A economia invisível do conhecimento, por Clivânia Teixeira
Vivemos em uma época em que a informação circula com velocidade inédita. Nunca foi tão fácil acessar conteúdos, opiniões, diagnósticos e orientações sobre praticamente qualquer assunto. Paradoxalmente, nunca foi tão difícil perceber o valor do conhecimento verdadeiramente qualificado.
Talvez isso ocorra porque grande parte dos serviços profissionais pertence ao universo do intangível. Não podem ser tocados, armazenados ou exibidos em uma vitrine. São construídos ao longo de anos de estudo, experiências, erros, acertos, observação e atualização permanente.
Por trás de uma orientação aparentemente simples, muitas vezes existem décadas de formação, repertório acumulado, capacidade analítica e visão estratégica. Existe também algo ainda mais raro: a capacidade de compreender contextos, interpretar cenários e identificar o caminho mais adequado para cada situação.
A informação, isoladamente, possui valor. Mas a capacidade de transformá-la em decisão, estratégia e resultado possui um valor muito maior.
Em diferentes áreas de atuação, o mercado vem sendo desafiado a refletir sobre como reconhecer e valorizar adequadamente o conhecimento especializado. Afinal, aquilo que parece simples na entrega costuma ser resultado de um longo percurso de aprendizagem, observação e experiência.
Compartilhar conhecimento continuará sendo uma das mais nobres formas de contribuição. Mas também é importante reconhecer que tempo, experiência, capacidade de análise e visão estratégica constituem ativos valiosos para profissionais, organizações e para a sociedade como um todo.
Quando deixamos de atribuir valor ao saber especializado, corremos o risco de banalizar justamente aquilo que sustenta a inovação, o desenvolvimento e a tomada de decisões de qualidade.
Em uma economia cada vez mais baseada em conhecimento, como distinguir informação, experiência e inteligência aplicada?
Estamos preparados para valorizar cada uma delas?
Por Clivânia Teixeira, Diretora Executiva CBPCE
