O elo invisível da internacionalização: por que precisamos valorizar os serviços especializados, por Clivânia Teixeira
Ao longo da minha trajetória na construção de conexões internacionais entre o Ceará e Portugal, tenho acompanhado de perto o movimento de empresas e investidores interessados na expansão de seus negócios em ambos os mercados.
Essa experiência me permitiu observar um aspecto fundamental e ainda pouco valorizado nesse processo: o papel estratégico da prestação de serviços especializados.
A internacionalização sustentável de um negócio não ocorre de forma isolada. Ela depende, necessariamente, da atuação integrada de profissionais como administradores, advogados, contadores e consultores, que asseguram a conformidade legal, a estruturação adequada e a legitimidade das operações em cada país.
São esses profissionais que transformam intenções em operações viáveis.
Ao longo dos anos, também tenho promovido conexões entre diversas instituições: câmaras de comércio, entidades de apoio e organismos voltados ao desenvolvimento de negócios internacionais. Muitas dessas instituições desempenham um papel relevante ao oferecer incentivos, capacitações e suporte, especialmente para empresas de pequeno porte.
No entanto, há um ponto que merece reflexão:
os prestadores de serviços que viabilizam essas operações raramente são contemplados dentro dessa lógica de apoio.
Não são poucas as situações em que serviços altamente qualificados são prestados de forma gratuita ou subvalorizada, sob a premissa implícita de que conhecimento, tempo e rede de relacionamento estariam naturalmente disponíveis.
Essa prática gera um efeito preocupante: anos de formação, investimento contínuo em atualização e experiência acumulada passam a ser percebidos como algo acessório quando, na realidade, são estruturantes.
Em muitos contextos, especialmente no Nordeste, essa dinâmica se agrava por fatores culturais e históricos que ainda impactam o posicionamento profissional. É comum observarmos a confusão entre gentileza e gratuidade, o que contribui para a desvalorização de serviços essenciais à economia.
Esse cenário nos convida a uma mudança de postura coletiva e estratégica.
É fundamental que:
Empresas e investidores reconheçam o valor dos serviços especializados como parte integrante do investimento;
Profissionais fortaleçam seu posicionamento e valorizem sua entrega;
Instituições associativas e órgãos governamentais ampliem seu olhar, incluindo esses agentes nos programas de incentivo, capacitação e desenvolvimento.
Valorizar a prestação de serviços não é apenas uma questão de justiça profissional, é uma condição para a construção de ambientes de negócios mais sólidos, éticos e sustentáveis.
Fica aqui um convite à reflexão e, sobretudo, à ação.
Por Clivânia Teixeira
Diretora Executiva CBPCE
