Fracht Log: Investimento suíço de R$ 120 milhões fortalece Pecém como hub de logística internacional
Um investimento de aproximadamente R$ 120 milhões realizado pela multinacional suíça Fracht AG resultou na implantação de um novo terminal logístico no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará. A estrutura amplia a capacidade regional de armazenagem e distribuição de cargas refrigeradas, congeladas e industriais, reforçando o papel estratégico do complexo portuário nas rotas comerciais do Atlântico.
De acordo com a empresa, o empreendimento foi desenvolvido pela Fracht Log, responsável pelas operações do grupo no Brasil, e representa o maior projeto greenfield já realizado pela companhia no mundo. Tradicionalmente voltada à expansão por meio de aquisições internacionais, a empresa optou pela primeira vez por desenvolver uma operação construída do zero.
Segundo comunicado da empresa, o terminal entrou em funcionamento há cerca de cinco meses e já atende mais de 50 clientes, incluindo indústrias instaladas no Ceará e em áreas do Matopiba — região agrícola que engloba partes do Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia.
Instalada em uma área de aproximadamente 107 mil metros quadrados, a estrutura reúne cerca de 17 mil metros quadrados de área construída. A capacidade anual estimada é de até 60 mil toneladas de cargas refrigeradas e congeladas, podendo alcançar 174 mil toneladas ao considerar também mercadorias secas.
O terminal dispõe de três câmaras de congelamento com operação de até –25°C, cada uma com mil posições pallet. Uma delas já opera próxima da capacidade máxima e atende a empresa espanhola Robinson Crusoe, cliente âncora responsável pela importação e processamento de sardinha e atum destinados à indústria alimentícia.
Segundo o diretor-geral da Fracht Log, Thiago Abreu, a estrutura funciona como apoio logístico para cadeias produtivas industriais. Conforme informou o executivo, o terminal permite centralizar diferentes etapas da operação, incluindo armazenagem de pescado, insumos metálicos e materiais utilizados na produção de embalagens.
Além do setor alimentício, o espaço também recebe equipamentos industriais, empilhadeiras e cargas da chamada linha amarela, funcionando como estoque avançado para distribuidores.
Infraestrutura logística ampliada
A estrutura conta ainda com um galpão coberto de aproximadamente 10 mil metros quadrados destinado à armazenagem de materiais sensíveis à exposição climática, como bobinas de aço, arames e insumos utilizados na construção civil.
O complexo frigorificado inclui uma câmara fria de cerca de 1.500 metros quadrados equipada com dez docas de operação simultânea e sistemas de nivelamento automático para carga e descarga. O armazém possui pé-direito de 12 metros e sistema de racks galvanizados para armazenagem vertical.
O piso industrial suporta cargas de até sete toneladas por metro quadrado, enquanto o pátio externo pavimentado — com cerca de 65 mil metros quadrados — permite a movimentação de equipamentos industriais de grande porte, incluindo transformadores superiores a 300 toneladas.
Atualmente, a operação emprega cerca de 50 trabalhadores diretos. A expectativa da empresa é ampliar esse número para aproximadamente 100 quando o terminal atingir 80% da capacidade operacional.
Novas demandas ligadas à economia digital
Outro segmento que deve gerar demanda logística é o setor de tecnologia. Segundo a empresa, estão em negociação operações de armazenagem temporária de equipamentos destinados ao futuro data center do TikTok, previsto para ser instalado na Zona de Processamento de Exportação do Ceará.
De acordo com a Fracht Log, esses equipamentos exigem armazenamento em temperatura controlada próxima de 10°C, condição pouco comum em operações logísticas convencionais. A expectativa é que os primeiros embarques cheguem ao Ceará a partir de 2026, com transporte aéreo até Fortaleza e posterior deslocamento até o Pecém.
Apoio operacional ao porto
Localizado a cerca de sete quilômetros do porto, o terminal está conectado diretamente à rodovia de acesso ao complexo e opera por meio de contrato de cessão onerosa firmado com o Governo do Estado do Ceará.
Segundo a empresa, a estrutura foi planejada para atuar como apoio operacional ao porto em períodos de maior demanda logística, ampliando a capacidade de armazenagem fora da área portuária imediata.
O Complexo do Pecém reúne porto, zona industrial e infraestrutura energética em uma área superior a 19 mil hectares voltada ao comércio exterior. Conforme dados do complexo portuário, em 2024 foram movimentadas cerca de 19,6 milhões de toneladas de cargas, superando pela primeira vez a marca de 500 mil contêineres.
Localização estratégica nas rotas internacionais
A posição geográfica do Pecém é apontada como um dos principais fatores para a escolha do investimento. O porto está localizado no ponto do território brasileiro mais próximo da Europa e da costa leste dos Estados Unidos entre os grandes terminais nacionais.
Segundo informações da empresa, rotas marítimas a partir do Pecém podem alcançar Nova York em cerca de nove dias e a Espanha em aproximadamente sete dias, com conexões adicionais para portos do norte europeu.
Essa posição logística contribui para que o Nordeste seja utilizado como plataforma de distribuição internacional para cadeias industriais, agronegócio e projetos ligados à infraestrutura energética e digital.
Desafios logísticos
Apesar do avanço da infraestrutura, a empresa aponta desafios para ampliar as operações logísticas no estado. Entre eles está a ausência de zonas secundárias alfandegadas no Ceará, o que limita a realização de procedimentos aduaneiros fora das áreas portuárias primárias.
Segundo a companhia, a criação dessas zonas poderia ampliar a eficiência logística e permitir maior distribuição das operações retroportuárias no entorno do complexo.
Fonte: Transporte Moderno, 02/03/2026
Link da notícia: https://transportemoderno.com.br/2026/03/02/investimento-suico-reposiciona-o-pecem-como-novo-hub-logistico-do-atlantico/
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