Inscrições abertas para o II Encontro Nacional do Associativismo Luso-Brasileiro em Ouro Preto

Inscrições abertas para o II Encontro Nacional do Associativismo Luso-Brasileiro em Ouro Preto

Estão abertas as inscrições para o II Encontro Nacional do Associativismo Luso-Brasileiro, que será realizado entre os dias 25 e 27 de março de 2026, na cidade histórica de Ouro Preto (MG). O evento acontecerá no Hotel Vila Galé Ouro Preto Collection e deve reunir importantes lideranças do ecossistema luso-brasileiro.

A iniciativa congregará representantes de Associações de Comunidades Luso-Brasileiras, Consulados e Consulados Honorários, Câmaras Portuguesas de Comércio, Federação Portuguesa no Brasil, além de institutos, fundações, empresas, universidades e instituições públicas e privadas do Brasil e de Portugal.

Com o tema “Associativismo e Sustentabilidade (ESG)”, o encontro propõe um amplo debate sobre práticas sustentáveis, inovação e cooperação bilateral, reforçando o papel do associativismo como agente estratégico para o desenvolvimento econômico, social e institucional entre os dois países. A programação inclui painéis temáticos, grupos de trabalho, experiências culturais e momentos de integração entre os participantes.

Um dos principais resultados esperados do evento é a elaboração da Carta de Minas Gerais, documento que deverá consolidar diretrizes e compromissos para orientar a agenda da diáspora luso-brasileira nos próximos anos, fortalecendo a articulação entre organizações e ampliando oportunidades de parcerias estratégicas.

Após a inscrição, os participantes receberão por e-mail todas as informações detalhadas sobre a programação, opções de hospedagem e logística do evento.

Serviço
Evento: II Encontro Nacional do Associativismo Luso-Brasileiro
Data: 25, 26 e 27 de março de 2026
Local: Hotel Vila Galé Ouro Preto Collection – Ouro Preto (MG)
Inscrições: Via Sympla (Clique aqui)
Informações: encontroassociativo2026@camaraportuguesamg.com.br

Rômulo Alexandre lidera debate sobre economia do mar em evento na Capital

Rômulo Alexandre lidera debate sobre economia do mar em evento na Capital

O advogado Rômulo Alexandre, eleito em dezembro último presidente da Câmara Setorial da Economia Azul da Agência de Desenvolvimento Econômico do Ceará (Adece), promove nesta quinta-feira (15) o Blue Happy Hour, encontro que reunirá lideranças e especialistas para um debate estratégico sobre os rumos da economia do mar. O evento acontece a partir das 16 horas, no lounge da APSV Advogados, em Fortaleza, e terá como convidado especial Miguel Carvalho Marques.

A presença do especialista português ganha relevância diante do novo cenário internacional. “Como ele vai estar em Fortaleza este mês, convidei o Miguel Marques para participar de um debate estratégico. Recentemente houve o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, então, podermos conversar com ele sobre esse assunto é uma oportunidade muito relevante”, afirmou o presidente da Câmara Setorial da Economia Azul.

Segundo Rômulo, o encontro integra uma iniciativa mais ampla de fortalecimento do debate qualificado. “Montamos a plataforma Blue para debatermos os principais temas ligados à economia azul, pois muitas pessoas ainda não compreendem todo o seu alcance. Além da pesca, a economia do mar é muito transversal, pois engloba também a aquicultura, cabos submarinos de fibra óptica, energia eólica offshore, turismo. Muita gente não conhece todo esse potencial. Temos o caso da biotecnologia, como o cultivo de algas, que podem ser usadas em alimentos, cosméticos, fertilizantes, entre outros”, disse.

O Blue Happy Hour será direcionado prioritariamente aos integrantes da Câmara Setorial da Economia Azul da Adece, além de representantes de instituições ligadas ao setor, como a Capitania dos Portos do Ceará, o Iate Clube de Fortaleza, os portos cearenses, universidades e empresários convidados. “Será um momento de muito networking qualificado”, complementou Rômulo Alexandre. Um evento estratégico que conecta inovação, sustentabilidade e desenvolvimento econômico em um contexto cada vez mais globalizado.

Contatos:
Telefone: +55 85 3308 7300
E-mail: relacionamento@apsv.com.br
Site: www.apsv.com.br

Fonte: Portal In em 13.01.2026

Portugal 2030 prevê lançamento de 3,9 mil milhões de euros em avisos para 2026

Portugal 2030 prevê lançamento de 3,9 mil milhões de euros em avisos para 2026

Foi publicado o novo Plano Anual de Avisos do programa Portugal 2030, que estabelece o calendário indicativo de abertura de concursos para candidaturas a fundos europeus ao longo de 2026. De acordo com a TBMB Consultoria empresa sócia da Câmara Brasil-Portugal no Ceará (CBPCE), a iniciativa tem como principal objetivo reforçar a previsibilidade e o planeamento estratégico das entidades interessadas em aceder aos apoios comunitários.

Segundo o plano, está previsto o lançamento de cerca de 3,9 mil milhões de euros em concursos nos próximos 12 meses, com destaque para os avisos enquadrados na plataforma STEP – Strategic Technologies for Europe Platform. Estes concursos deverão ser abertos entre janeiro e abril de 2026 e concentram investimentos relevantes nas áreas de energia, digitalização e biotecnologia.

Entre os principais avisos previstos estão o STEP – Inovação Produtiva (Energia), com uma dotação de 400 milhões de euros, e o STEP – I&D&I Empresarial (Energia), que contará com 115 milhões de euros. Na vertente digital e biotecnológica, o STEP – Inovação Produtiva terá uma dotação de 401 milhões de euros, enquanto o STEP – I&D&I Empresarial (Digital e Biotecnologia) disponibilizará 210 milhões de euros.

No total, estes quatro avisos integrados no COMPETE 2030 representam 94% do investimento previsto, somando mais de 1,115 mil milhões de euros, o que evidencia a forte aposta europeia no reforço da inovação, da competitividade empresarial e do desenvolvimento tecnológico estratégico.

A TBMB Consultoria recomenda que empresas e instituições antecipem desde já o trabalho de preparação e estruturação dos seus projetos, incluindo definição de objetivos, plano de investimento, calendarização, equipa, maturidade tecnológica e evidências técnicas, de forma a responder com qualidade e agilidade quando os avisos forem oficialmente abertos.

Empresa sócia da CBPCE, a TBMB atua no apoio integral aos processos de candidatura a fundos europeus, acompanhando os seus clientes desde a análise de elegibilidade e enquadramento estratégico até à submissão e monitorização dos projetos, assegurando total conformidade com os requisitos legais e regulamentares do Portugal 2030.

Contatos:
Alexandre Jaleco
+351 918 014 057
geral@tbmb.pt
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Após 26 anos de negociação, Mercosul assina acordo com a Europa, por Benício Filho

Após 26 anos de negociação, Mercosul assina acordo com a Europa, por Benício Filho

O papel estratégico da Atlantic Hub na internacionalização de empresas brasileiras

Há momentos na história dos negócios em que o contexto muda mais rápido do que a maioria das empresas consegue perceber. O acordo entre Mercosul e União Europeia, após 26 anos de negociações, é exatamente um desses marcos. Ele não inaugura apenas uma nova fase comercial. Ele antecipa uma nova lógica de expansão, mais sofisticada, mais regulada e, ao mesmo tempo, mais aberta para quem sabe navegar nesse cenário.

E aqui surge uma pergunta inquietante: quem vai apenas comemorar o acordo e quem vai, de fato, transformá-lo em crescimento sustentável? É nesse ponto que a atuação da Atlantic Hub ganha protagonismo.

1. O acordo cria o caminho, mas não garante a travessia

O tratado cria um mercado integrado com mais de 700 milhões de consumidores, reduz tarifas, facilita fluxos e amplia o diálogo econômico. Mas ele não resolve, por si só, os desafios reais da internacionalização. Abrir portas não significa saber atravessá-las.

Empresas brasileiras continuam enfrentando questões concretas: estrutura jurídica, modelo societário, adaptação regulatória, posicionamento de marca, estratégia comercial local e compreensão cultural do mercado europeu. A Atlantic Hub nasce exatamente nesse espaço entre a oportunidade macro e a execução prática.

Internacionalizar não é exportar produtos. É exportar decisões bem pensadas.

2. Portugal como porta de entrada estratégica para a Europa

Dentro desse novo acordo, Portugal se consolida ainda mais como um hub natural de entrada para empresas brasileiras no mercado europeu. Idioma, proximidade cultural, estabilidade jurídica e posição geográfica transformam o país em um verdadeiro trampolim estratégico.

A Atlantic Hub atua diretamente nesse ponto de conexão. Não apenas ajudando empresas a “chegar”, mas a se estabelecer com lógica europeia, respeitando normas, hábitos de consumo, exigências fiscais e expectativas de mercado.

A pergunta que fica é simples e desconfortável: sua empresa quer estar na Europa como visitante ou como residente estratégico?

3. Do acordo comercial à estratégia de internacionalização

O acordo Mercosul e União Europeia reduz barreiras tarifárias, mas eleva o nível de exigência. Sustentabilidade, compliance, governança e rastreabilidade passam a ser critérios centrais. Isso exige preparação, não improviso.

A Atlantic Hub atua como uma ponte inteligente entre estratégia, operação e cultura de negócios. Estrutura planos de internacionalização que consideram o impacto do acordo, mas também o estágio real da empresa, seu fôlego financeiro, sua maturidade de gestão e seus objetivos de longo prazo. Internacionalizar não é sobre pressa. É sobre ritmo certo.

4. Empresas que pensam globalmente crescem diferente

O novo cenário favorece empresas que entendem que a Europa não é apenas um mercado consumidor, mas um espaço de inovação, parcerias estratégicas, acesso a capital e fortalecimento de marca global.

A Atlantic Hub trabalha com essa visão ampliada. Internacionalização não é apenas vender mais. É reposicionar a empresa no mundo, criar novas fontes de receita, diversificar riscos e ampliar horizontes estratégicos.

Aqui cabe outra provocação: sua empresa quer crescer apenas em faturamento ou também em relevância global?

5. O acordo acelera decisões que já deveriam estar no radar

Para muitas empresas, o acordo funciona como um alerta. O que antes parecia distante agora se torna urgente. A pergunta deixa de ser “se” e passa a ser “quando” e “como”.

A Atlantic Hub atua exatamente nesse momento de virada. Ajudando líderes a traduzirem o cenário geopolítico em decisões práticas, cronogramas possíveis e movimentos estruturados. Porque errar na internacionalização costuma ser caro, silencioso e difícil de corrigir.

Planejar bem não elimina riscos, mas evita erros evitáveis.

6. Internacionalização com método, não com improviso

Um dos maiores equívocos das empresas é acreditar que internacionalizar é um movimento isolado. Na prática, trata-se de um processo que envolve jurídico, fiscal, marketing, vendas, pessoas e governança.

O protagonismo da Atlantic Hub está justamente em oferecer uma abordagem integrada, conectando estratégia, execução e acompanhamento. Não se trata de um serviço pontual, mas de uma jornada estruturada, pensada para gerar consistência e longevidade.

Porque no mercado europeu, improviso custa caro e planejamento gera vantagem competitiva.

7. Um novo acordo exige uma nova mentalidade empresarial

O acordo Mercosul e União Europeia envia uma mensagem clara ao empresariado brasileiro: o mundo está mais aberto, mas também mais exigente. Quem se preparar agora colherá resultados nos próximos anos. Quem ignorar o sinal corre o risco de assistir outros ocuparem espaços estratégicos.

A Atlantic Hub se posiciona como parceira desse novo tempo. Um tempo em que internacionalizar deixa de ser um sonho distante e passa a ser uma decisão estratégica consciente, apoiada em dados, método e experiência real.

E fica a pergunta final, que talvez seja a mais importante de todas: Sua empresa está observando esse movimento ou já está se posicionando dentro dele?

O acordo foi assinado. O jogo mudou. A questão agora é simples, mas profunda: qual papel você quer desempenhar nesse novo tabuleiro global?

Contatos:
Site: https://atlantichub.com/
info@atlantichub.com
‪+351 910 297 331

Por Benício Filho
Empresário, conselheiro consultivo, associado a Mensa Brasil, escritor e pesquisador das áreas de mentoring, liderança, inovação e internacionalização.

O novo papel do Brasil na logística global, Por Carlos Alberto Nunes

O novo papel do Brasil na logística global, Por Carlos Alberto Nunes

O ano de 2025 tem evidenciado uma transformação importante no setor logístico brasileiro. Mais do que movimentar cargas, a logística passou a ocupar um papel estratégico nas decisões econômicas, industriais e comerciais do país. Em um cenário marcado por tensões geopolíticas, mudanças tarifárias e reconfiguração das cadeias globais, eficiência, previsibilidade e integração tornaram-se palavras-chave.

Eventos do setor, fóruns técnicos e congressos especializados têm mostrado que o Brasil deixou de ser apenas um elo operacional para se posicionar como agente ativo nas discussões sobre comércio exterior, segurança, agronegócio e energia. A análise recente dos impactos de políticas tarifárias internacionais, por exemplo, reforça como decisões externas influenciam diretamente a competitividade das exportações brasileiras e exigem respostas rápidas da logística.

Outro ponto central é o fortalecimento da cabotagem e da multimodalidade como alternativas para reduzir custos, aumentar eficiência e integrar regiões produtoras aos grandes corredores de exportação. Estados com vocação portuária e industrial ganham relevância nesse processo, especialmente quando conectados a hubs capazes de atender diferentes tipos de carga, do granel sólido aos projetos especiais.

A aproximação com mercados asiáticos, em especial a China, também sinaliza um movimento claro de diversificação de parceiros e ampliação das relações comerciais. Esse diálogo direto com armadores, fornecedores e importadores fortalece a posição brasileira nas negociações globais e amplia oportunidades para diversos setores da economia.

Mais do que números, 2025 deixa como aprendizado a necessidade de planejamento, visão de longo prazo e articulação entre iniciativa privada e poder público. A logística brasileira avança quando deixa de ser apenas custo e passa a ser reconhecida como vetor estratégico de desenvolvimento, competitividade e inserção internacional.

Contatos:
Telefone: +55 85 3315-1415
Email: comercial@tecerterminais.com.br
Site: www.tecerterminais.com.br

Por Carlos Alberto Nunes
Diretor Comercial da Tecer Terminais Portugários Ceará

Ceará fortalece a conectividade aérea e amplia presença no turismo internacional

Ceará fortalece a conectividade aérea e amplia presença no turismo internacional

O desempenho positivo da rota aérea Fortaleza – Caiena e a ampliação das conexões internacionais da capital cearense com a Europa, especialmente com Portugal, confirmam um novo momento para o turismo no Ceará. A avaliação é do titular da Secretaria do Turismo do Ceará (Setur-CE), Eduardo Bismarck, que atribui os resultados a uma estratégia consistente do Governo do Estado, voltada à expansão da malha aérea e à consolidação de Fortaleza como Hub internacional.

Dados da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) reforçam esse avanço. Em 2025, a França liderou o ranking de estrangeiros que mais chegaram ao Fortaleza Airport, com 20.690 turistas. Na sequência aparecem Portugal (17.304), Argentina (14.203), Itália (12.121) e Estados Unidos (9.732), evidenciando a força do mercado europeu no fluxo internacional para o Estado.

“A rota Fortaleza – Caiena tem sido um grande sucesso e ajudou a posicionar a França como a principal nacionalidade estrangeira a visitar o Ceará. Esse resultado é fruto de planejamento, diálogo com as companhias aéreas e, sobretudo, do apoio firme do governador Elmano de Freitas, que entende a conectividade como eixo estratégico para o desenvolvimento do turismo”, afirmou Eduardo.

Portugal em destaque

O secretário também destacou que o crescimento no número de turistas estrangeiros está diretamente ligado ao fortalecimento das ligações com a Europa, em especial com Portugal, impulsionado pelo lançamento de voos da Latam com destino a Lisboa.

“O reforço da ligação com Portugal amplia nossas conexões com a Europa, facilita o fluxo de turistas e negócios, e fortalece ainda mais a presença internacional do Ceará. Estamos colhendo os frutos de uma política consistente, que trata o turismo como vetor de geração de emprego, renda e oportunidades para os cearenses”, completou.

Fonte: Portal In em 13.01.2026

Embaixador de Portugal no Brasil celebra acordo UE-Mercosul: “Não poderíamos ter tido melhor notícia”

Embaixador de Portugal no Brasil celebra acordo UE-Mercosul: “Não poderíamos ter tido melhor notícia”

“É uma notícia para ser recebida com enorme satisfação, e mesmo algum alívio, dada a incerteza que pairou até ao último momento sobre as dinâmicas de voto”. Foi desta forma que o Embaixador de Portugal no Brasil, Luís Faro Ramos, reagiu à decisão do Conselho da União Europeia que, aprovou, na última sexta-feira, 9 de janeiro, o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul. A formalização política será assinalada com a assinatura da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante uma visita oficial ao Paraguai nos próximos dias.

“Não poderíamos ter tido melhor notícia na cena internacional, no início de um ano em que o multilateralismo está mais uma vez ameaçado”, sublinhou este diplomata.

Segundo apurámos, o acordo vai criar a maior zona de livre comércio do mundo, reunindo aproximadamente 720 milhões de pessoas e um PIB combinado superior a 22 trilhões de dólares. A previsão é que esta iniciativa possa eliminar mais de quatro mil milhões de euros em impostos sobre as exportações da UE anualmente.

Especialistas em comércio internacional na América do Sul acreditam que, para além de ganhos comerciais, o acordo representará um importante instrumento de diversificação geopolítica, de fortalecimento do Mercosul como parceiro estratégico e de redução da dependência europeia de mercados como China e Estados Unidos, abrindo assim caminho para investimentos industriais, infraestrutura e inovação tecnológica no bloco sul-americano.

Entre Portugal e Brasil: carne, cereais, azeite e vinho serão beneficiados

Sobre a forma como Brasil e Portugal poderão se relacionar a partir deste momento, no campo do mercado internacional, Faro Ramos acredita que o acordo permitirá a Portugal e o Brasil atuarem com ainda mais interação.

“Há muito que os benefícios do acordo, seja considerando os dois blocos (União Europeia e o Mercosul), seja considerando cada país individualmente, estão identificados. Com regras claras e um mercado de mais de 700 milhões de cidadãos, um dos maiores livres mercados do mundo, o acordo permitirá a Portugal e o Brasil, cujas relações comerciais são tradicionalmente significativas, passarem para um patamar qualitativamente e quantitativamente superior”, comentou Faro Ramos, que revelou que, “do ponto de vista de Portugal, e tendo em conta que uma parte muito significativa das nossas exportações para o Brasil pertence ao setor agroalimentar, o acordo trará benefícios muito relevantes para produtos como o azeite ou o vinho, cujo preço de venda virá a diminuir drasticamente”.

“O mesmo se poderá dizer do Brasil em relação a produtos onde são tradicionalmente fortes, como a carne ou os cereais. Importante é ressaltar que, num sistema de comércio livre internacional, ganha a qualidade e ganham os consumidores”, finalizou Faro Ramos, que aproveitou para alertar que, “o acordo alcançado dia 9 foi ainda um acordo a nível da União Europeia, a assinatura formal deverá ocorrer no final desta próxima semana, no Paraguai segundo as informações de que dispomos”.

Embaixador Cessante

O embaixador Faro Ramos divulgou encontros com autoridades brasileiras para apresentação de cumprimentos de despedida, se reunindo no dia 13 de janeiro com os Ministros de Estado da Defesa e do Meio Ambiente e Ação Climática, José Múcio e Marina Silva, e no dia 12 de janeiro, cumprimentos de despedida aos Ministros da Cultura e do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Margareth Menezes e Wellington Dias. O embaixador segue para Marrocos, após 5 anos no Brasil, e será substituído no cargo pela embaixadora Isabel Brilhante Pedrosa.

Por Igor Lopes

Publicado no Jornal Mundo Lusíada em 14.01.2026

Páginas Vermelhas, com Patrícia Campos: “Internacionalizar exige disposição para se adaptar”

Páginas Vermelhas, com Patrícia Campos: “Internacionalizar exige disposição para se adaptar”

Presidente da Câmara Brasil-Portugal do Ceará, Patrícia Campos avalia que 2026 será decisivo para o ambiente empresarial brasileiro. Entre juros elevados, incertezas fiscais e reforma tributária, ela aponta a previsibilidade da Selic como fator-chave para investimentos e analisa os desafios e oportunidades da internacionalização das empresas cearenses

Presidente da Câmara Brasil-Portugal do Ceará, Patrícia Campos avalia que 2026 será um ano decisivo para a maturidade do ambiente empresarial brasileiro. Em um cenário marcado por juros ainda elevados, incertezas fiscais e a transição da reforma tributária, ela destaca que a trajetória da Selic continuará sendo determinante para o ritmo dos negócios, mas de forma desigual. Para a executiva, mais do que o nível exato da taxa, o fator-chave será a previsibilidade, capaz de estimular investimentos produtivos e atrair capital. Ela também fala do processo de internacionalização das empresas cearenses, seus desafios e oportunidades na Europa.

Confira abaixo a entrevista na íntegra para O Otimista.

O Otimista – Sua trajetória ganhou força no cenário internacional, atuando na área jurídica, especialmente na relação Brasil–Portugal. Como esse caminho foi sendo construído ao longo dos anos e quais experiências marcaram sua atuação até chegar à presidência da entidade?
Patrícia Campos – Tudo aconteceu de forma muito natural. Eu costumo dizer que nunca tracei um plano rígido para ocupar determinados espaços, mas sempre tive clareza sobre como eu queria atuar: de forma ética, colaborativa e comprometida com algo que fosse maior do que interesses individuais. A relação Brasil-Portugal surgiu exatamente nesse contexto: como uma extensão natural desse olhar cooperativo. A internacionalização nunca foi, para mim, apenas uma operação jurídica ou econômica, mas um exercício de construção de pontes, de confiança e de visão de longo prazo. Ao longo dos anos, essas experiências foram se somando na advocacia, na atuação institucional, na consultoria empresarial, até que a presidência da Câmara Brasil Portugal Ceará se tornasse uma consequência natural desse caminho.

O Otimista – Você transita entre os universos jurídico, empresarial e acadêmico. Como essa combinação de experiências aprimora sua capacidade de tomar decisões assertivas sobre internacionalização, atração de investimentos e ambiente regulatório?
Patrícia – O universo jurídico me dá o rigor, a leitura de risco e a capacidade de estruturar decisões com segurança. O ambiente empresarial me traz a realidade do “chão da fábrica”: timing, viabilidade, custo de oportunidade, cultura de execução e impacto direto no caixa, nas pessoas e na reputação. E a academia, em um momento muito importante da minha formação, me deu método, profundidade e senso crítico, a disciplina de estudar, comparar experiências, compreender fundamentos e não decidir apenas pelo “achismo” ou pelo senso comum. Quando falamos de internacionalização e atração de investimentos, essa combinação é decisiva porque esses processos não são apenas técnicos: são estratégicos e humanos. A decisão de levar uma empresa para outro mercado ou de receber um investidor envolve estrutura societária, tributação, contratos, compliance, proteção de ativos, governança e previsibilidade regulatória. Mas envolve também narrativa, posicionamento, credibilidade, capacidade de entrega e alinhamento de expectativas e isso não se resolve apenas com uma boa cláusula contratual.

O Otimista – Na sua avaliação, quais são hoje os principais desafios legais enfrentados pelas empresas cearenses que buscam se internacionalizar para Portugal e para a Europa?
Patrícia – Na prática, eu não acredito que existam desafios legais que não possam ser ultrapassados com segurança quando há vontade real de fazer o melhor. As leis, as regras, especialmente no ambiente internacional, não devem ser vistas como uma barreira, mas como uma ferramenta de organização, proteção e previsibilidade. O que faz diferença, de fato, é a postura do empresário diante do novo mercado. Internacionalizar, assim como abrir uma filial em outro bairro, em outra cidade ou em outro país, exige disposição para se adaptar. Isso significa cercar-se de bons assessores, em todas as áreas, uma excelente logística. Compreender as regras do jogo local e ajustar processos, produtos e mentalidade ao que aquele mercado específico exige. A adaptação precisa ser constante, porque os mercados mudam, as regulações evoluem e o comportamento do consumidor se transforma o tempo todo. Um dos grandes pontos de miopia do empresariado, não apenas no Ceará, mas de forma geral, é acreditar que apenas grandes empresas podem se expandir internacionalmente. Essa lógica não se sustenta mais. Hoje, empresas de qualquer porte e de praticamente qualquer setor podem acessar mercados internacionais — inclusive o europeu — desde que tenham estratégia, planejamento e apoio qualificado.

O Otimista – Na sua visão, como a trajetória da taxa Selic em 2026 deve influenciar o ritmo de crescimento dos negócios no Brasil?
Patrícia – A Selic continua sendo um fator decisivo para o ritmo de crescimento dos negócios no Brasil, porque ela impacta diretamente o custo do dinheiro, o nível de risco que as empresas estão dispostas a assumir e a forma como o empresário planeja o médio e o longo prazo. Em 2026, mais do que o número exato da taxa, o que realmente fará diferença será o caminho que ela vai seguir: se haverá estabilidade, alguma queda gradual ou novas pressões de alta. Eu vejo 2026 menos como um ano em que a Selic trava completamente o crescimento e mais como um ano em que ela separa empresas maduras das menos preparadas.

O Otimista – Quais setores da economia tendem a atrair mais investimentos?
Patrícia – São aqueles que conseguem alinhar crescimento econômico, inovação e altos padrões de sustentabilidade e ESG. O mundo vive uma mudança estrutural de prioridades. Sustentabilidade deixou de ser um discurso aspiracional e passou a ser um critério central de decisão de investimento, tanto no setor privado quanto nas políticas públicas e nos grandes fundos internacionais.

O Otimista – O ambiente macroeconômico será favorável para a retomada da expansão empresarial?
Patrícia – Eu acredito que 2026 será um ano desafiador para as empresas, e isso precisa ser dito com transparência. Não porque o Brasil não tenha oportunidades, mas porque o ambiente ainda deve ser marcado por insegurança, principalmente em razão da implementação da reforma tributária. A reforma é necessária e importante, mas o período de transição traz dúvidas práticas: como tributar, como precificar, como reorganizar estruturas e como planejar investimentos. Em cenários assim, é natural que o empresário fique mais cauteloso. Muitas decisões de expansão acabam sendo revistas, e o foco passa a ser muito mais organização, eficiência e proteção do negócio.

O Otimista – Apesar dos desafios, há oportunidades à vista?
Patrícia – Sim, eu enxergo oportunidades em 2026. E, historicamente, é exatamente em cenários mais difíceis que surgem as melhores e maiores oportunidades para quem está atento e preparado. Momentos de instabilidade obrigam as empresas a repensarem seus modelos, seus custos, seus processos e até a forma como entregam valor ao mercado. Isso acaba revelando lacunas que antes estavam escondidas: necessidades não atendidas, serviços ineficientes, modelos que deixaram de fazer sentido ou demandas que surgem a partir das próprias mudanças econômicas e regulatórias. Crises funcionam como um filtro. Negócios pouco eficientes tendem a sair do mercado, enquanto empresas mais organizadas, flexíveis e estrategicamente posicionadas conseguem ocupar espaços que se abrem. É nesse contexto que surgem bons movimentos de expansão, aquisições, reposicionamento e inovação.

Fonte: O Otimista em 05.01.2026

Como a Propriedade Intelectual aumenta o valuation da sua startup, por Beatriz Carvalho do APSV Advogados

Como a Propriedade Intelectual aumenta o valuation da sua startup, por Beatriz Carvalho do APSV Advogados

Em conversas com investidores, uma pergunta costuma aparecer cedo ou tarde: o que realmente diferencia essa empresa das demais e quem é dono disso?

Propriedade intelectual é o que protege exatamente esse diferencial. Marca, tecnologia, patentes, desenho industrial, software, identidade visual e conhecimento técnico são ativos que sustentam o valor do negócio. Quando não estão organizados, o crescimento vira risco. Quando estão bem estruturados, viram vantagem competitiva.

Na prática, investidores avaliam se a marca está protegida, se a tecnologia pertence à empresa, se há patentes ou registros que reforcem a inovação e se o design dos produtos está resguardado. Também analisam contratos, cessões de direitos e a consistência da titularidade desses ativos. Não se trata apenas de formalidade, mas de segurança para investir.

É comum encontrar empresas com soluções sólidas e mercado validado, mas com lacunas na proteção dos seus ativos intangíveis. Essas lacunas costumam aparecer na due diligence e, muitas vezes, atrasam negociações, reduzem valuation ou exigem ajustes antes da entrada do capital.

Estruturar a propriedade intelectual de forma estratégica é parte do preparo para crescer. Isso envolve entender quais ativos precisam de proteção, escolher o tipo de registro adequado e alinhar contratos e governança à realidade do negócio.

A propriedade intelectual não é um tema isolado no mercado. Ela se conecta diretamente à estratégia, à expansão e à capacidade de atrair investimento de forma segura.

Por Beatriz Carvalho, Advogada na área de Inovação Jurídica do APSV, especializada em assessoria jurídica para startups, investidores e hubs de inovação.

Profissional “Jano”: Dilema de duas faces nas Relações Institucionais e Governamentais, por Josbertini Clementino

Profissional “Jano”: Dilema de duas faces nas Relações Institucionais e Governamentais, por Josbertini Clementino

Na mitologia romana, Jano é o Deus das transições, dos limiares e das passagens. Representado com duas faces, olha simultaneamente para o passado e para o futuro, para dentro e para fora. Poucas imagens simbolizam tão bem a realidade do profissional de Relações Institucionais e Governamentais (RIG).

Assim como Jano, o profissional de RIG vive permanentemente entre dois mundos que operam em lógicas opostas: de um lado, a empresa, pressionada por resultados, prazos, metas e retorno sobre investimento; do outro, o governo, regido por ritos, tempos longos, procedimentos formais, controles e múltiplos centros de decisão.

Esse não é apenas um desafio técnico. É um dilema existencial deste campo profissional.
Duas racionalidades em colisão permanente
O setor privado trabalha sob a lógica da urgência. O relógio é trimestral, o KPI é imediato, a pergunta é sempre: “Quando isso gera resultado?”

O setor público, por sua vez, opera sob a lógica da legalidade, da previsibilidade institucional e da cautela. Processos levam tempo. Decisões passam por filtros políticos, jurídicos e administrativos. Muitas vezes, não avançam.

O profissional de RIG está no meio desse atrito constante. Ele entende profundamente os dois mundos, mas não controla integralmente nenhum deles.
A disrupção invisível: o desgaste de ser o eterno mediador
Aqui surge a grande disrupção, pouco debatida e raramente reconhecida: o desgaste mental e emocional de ser cobrado por resultados que dependem majoritariamente de atores externos.

O profissional de RIG:

É cobrado internamente por decisões que não assina;
Responde por agendas que não controla;
Assume riscos reputacionais por processos que não conduz;
Traduz expectativas privadas para um ambiente público que não funciona por demanda.

Diferentemente de áreas como vendas, marketing ou operações, o RIG não “fecha contratos” sozinho. Seu trabalho é relacional, incremental, cumulativo e, muitas vezes, silencioso.

O paradoxo central do RIG
Aqui está o ponto-chave:

RIG é uma atividade onde o seu sucesso depende, em grande medida, de pessoas que não trabalham para você.
Deputados, senadores, reguladores, técnicos de carreira, assessores, ministros, prefeitos, secretários. Nenhum deles responde hierarquicamente ao profissional de RIG. Ainda assim, deles depende o avanço (ou o bloqueio) da agenda.

Isso gera uma sensação recorrente de impotência funcional:

Você influencia, mas não decide;
Articula, mas não executa;
Constrói pontes, mas não controla quem atravessa.

Como lidar com essa “impotência” sem adoecer
O amadurecimento profissional em RIG passa por aceitar e estruturar essa realidade.

Alguns aprendizados fundamentais que tive ao longo da minha trajetória:

Trocar controle por influência: RIG não é sobre comando, é sobre construção de ambiente favorável.
Educar a empresa sobre tempo institucional: Quanto mais o C-level entende o funcionamento do Estado, menor a pressão irrealista.
Medir sucesso além do “sim” ou “não”: Avanços de agenda, redução de risco, antecipação regulatória e reputação também são resultado.
Separar identidade pessoal do resultado político: Nem todo “não” é fracasso. Muitas vezes, é preservação estratégica.
Reconhecer que RIG é trabalho de médio e longo prazo: Quem busca gratificação imediata dificilmente sustenta a carreira.

RIG como guardião dos limiares
Assim como Jano, o profissional de RIG não pertence totalmente a nenhum dos lados. Atua no limiar, na fronteira entre interesses, narrativas e tempos distintos.

Esse lugar é desconfortável, mas é exatamente aí que está o valor estratégico deste campo de atuação profissional.
RIG maduro entende que seu papel não é acelerar o Estado artificialmente, nem desacelerar a empresa por conveniência política. Seu papel é traduzir mundos, alinhar expectativas e reduzir riscos em um ambiente estruturalmente complexo.

No fim, a pergunta não é se o profissional de RIG consegue controlar o processo. A pergunta é:

Ele consegue sustentar o equilíbrio entre as duas faces sem perder a própria?

Por Josbertini Clementino
Especialista em Relações Institucionais e Governamentais l Políticas Públicas l Gestão de Projetos e Stakeholders l Conselheiro de Administração IBGC l Regulatório l Advocacy l RIG l RelGov