimentos, gerar negócios e fortalecer uma economia sustentável

Foto: Robyson Alves

O advogado Rômulo Alexandre Soares, Conselheiro, Sócio Fundador da Câmara Brasil Portugal no Ceará e Presidente da Câmara Setorial da Economia Azul – ADECE, destacou o potencial da Economia Azul como uma das principais agendas estratégicas para o desenvolvimento do Ceará. O tema foi abordado em matéria publicada pelo jornal O Otimista, com foco nas oportunidades que o mar representa para o Estado.

Na entrevista, Rômulo chamou atenção para a necessidade de o Ceará enxergar o mar de forma integrada, considerando não apenas as atividades tradicionais, mas também setores em expansão ligados à infraestrutura portuária, energias renováveis, logística, tecnologia, turismo, pesca, aquicultura e inovação.

A combinação entre localização geográfica estratégica, presença dos portos do Pecém e do Mucuripe, potencial para energias renováveis e vocação para o comércio internacional coloca o Ceará em posição relevante para ampliar sua participação em cadeias econômicas ligadas ao oceano.

A Economia Azul compreende atividades econômicas relacionadas ao ambiente marinho e costeiro, desde pesca, aquicultura e turismo até portos, cabos submarinos, energia eólica offshore, biotecnologia, pesquisa científica, inovação e conservação ambiental. Essa transversalidade exige planejamento, articulação institucional e integração entre setor público, empresas, academia e sociedade civil.

Para Rômulo Alexandre, transformar o potencial do mar em desenvolvimento exige uma agenda estruturada, capaz de conectar investimentos, sustentabilidade, qualificação profissional e novos modelos de negócios. A pauta também passa pela construção de uma visão de longo prazo, na qual o mar deixa de ser tratado apenas como limite geográfico e passa a ser compreendido como ativo econômico, ambiental e estratégico.

O tema também esteve no centro da primeira edição dos Diálogos Estratégicos CBPCE, realizada com o tema “Economia Azul: Conexões e Oportunidades para o Mar do Ceará”. O encontro reuniu representantes do setor produtivo, poder público, academia e entidades empresariais para discutir o potencial do mar como vetor de desenvolvimento sustentável, inovação, competitividade e geração de oportunidades.

A atuação de Rômulo Alexandre nessa agenda reforça o papel da CBPCE na promoção de debates qualificados sobre desenvolvimento econômico, sustentabilidade, internacionalização e novas oportunidades para o Ceará. A Câmara tem contribuído para aproximar empresários, instituições, especialistas e lideranças em torno de temas estratégicos para o futuro do Estado.

Ao colocar a Economia Azul no centro da discussão, o Ceará amplia sua capacidade de atrair investimentos e de transformar ativos naturais, logísticos e tecnológicos em oportunidades concretas para empresas, trabalhadores e comunidades. O desafio está em fazer essa agenda avançar com governança, segurança jurídica, sustentabilidade ambiental e geração de valor para o território.

Fonte: O Otimista, com informações complementares da CBPCE

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EXPOLOG 2026 reunirá setor logístico em Fortaleza com foco em inteligência, multimodalidade e novos negócios

EXPOLOG 2026 reunirá setor logístico em Fortaleza com foco em inteligência, multimodalidade e novos negócios

21ª edição da Feira Internacional de Logística acontece nos dias 23 e 24 de novembro, no Centro de Eventos do Ceará, e terá como tema a transformação da logística diante da inteligência artificial e dos desafios geopolíticos

Foto: divulgação

Fortaleza recebe, nos dias 23 e 24 de novembro de 2026, a 21ª edição da EXPOLOG – Feira Internacional de Logística, no Centro de Eventos do Ceará. O encontro reunirá empresas, empresários, especialistas, gestores públicos e representantes de diferentes segmentos ligados à logística, infraestrutura e comércio exterior.

A edição deste ano terá como tema “Logística Inteligente: Multimodalidade, IA e Resiliência Geopolítica”, trazendo para o centro das discussões temas relacionados à integração dos modais de transporte, inovação tecnológica, inteligência artificial, infraestrutura, comércio exterior e aos novos desafios enfrentados pelas cadeias logísticas em um cenário global em transformação.

A escolha do tema acompanha mudanças que já impactam diretamente o setor. A adoção de novas tecnologias, a busca por maior eficiência operacional e a necessidade de fortalecer a capacidade de resposta das cadeias de suprimentos diante das mudanças econômicas e geopolíticas ampliam a importância da logística nas estratégias de competitividade de empresas e países.

Em artigo publicado em setembro, o coordenador técnico da EXPOLOG, Marcelo Bandeira, destacou a multimodalidade e a inteligência artificial entre os elementos relevantes para a transformação da logística brasileira, ressaltando a necessidade de melhorar a eficiência do transporte de cargas no país.

Conexão entre conhecimento e negócios

Além dos debates técnicos, a EXPOLOG mantém como uma de suas características a aproximação entre empresas, profissionais e instituições que atuam na cadeia logística.

Entre as iniciativas previstas está a Rodada de Negócios, voltada à criação de conexões comerciais entre fornecedores, prestadores de serviços e empresas demandantes de soluções para o setor.

Na edição de 2025, 74 empresas participaram da rodada, que movimentou quase R$ 60 milhões entre negócios fechados e prospectados, segundo dados divulgados pela organização da feira.

EXPOLOG Day amplia articulação regional antes da feira

A agenda de preparação para a edição de novembro também incluiu a realização do EXPOLOG Day, em São Luís, no Maranhão.

O encontro aconteceu em 1º de setembro, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA), reunindo lideranças empresariais e institucionais para discutir infraestrutura, multimodalidade, integração regional e oportunidades de negócios.

O EXPOLOG Day foi um evento que antecedeu a EXPOLOG 2026 e buscou fortalecer as conexões entre os mercados do Maranhão e do Ceará, além de ampliar o diálogo com outros mercados nacionais e internacionais.

Entre os temas discutidos no encontro estiveram a posição estratégica do Maranhão no Arco Norte, a infraestrutura do Porto do Itaqui, a Zona de Processamento de Exportação do Maranhão e as oportunidades relacionadas a novos corredores logísticos e investimentos.

Ceará no centro das discussões sobre logística

Realizada em Fortaleza, a EXPOLOG chega à sua 21ª edição consolidando um espaço de encontro entre os diferentes agentes que participam do desenvolvimento da logística e do comércio exterior.

A EXPOLOG 2026 é promovida pelo Diário do Nordeste, Instituto Future e Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Estado do Ceará (SETCARCE), realizada pela Prática Eventos e conta com a correalização da Câmara Brasil Portugal no Ceará (CBPCE).

As inscrições para a feira são gratuitas e já estão disponíveis por meio do site oficial da EXPOLOG.

Serviço

EXPOLOG 2026 – 21ª Feira Internacional de Logística
Data: 23 e 24 de novembro de 2026
Local: Centro de Eventos do Ceará – Pavilhão Leste, Portão D
Endereço: Avenida Washington Soares, 999 – Edson Queiroz, Fortaleza – CE
Inscrições: gratuitas pelo site oficial da EXPOLOG.

Irineu Guimarães analisa novo ciclo imobiliário na região metropolitana de Fortaleza

Irineu Guimarães analisa novo ciclo imobiliário na região metropolitana de Fortaleza

Sócio e diretor de Desenvolvimento Imobiliário da CBPCE aponta energia limpa, data centers e hidrogênio verde como motores de transformação urbana no Ceará

Foto: divulgação

O especialista Irineu Guimarães, sócio e diretor de Desenvolvimento Imobiliário da Câmara Brasil Portugal no Ceará (CBPCE), analisou o novo ciclo de investimentos que pode transformar a dinâmica imobiliária da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). O tema foi abordado em matéria publicada pelo jornal O Estado, assinada pelo jornalista Emanuel Santos.

A reportagem destaca dados do panorama imobiliário apresentado pelo Sinduscon Ceará, segundo os quais Aquiraz, Caucaia, Eusébio e Maracanaú registraram o lançamento de 4.409 unidades entre janeiro e julho deste ano. O número representa crescimento de 64% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram lançadas 2.692 unidades.

Outro indicador relevante foi o Valor Geral Lançado (VGL), que avançou 63% em um ano e chegou a R$ 1,2 bilhão em investimentos. No mesmo período, o número de empreendimentos passou de 33 para 48, evidenciando o avanço do mercado imobiliário em municípios estratégicos da RMF.

Para Irineu Guimarães, especialista em Gestão de Negócios Imobiliários e da Construção Civil pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e CEO da BLD Urbanismo, os números indicam a consolidação da Região Metropolitana de Fortaleza como um novo vetor de desenvolvimento urbano do Ceará.

Segundo ele, a RMF vem assumindo protagonismo próprio no mercado imobiliário. O crescimento dos lançamentos demonstra a existência de demanda e espaço para novos vetores de desenvolvimento, mas também exige planejamento, infraestrutura e serviços para que a expansão resulte em cidades mais completas e conectadas.

Irineu avalia que a dinâmica de crescimento da região passa por uma mudança importante. Durante muitos anos, a expansão imobiliária esteve concentrada no vetor Leste, especialmente em municípios como Eusébio e Aquiraz. Esse movimento permanece relevante, mas o fortalecimento do vetor Oeste, com destaque para Caucaia e para a área influenciada pelo Complexo Industrial e Portuário do Pecém, começa a ganhar maior evidência.

Na avaliação do especialista, investimentos previstos e em implantação nos setores de energia limpa, geração renovável, data centers e hidrogênio verde têm potencial para transformar profundamente essa região. Além da instalação de grandes empreendimentos industriais e tecnológicos, esses projetos tendem a gerar empregos qualificados, atrair profissionais, fornecedores e novas empresas.

Esse movimento também cria novas demandas urbanas. Quando uma região passa a concentrar investimentos de grande porte, cresce a necessidade por moradia, comércio, serviços, educação, saúde, lazer e infraestrutura urbana, ampliando os impactos sobre o mercado imobiliário e sobre o planejamento das cidades.

Irineu Guimarães cita Caucaia como exemplo estratégico por sua localização entre Fortaleza, o Pecém e o litoral Oeste. Para ele, a região pode viver nos próximos anos um processo semelhante, guardadas as proporções, ao crescimento observado no vetor Leste com o avanço do Eusébio.

O especialista também alerta que o excesso de burocracia e a lentidão dos processos podem atrasar ou comprometer esse ciclo de desenvolvimento. Grandes investimentos em setores como energia limpa, data centers, tecnologia e hidrogênio verde disputam espaço em escala global, e o capital tende a buscar ambientes com segurança jurídica, previsibilidade, infraestrutura e abertura à iniciativa privada.

Na análise de Irineu, o Ceará já deu passos importantes, como o avanço da legislação voltada aos data centers. O desafio, agora, é fortalecer a integração entre poder público, iniciativa privada, universidades e sociedade para transformar vantagens competitivas em desenvolvimento econômico e social.

Como sócio e diretor de Desenvolvimento Imobiliário da CBPCE, Irineu Guimarães contribui para o debate sobre infraestrutura, urbanismo, ambiente de negócios e atração de investimentos, temas diretamente ligados ao desenvolvimento econômico da Região Metropolitana de Fortaleza.

Fonte: O Estado, 7 de setembro de 2026, com informação complementar da CBPCE.

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Pecém e Transnordestina: uma nova fronteira para a logística nordestina

Pecém e Transnordestina: uma nova fronteira para a logística nordestina

No Pecém, a Transnordestina encontra um complexo industrial e portuário moderno, conectado a mercados internacionais e a projetos estratégicos, pronto para receber ainda mais investimentos

Foto: divulgação

A chegada da Transnordestina ao Complexo Industrial e Portuário do Pecém representa mais do que a conclusão de uma obra ferroviária. Ela cria uma nova arquitetura logística, integrando ferrovia, porto, rodovias e terminais.

A discussão sobre multimodalidade, comércio exterior, eficiência operacional e mercado de contêineres esteve entre os temas da Multimodal Nordeste 2026. Infraestrutura, cabotagem, tecnologia e novas soluções reforçaram a necessidade de conectar as cadeias produtivas aos mercados.

É nesse cenário que a conexão da Transnordestina com o Pecém deve ser compreendida. A ferrovia poderá atrair cargas que hoje são escoadas em rotas mais longas, transportando não apenas granéis e cargas de projeto, mas também ampliando as possibilidades para cargas conteinerizadas, aproximando produtores do interior das rotas internacionais. Para a Tecer, isso amplia a atuação em contêineres e carga geral.

A chegada da ferrovia cria, portanto, uma oportunidade para repensar os fluxos de carga no Nordeste. Produtos que hoje dependem exclusivamente do transporte rodoviário poderão contar com novas alternativas, combinando diferentes modais de acordo com as características de cada operação. Mais do que deslocar mercadorias, trata-se de construir soluções logísticas capazes de gerar eficiência, escala e previsibilidade.

O debate em torno do PL 733/2025, que propõe novas regras para o sistema portuário brasileiro, também evidencia a importância de modernizar o ambiente regulatório, estimular investimentos e aumentar a eficiência das operações. A tabela do frete mínimo faz ampliar ainda mais o olhar sobre uma logística eficiente e com fluxos logísticos integrados. Esse ambiente deve estimular investimentos e eficiência.

No Pecém, a Transnordestina encontra um complexo industrial e portuário moderno, conectado a mercados internacionais e a projetos estratégicos, pronto para receber ainda mais investimentos. Nesse contexto a ferrovia amplia o alcance desse ecossistema, enquanto os terminais conectam diferentes modos de transportes.

O desafio, portanto, é ir além da infraestrutura física. É desenvolver fluxos, atrair cargas, criar soluções comerciais e dar previsibilidade a quem produz, importa e exporta. A multimodalidade precisa deixar de ser apenas conceito e se tornar vantagem competitiva.

A Transnordestina não termina quando chega ao Pecém. É ali que começa uma nova etapa: transformar trilhos em conexões, conexões em negócios e negócios em desenvolvimento para o Nordeste.

Escrito por Carlos Alberto Nunes e Alex Trevisan

Publicado no Diário do Nordeste em 03.09.2026

Como o Passaporte Digital de Produto pode impactar as empresas brasileiras, por Clivânia Teixeira

Como o Passaporte Digital de Produto pode impactar as empresas brasileiras, por Clivânia Teixeira

Passaporte Digital de Produto: ainda não é uma exigência generalizada na União Europeia. Mas é hora de entender o que vem pela frente.

Imagem gerada por IA

A União Europeia colocou em operação, em julho de 2026, o Registro do Passaporte Digital de Produto, uma das estruturas que dará suporte à implementação progressiva do DPP, Digital Product Passport.

Mas o que isso significa, na prática, para uma empresa brasileira?
Ainda não significa que todo produto exportado para a União Europeia precise hoje de um passaporte digital.

Significa, porém, que empresas que exportam ou pretendem exportar para esse mercado devem começar a acompanhar o tema.

A implementação será gradual e dependerá das regras aplicáveis a cada categoria de produto. Determinadas baterias serão o primeiro grupo com exigência de DPP, a partir de 18 de fevereiro de 2027. Outros grupos de produtos serão progressivamente alcançados por regulamentações específicas.

Na prática, o Passaporte Digital permitirá disponibilizar informações relevantes sobre produtos, componentes e materiais, de acordo com as exigências estabelecidas para cada categoria, contribuindo para maior transparência, circularidade e verificação de conformidade.

Para as empresas brasileiras, talvez a pergunta mais importante neste momento não seja:
“Já preciso ter o passaporte?”, mas: “Minha empresa está preparada para organizar e fornecer os dados que poderão ser exigidos para acessar o mercado europeu?”
Compreender uma nova exigência antes que ela se torne obrigatória também é estratégia de acesso a mercados.

Fontes:
Comissão Europeia | Digital Product Passport
https://lnkd.in/dqbgkaAR

IAPMEI | Registo do Passaporte Digital de Produto
https://lnkd.in/dmc8yWZm

Por Clivânia Teixeira
Diretora Executiva CBPCE

Hotel Sonata de Iracema, sócio da CBPCE, é finalista do Prêmio Hub ESG

Hotel Sonata de Iracema, sócio da CBPCE, é finalista do Prêmio Hub ESG

Empreendimento cearense está entre os nove hotéis selecionados para a etapa final da premiação nacional voltada à sustentabilidade na hotelaria

Foto: divulgação

O Hotel Sonata de Iracema, sócio da Câmara Brasil Portugal no Ceará (CBPCE), está entre os finalistas do Prêmio Hub ESG Hotel Business 2026, reconhecimento nacional voltado a iniciativas e boas práticas de sustentabilidade na hotelaria brasileira. A lista de finalistas foi divulgada pelo Hotelier News.

A premiação chega à sua primeira edição com o objetivo de valorizar projetos que incorporam práticas ambientais, sociais e de governança à realidade do setor hoteleiro. A iniciativa é promovida pelo Hotelier News em parceria com a Arbache Consulting.

A cerimônia de premiação será realizada no dia 16 de setembro, durante a programação da Equipotel, em São Paulo.

A presença do Hotel Sonata de Iracema entre os finalistas reforça o protagonismo da hotelaria cearense em agendas ligadas à sustentabilidade, responsabilidade socioambiental, inovação em gestão e qualificação da experiência turística.

Localizado na Praia de Iracema, em Fortaleza, o hotel já vem associando sua atuação ao turismo responsável, à hospitalidade cearense e a iniciativas voltadas ao desenvolvimento do setor.

Para a CBPCE, a indicação de um de seus associados a uma premiação nacional de ESG evidencia a capacidade das empresas cearenses de contribuírem para uma agenda mais sustentável, competitiva e alinhada às novas demandas do turismo e da hotelaria.

Fonte: Hotelier News, 8 de setembro de 2026, com informação complementar da CBPCE.

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ApexBrasil e Sebrae selecionam startups brasileiras para incubação em Lisboa

ApexBrasil e Sebrae selecionam startups brasileiras para incubação em Lisboa

Programa apoiará 20 empresas de base tecnológica em processo de internacionalização para Portugal e outros mercados europeus

Imagem gerada por IA

A ApexBrasil, em parceria com o Sebrae, abriu o processo de seleção para o ciclo 2027 do Programa de Incubação de Startups em Lisboa, iniciativa voltada a empresas brasileiras de base tecnológica interessadas em acessar o ecossistema português e expandir seus negócios para a Europa. A informação foi publicada pelo DN Brasil.

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até 18 de setembro de 2026, às 23h, no horário de Brasília. Nesta primeira fase, serão selecionadas até 40 startups para uma etapa de exploração estratégica. Após entrevistas online, sessões de preparação e uma rodada de avaliação, as 20 empresas mais bem classificadas avançarão para as fases seguintes do programa.

De acordo com o regulamento citado pela reportagem, as startups interessadas devem ser de base tecnológica, apresentar solução escalável, modelo de negócio inovador e potencial para abrir operação em Portugal ou em outro mercado europeu. Também é necessário ter MVP, produto ou solução própria pronta para comercialização, além de CNPJ e operação no Brasil.

Empresas que estejam apenas na fase de ideação não serão aceitas. Outro requisito eliminatório é ter gerado faturamento ou recebido investimento entre junho de 2025 e junho de 2026. A seleção levará em conta critérios como maturidade do negócio, faturamento, investimentos recebidos, experiência internacional, capacidade de internacionalização e tração comercial em Portugal e na Europa.

Neste ciclo, terão prioridade startups dos segmentos de HealthTech, EnergyTech, ClimaTech, TravelTech, AgTech e Biotech. Empresas dessas áreas receberão pontuação adicional, embora a prioridade não garanta vaga automática. O programa também prevê atenção a startups do Norte e Nordeste, empresas lideradas por mulheres e negócios com diversidade racial na liderança.

Antes da etapa presencial em Portugal, as empresas selecionadas terão acesso a mentorias, sessões de preparação, matchmaking com potenciais clientes, parceiros e investidores, além de orientação sobre o ambiente de negócios europeu. Durante a incubação em Lisboa, as startups contarão com espaço de trabalho junto ao Escritório da ApexBrasil, com salas de reunião, conectividade e infraestrutura de apoio.

O programa será desenvolvido durante três meses, a partir de março de 2027. Para participar, a startup deverá indicar uma pessoa com disponibilidade para permanecer em Portugal durante todo o período, mantendo no Brasil uma equipe capaz de garantir a continuidade das operações. Após os três meses obrigatórios, a permanência poderá ser ampliada por até mais 180 dias, conforme avaliação da ApexBrasil e do Sebrae.

Outro benefício previsto é a possibilidade de participação em um evento de inovação na Europa, com passagem aérea, seguro-viagem e ingresso, mediante aprovação prévia. As startups também poderão ter acesso ao programa Bolsa Exportação, com reembolso de até R$ 20 mil para despesas elegíveis relacionadas à incubação.

O anúncio das 20 startups vencedoras está previsto para a semana do Web Summit Lisboa, entre 9 e 13 de novembro de 2026. A etapa de preparação será realizada entre novembro de 2026 e fevereiro de 2027.

A iniciativa reforça a importância de Portugal como porta de entrada para startups brasileiras que buscam internacionalização, conexão com investidores, acesso a novos mercados e inserção no ecossistema europeu de inovação.

Sua startup está de olho em Portugal?

A Câmara Brasil Portugal no Ceará atua como ponte para empresas interessadas em conhecer o ecossistema português, estabelecer conexões estratégicas e avaliar oportunidades de internacionalização.

Se a sua startup tem interesse em Portugal, converse conosco.

Contato: secretariace@cbpce.org.br

Fonte: DN Brasil, 4 de setembro de 2026.

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CBPCE promove debate sobre potencial da Economia Azul para o desenvolvimento do Ceará

CBPCE promove debate sobre potencial da Economia Azul para o desenvolvimento do Ceará

Primeira edição dos Diálogos Estratégicos reuniu especialistas, empresários, pesquisadores e instituições para discutir oportunidades, desafios e propostas para o mar cearense

Foto: Robyson Alves

A Câmara Brasil Portugal no Ceará (CBPCE) realizou, na tarde desta terça-feira, 1º de setembro, no Lounge APSV, a primeira edição dos Diálogos Estratégicos CBPCE, iniciativa criada para reunir diferentes setores da sociedade em torno de temas estratégicos para o desenvolvimento do Ceará. Com o tema “Economia Azul: Conexões e Oportunidades para o Mar do Ceará”, o encontro foi conduzido pela presidente da CBPCE, Patrícia Campos, pelo diretor da CBPCE e presidente da Câmara Setorial da Economia do Mar, Rômulo Alexandre, e pela diretora Clivânia Teixeira.

A pergunta que orientou as discussões foi: “Que oportunidades, desafios e propostas devem integrar uma agenda estratégica para o desenvolvimento sustentável do mar do Ceará?”. A proposta foi transformar o mar em uma agenda estratégica de desenvolvimento, considerando atividades tradicionais, como pesca, turismo e operações portuárias, além de segmentos em expansão, como energias renováveis offshore, inovação, tecnologia, bioeconomia, infraestrutura, formação profissional e conservação ambiental.

Para Patrícia Campos, os Diálogos Estratégicos foram concebidos como um ambiente de escuta e construção coletiva. “Mais do que uma programação baseada em palestras, os Diálogos Estratégicos foram estruturados como um espaço de escuta, troca e construção coletiva. Os participantes foram convidados a apresentar experiências, desafios, oportunidades, reflexões ou propostas que possam contribuir para uma agenda de desenvolvimento sustentável do mar cearense”, destacou.

Rômulo Alexandre Soares ressaltou que a Economia Azul envolve uma agenda ampla, que passa por governança do mar, financiamento, investimentos, conservação ambiental, mudanças climáticas, portos, logística, recursos marinhos, pesca, aquicultura, turismo, esportes náuticos, inovação, tecnologia, formação profissional e inserção internacional. “Os Diálogos Estratégicos CBPCE surgem como uma tentativa de aproximar diferentes visões e transformar conhecimentos e experiências dispersos em uma agenda comum para o futuro do mar cearense”, afirmou.

A força do Ceará na pesca e na aquicultura foi um dos pontos destacados durante o encontro. O engenheiro de pesca Felipe Goyanna, mestre e doutor em Ciências Marinhas, lembrou que o Estado ocupa posição estratégica no setor pesqueiro nacional. “O Ceará ocupa uma posição de destaque no setor pesqueiro nacional. Somos o maior produtor de lagosta, um dos principais produtores de atum e o maior exportador de pescados do Brasil, respondendo por cerca de 25% a 30% do valor das exportações brasileiras do setor.”

Felipe também chamou atenção para a carcinicultura. “Também temos uma posição muito forte na carcinicultura. Mais da metade da produção brasileira de camarão cultivado está concentrada no Ceará. Do ponto de vista da pesca e da aquicultura, o Estado está muito bem posicionado no cenário nacional.”

A preservação ambiental e o combate à poluição marinha também entraram na pauta. Rômulo Alexandre Soares destacou que grande parte dos resíduos encontrados nas praias tem origem nas cidades e nos rios. “Hoje, cerca de 80% do plástico que encontramos nas praias vem dos rios e das cidades. Fortaleza despeja aproximadamente 1.400 toneladas de plástico por ano no mar do Ceará, e esse é um problema ambiental que precisa ser enfrentado na origem.”

Ele também apresentou uma iniciativa de mobilização internacional ligada aos esportes náuticos. “Nosso desafio é mobilizar kitesurfistas do mundo inteiro em prol do oceano. Para cada quilômetro velejado, buscamos retirar um quilo de resíduo de ambientes costeiros. Já retiramos cerca de 470 toneladas de resíduos dos rios e acumulamos mais de 300 mil quilômetros velejados. Nossa meta, até 2030, é alcançar um milhão de quilômetros e, consequentemente, retirar um milhão de quilos de resíduos do meio ambiente.”

A logística foi abordada como um eixo estruturante da Economia Azul. Edna Câmara, da Prática Eventos, realizadora da Expolog, destacou o papel estratégico do setor. “A logística é uma mola propulsora para diferentes setores da economia e ocupa um papel central na Expolog. A partir dela, o evento conecta temas como portos, agronegócio, inovação, economia e macroeconomia, ampliando o debate e as oportunidades de negócios.”

Segundo ela, o desafio é manter a logística no centro das discussões sobre desenvolvimento. “O grande desafio é manter essa discussão cada vez mais atual e atrativa, mostrando que a logística não é um tema isolado, mas um elemento estratégico para o desenvolvimento econômico e para a integração entre diferentes cadeias produtivas.”

O empresário Ricardo Parente defendeu uma mudança de paradigma sobre o papel do mar na economia. “Mais do que olhar para a economia azul, precisamos de um novo olhar sobre ela. O mundo passa por profundas mudanças geopolíticas e tecnológicas, e energia, infraestrutura e agronegócio são pilares fundamentais para a sociedade. O mar está diretamente inserido nesse contexto.”

Para ele, o mar deve deixar de ser visto apenas como limite geográfico ou espaço de extração primária. “Essa mudança representa um novo paradigma: o mar deixa de ser visto apenas como limite geográfico ou área de extração primária e passa a ocupar o centro de uma economia baseada em tecnologia, sustentabilidade ambiental e integração global, abrindo também oportunidades para o Ceará ampliar sua liderança nesse setor.”

A relação entre o Ceará e a Margem Equatorial foi destacada por Jamiro Dias, da NML Tankers. “O Ceará tem uma posição privilegiada para ser protagonista na Margem Equatorial. Com quase 600 quilômetros de costa, os portos do Mucuripe e do Pecém e infraestrutura ligada ao setor naval, o Estado reúne condições estratégicas para aproveitar as oportunidades que podem surgir com a exploração offshore.”

Jamiro também alertou para a necessidade de preparação. “O desafio é estar preparado para esse movimento, que pode gerar empregos e demandar mão de obra qualificada. O Ceará precisa se antecipar, investir em capacitação e estrutura e buscar um papel de protagonismo, e não apenas de coadjuvante, nesse processo.”

Os esportes náuticos foram apresentados como plataforma de desenvolvimento econômico. Renner Fortunato, da Associação de Stand Up Paddle do Ceará, afirmou que o setor pode movimentar diversas cadeias. “O esporte náutico pode ser muito mais do que uma atividade esportiva. Ele pode funcionar como uma plataforma de desenvolvimento da economia azul, movimentando turismo, hospedagem, gastronomia, transporte, equipamentos, serviços, formação profissional e geração de emprego e renda.”

Ele também defendeu a integração entre eventos náuticos, sustentabilidade e pesquisa. “O Ceará reúne condições privilegiadas para ampliar esse potencial. A proposta é integrar eventos náuticos à sustentabilidade, à pesquisa e ao monitoramento ambiental, transformando essas iniciativas em verdadeiros laboratórios da economia azul e fortalecendo também as conexões com Portugal.”

A criação de um cluster marítimo foi apontada como caminho para articular empresas, governo, academia e demais atores ligados ao mar. A almirante de esquadra Elis Treidler Öberg avaliou que o Ceará vive um momento decisivo. “O Ceará vive um ponto de inflexão, com novas oportunidades ligadas à energia, à Margem Equatorial e às eólicas offshore. Para que essas oportunidades não se percam, é fundamental manter um diálogo permanente entre empresas, governos, academia e todos os atores envolvidos com o mar.”

Segundo ele, a Economia Azul precisa incorporar sustentabilidade desde a origem. “A proposta é criar um cluster marítimo que reúna esses setores e fortaleça essa articulação. Mais do que desenvolver a economia do mar, é preciso garantir que essas atividades incorporem a sustentabilidade, transformando esse crescimento em uma verdadeira economia azul.”

A dimensão cultural da Economia Azul também foi lembrada. Célio Fernando, da BFA, destacou a importância do pertencimento ao mar. “Quando a gente fala de arte e cultura, a gente fala também de inovação, de criatividade e de currículo azul. É ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática, mas também é entender a nossa relação com o mar por meio da cultura.”

“​A gente tem que ter coração e querer primeiro pertencer ao mar. Não adianta qualquer coisa que a gente queira fazer, seja em energia ou em tudo isso que a gente vem falando, se não houver esse pertencimento, essa arte e essa cultura”, acrescentou.

Para Anya Ribeiro, sócia e vice-presidente de Turismo e Serviços da CBPCE, o mar também deve ser compreendido como elo entre o litoral e o interior. “Quando eu olho o mar, não consigo vê-lo dissociado da linha de costa. Eu vejo esse mar associado ao interior e ao benefício que ele leva para esses territórios, pelos rios, pelas comunidades e por todas essas conexões.”

Ela defendeu que empresários podem atuar como agentes de transformação. “A minha mensagem é que, através do mar, que conecta a costa litorânea e o interior, nós, empresários, podemos promover uma mudança de chave no desenvolvimento sustentável do Ceará.”

O ex-presidente da Câmara Setorial da Economia Azul e atual vice-presidente da entidade, Beto Gradvohl, classificou a Economia Azul como uma agenda transformadora. “A economia azul é uma economia transformadora. Quando estiver plenamente implantada, acredito que teremos uma mudança enorme na vida de todos nós. Ela pode, inclusive, superar o agronegócio e passar a ocupar uma posição de prioridade.”

Ele ressaltou, no entanto, que a consolidação da agenda depende de ações estruturantes. “Para desenvolver uma economia azul saudável no Ceará, precisamos da participação do poder público, com saneamento básico, especialmente nos municípios costeiros, boas estradas, segurança e projetos estruturantes. O grande desafio é transformar os projetos e ideias que já existem em ações concretas.”

O professor Eduardo Fontenele, da Universidade Federal do Ceará, coordenador do Núcleo de Pesquisa em Economia do Mar, destacou a importância de avaliar os impactos econômicos de forma mais ampla. “Quando se fala em pesca artesanal, a preocupação não pode ser apenas com a produção. É preciso olhar também para o pós-captura, para o acondicionamento, o transporte e a perda de valor por parte dos pescadores. Essa baixa rentabilidade ajuda a explicar o envelhecimento da atividade e o desinteresse dos jovens.”

Para ele, também é necessário compreender como a riqueza gerada permanece no território. “Quando se fala em economia azul, não basta saber quanto o PIB cresce. É importante entender quanto desse valor fica no território, como essa renda é distribuída, quem ganha, quem perde e quais encadeamentos produtivos são gerados na nossa economia.”

A economista em formação Marina Rocha, entusiasta da Economia Azul, reforçou a importância de conectar os diferentes atores do ecossistema. “O Ceará tem um grande potencial na economia azul, mas o desafio é transformar esse potencial em oportunidade e desenvolvimento. E a resposta para isso passa pela conexão entre o setor público, o setor privado, a sociedade civil e a academia.”

Ela também apresentou a proposta da Blue Ceará como plataforma de articulação. “A Blue Ceará nasce com esse propósito: ser uma plataforma de conexão do ecossistema da economia azul no Estado, permitindo o compartilhamento de ideias, conhecimentos, eventos e perspectivas entre os diferentes atores.”

A advogada Fabíola Rocha, sócia da CBPCE, chamou atenção para a necessidade de governança, segurança jurídica e repartição de benefícios. “O Ceará tem condições muito favoráveis para avançar na economia azul, mas é preciso definir qual arranjo de governança, financiamento e repartição de benefícios deve ser adotado para que esse desenvolvimento gere reindustrialização local e inclusão socioeconômica, e não apenas exportação.”

Segundo ela, o avanço da Economia Azul também deve observar critérios ambientais e sociais. “Também precisamos conciliar a expansão da economia azul com segurança jurídica e ambiental, proteção das comunidades pesqueiras e dos povos do mar e indicadores ESG críveis, evitando o bluewashing e garantindo competitividade e acesso a mercados como o da União Europeia.”

A formação das novas gerações foi destacada por Thais Pileggi, coordenadora nacional do programa Escola Azul. “Se a gente quer um futuro com economia azul, a gente tem que falar de educação. O Programa Escola Azul trabalha justamente a cultura oceânica, mostrando de que maneira as nossas ações afetam o oceano e de que maneira o oceano nos afeta.”

Ela também ressaltou o potencial de expansão do programa no Ceará. “Hoje temos mais de 760 escolas participantes no Brasil, mas apenas 16 no Ceará. O Estado já é referência em educação e pode se tornar também referência em Escolas Azuis, ampliando essa rede e aproximando cada vez mais os estudantes da cultura oceânica.”

O ex-petroleiro André Aski defendeu que a Economia Azul extrapola os limites do oceano e deve estar conectada às comunidades. “Eu entendo que a economia azul extrapola os limites do oceano e precisa estar conectada também às comunidades. Foi justamente essa relação entre economia azul e interação com as comunidades que despertou ainda mais o meu interesse pelo tema.”

Ele também destacou a importância de rodadas de negócios e articulação entre empresas e tecnologias. “A questão do cluster é muito importante. A experiência com o cluster tecnológico naval e com rodadas de negócios mostra como essa articulação pode aproximar empresas, tecnologias e iniciativas que têm relação direta com a economia azul.”

Para Luiz Eugênio, o debate precisa gerar resultados práticos. “Tudo o que foi falado aqui mostra quanta coisa o mar proporciona para o Ceará. Energia renovável, hidrogênio verde, turismo, pescado, são muitas oportunidades e uma riqueza enorme de ideias e possibilidades.”

“Mas, se a gente não tratar isso de forma concreta, com projetos e com um plano bem feito, vai ficar uma coisa romântica. Uma discussão como essa precisa gerar entregáveis e resultados para que a sociedade entenda a importância da economia azul”, afirmou.

A sócia da CBPCE Cibele Gaspar, da Nexxi Assessoria, relacionou o debate sobre o mar à experiência brasileira com o pré-sal e à necessidade de planejamento para a Margem Equatorial. “O Brasil já passou pela experiência de construir riqueza a partir da exploração do pré-sal, mas o fundo social criado com esses recursos não tem contribuído como deveria para a riqueza do país. Com a Margem Equatorial, precisamos pensar desde já em como essa exploração pode trazer benefícios concretos para as regiões envolvidas.”

Segundo ela, é fundamental assegurar que os recursos gerados permaneçam no território. “É preciso definir a utilização desses recursos da melhor forma no território e estabelecer quais organismos podem fazer isso, evitando desvios e o escoamento de recursos. Precisamos mobilizar nossa inteligência, nosso apoio e nossa força para fazer com que essa riqueza fique na região.”

Para Clivânia Teixeira, o encontro gerou conexões que ultrapassam a programação do evento, aproximando empresas, pesquisadores, investidores, instituições públicas e comunidades em torno da construção de projetos e parcerias. “As contribuições apresentadas durante o encontro foram registradas e serão posteriormente organizadas pela CBPCE. O objetivo é que não se limite à identificação de problemas ou à apresentação de oportunidades, mas contribua para apontar prioridades e caminhos de cooperação”, concluiu.

O evento contou com o patrocínio da BLD Urbanismo, Ricarte Urbano Contabilidade, Hotel Sonata de Iracema, Caix Pescados, Destinos Objetivos, Nova Era Aduaneira, Qair Brasil, Cenergias Participações, Termaco Logística, Prática Eventos e Tecer Terminais Portuários, além do apoio da APSV Advogados, Câmara Setorial da Economia Azul, Câmara Brasil Argentina no Ceará, Câmara Brasil-Canadá, Amcham e Câmara Ceará-Israel.

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Fonte: Cenários Comunicação, 2 de setembro de 2026.

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