Bancos públicos: a base do crédito imobiliário e do desenvolvimento no Brasil, Carlos Luna, sócio CBPCE
Os dados do crédito imobiliário deixam claro: os bancos públicos lideram as menores taxas do mercado e, com isso, definem o “piso” do crédito no Brasil. Enquanto instituições privadas operam acima de 11% a 12% ao ano, bancos públicos e programas habitacionais oferecem taxas entre 4% e 8,16% ao ano, especialmente no Minha Casa, Minha Vida, ampliando o acesso à moradia.
Esse protagonismo é determinante. Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Banco do Nordeste não apenas ofertam crédito — eles operacionalizam a maior parte dos recursos públicos da habitação, especialmente via FGTS e Orçamento Geral da União.
Entre 2019 e 2022, houve redução do protagonismo dessas políticas, com retração das contratações e perda de escala da habitação de interesse social, em um contexto de crédito mais restritivo.
A partir de 2023, observa-se uma retomada consistente. O Minha Casa, Minha Vida voltou a ganhar escala: em 2024 foram cerca de 698 mil contratos, e em 2025 mais de 661 mil unidades financiadas, com forte ampliação dos recursos.
O orçamento também cresceu: o FGTS destinou R$ 144,5 bilhões para habitação em 2026, mais que o dobro de 2022, com execução majoritária pelos bancos públicos.
Esse volume de recursos, quando operado por instituições públicas, não se limita à habitação de interesse social. Ele estrutura o mercado como um todo, ao ampliar liquidez, reduzir o custo médio do crédito e dar previsibilidade ao financiamento de longo prazo — fatores essenciais para o planejamento de incorporadoras, construtoras e investidores.
Na prática, isso significa mais lançamentos, maior geração de empregos na construção civil e dinamização de cadeias produtivas locais. Ou seja, políticas públicas bem direcionadas, aliadas à atuação dos bancos públicos, não apenas ampliam o acesso à moradia, mas sustentam o crescimento do mercado imobiliário em sua totalidade.
Defender bancos públicos é defender um sistema de crédito mais eficiente, com juros mais baixos, maior escala de investimento e impacto direto no desenvolvimento econômico do Brasil.
Por Carlos Luna, sócio CBPCE
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