Pela primeira vez liderada por uma mulher, a Câmara Brasil Portugal no Ceará potencializa negócios entre Ceará e Portugal

Pela primeira vez liderada por uma mulher, a Câmara Brasil Portugal no Ceará potencializa negócios entre Ceará e Portugal

A promoção de negócios entre Ceará e Portugal é uma bandeira da primeira mulher eleita presidente da Câmara Brasil Portugal no Ceará (CBPCE), Patrícia Campos. E o vento está a favor. O estado alcançou o maior crescimento industrial do Nordeste no último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), publicado em novembro, mas com base em setembro. O desempenho colocou o estado à frente das médias regional e nacional, cujas variações foram de -0,1% e -0,4%, respectivamente. Outro levantamento, desta vez publicado pela Revista Forbes, em outubro, aponta que 1.600 empresas portuguesas estão instaladas no Ceará, sendo o estado o líder em investimento direto português.

Dentro desse contexto, a Câmara Brasil Portugal se potencializa como um facilitador para os negócios de Portugal no Ceará e do Ceará em Portugal, promovendo o fortalecimento das relações bilaterais, incentivando a cooperação empresarial entre Brasil e Portugal. “Nossa atuação se baseia em construir pontes reais e efetivas entre o Ceará e Portugal, criando condições para que empresas de todos os portes possam se internacionalizar com segurança e planejamento. Nosso papel é orientar, abrir caminhos institucionais e reduzir barreiras para que o empreendedor brasileiro enxergue Portugal como uma porta de entrada estratégica para a União Europeia”, destaca Patrícia. A presidente da CBPCE aponta que a instituição realiza desde o diagnóstico inicial do potencial de cada empresa até a inserção em ecossistemas de inovação e o acesso a fundos de investimento internacionais.

“Avaliamos o perfil do produto, as exigências regulatórias europeias, certificações necessárias e ajudamos a definir a melhor estratégia de entrada, seja exportação, parcerias locais ou a abertura de uma filial. Nossa atuação se baseia em construir pontes reais e efetivas entre o Ceará e Portugal, criando condições para que empresas de todos os portes possam se internacionalizar com segurança e planejamento. Nosso papel é orientar, abrir caminhos institucionais e reduzir barreiras para que o empreendedor brasileiro enxergue Portugal como uma porta de entrada estratégica para a União Europeia. Por meio dos nossos associados, podemos oferecer apoio jurídico, tributário e financeiro, com uma rede de especialistas que garante conformidade legal e segurança nas operações. Damos a orientação e apoio institucional. Além disso, promovemos conexões com programas como o Portugal 2030, investidores, aceleradoras e órgãos de fomento, ampliando as possibilidades de captação de recursos”, ressalta.

Patricia Campos é sócia do escritório Campos Advocacia Corporativa e Internacional e da Campos Aguiar Consultoria, com operação em Portugal, e possui uma carreira marcada pela liderança em diversas entidades de relevância no setor jurídico e empresarial, até chegar à presidência da CBPCE. Sobre a entidade, ela aponta que outro eixo essencial é a integração dos empresários ao ecossistema português de inovação. “Conectamos nossas empresas a universidades, centros de pesquisa e polos tecnológicos, criando oportunidades para desenvolver produtos, soluções e parcerias científicas. Complementamos esse trabalho com missões empresariais e rodadas de negócios, onde aproximamos diretamente os empreendedores de municípios portugueses, investidores e potenciais parceiros comerciais. Acredito que internacionalizar é pensar globalmente e inovar com propósito. Meu trabalho à frente da CBPCE é garantir que cada empresa cearense que deseje dar esse passo tenha suporte, informação e portas abertas. Nossa missão é conectar sonhos e oportunidades entre o Ceará e Portugal, e transformar esse potencial em resultados concretos”, aponta.

Missões empresariais

Uma das estratégias da Câmara para aproximar os mercados é a realização de missões empresariais. Na agenda de 2026, a primeira levará em maio, empresários cearenses para Portugal, e tem como foco o agronegócio. “A Missão Técnica e Empresarial de Agronegócios Portugal, que faremos no primeiro semestre de 2026, é uma ação estratégica para o setor agrícola. A missão inclui visitas técnicas a polos produtivos, centros de pesquisa e empresas portuguesas, além de reuniões com investidores, câmaras municipais e órgãos de fomento, proporcionando uma imersão prática no ecossistema agrícola de Portugal. O objetivo é oportunizar uma troca de experiências, para fortalecer ainda mais a competitividade do agronegócio cearense, estimular inovação aplicada ao campo e abrir caminhos para investimentos e colaborações sustentáveis entre Brasil e Portugal. O Ceará possui muitos atrativos para esse tipo de investimento”, diz.

Outra missão no calendário da CBPCE, como revela Patrícia, será a Missão Internacional do Esporte, ainda em 2026, que pretende conectar os diversos profissionais e instituições que integram o ecossistema esportivo, gestores, técnicos, atletas, investidores, educadores e empreendedores, entre o Brasil, Portugal e outros países da Europa. A iniciativa busca promover a troca de experiências, fomentar parcerias estratégicas e impulsionar o desenvolvimento do esporte como vetor de inovação, educação e integração social.

Geminação de cidades

A gestão de Patricia Campos à frente da Câmara Brasil Portugal no Ceará vem realizando também um trabalho de convênios com cidades do Ceará para geminação com cidades de Portugal, a fim de realizar o intercâmbio de experiências e atrair investimentos. “O programa vai muito além de uma simples parceria formal. Criamos uma estrutura de colaboração contínua que conecta governos, empresas, universidades e centros de pesquisa, e já estamos fechando colaboração com algumas prefeituras cearenses. A geminação permite que as cidades compartilhem boas práticas, tecnologias e experiências em áreas estratégicas como inovação, educação, empreendedorismo e desenvolvimento econômico. Iniciativas de sucesso podem ser replicadas em Portugal e projetos portugueses podem inspirar soluções aplicáveis no Ceará, criando um ciclo constante de aprendizado e inovação”, destaca Patrícia.

Além disso, segundo a presidente da CBPCE, a geminação abre oportunidades de intercâmbio acadêmico, atração de investimentos e desenvolvimento de novos negócios, fortalecendo o ambiente empresarial e tecnológico. “Também incentiva a integração de pequenas e médias empresas do interior, que passam a ter acesso a mercados internacionais e programas de cooperação. Em resumo, a geminação é um vetor de desenvolvimento estratégico que transforma relações institucionais em oportunidades reais de crescimento mútuo, consolidando o Ceará como protagonista no cenário de cooperação internacional com Portugal’’, conclui.

Expolog 2025 destaca inovação, tecnologia e experiências imersivas na logística

Expolog 2025 destaca inovação, tecnologia e experiências imersivas na logística

A Expolog 2025 chega com uma proposta renovada, unindo tecnologia, conhecimento e experiências imersivas que reforçam seu papel como um dos maiores eventos de logística do Brasil. Com o tema “Logística e Transformação”, a feira promete uma edição ainda mais interativa, que culminará com a grande final de suas atividades acontecendo dentro do próprio evento.

Os participantes terão acesso a vivências exclusivas, incluindo duas visitas técnicas a importantes polos logísticos do Ceará: o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) e o Porto do Mucuripe. As visitas permitirão entender de perto o funcionamento de estruturas estratégicas para o escoamento de cargas e para o desenvolvimento econômico do estado.

Em 2025, a Expolog também expandiu suas fronteiras digitais. O evento ganhou um novo endereço: o celular. Com o aplicativo oficial disponível pela plataforma DOIT, o público poderá acompanhar toda a programação em tempo real, interagir com conteúdos, acessar informações e vivenciar o evento de forma integrada.

As inscrições já estão abertas no site oficial da Expolog. Para participar, basta se cadastrar e baixar o aplicativo da DOIT, que será a principal porta de entrada para toda a experiência da feira.

Serviço:
Expolog 2025
Data: 26 e 27 de novembro de 2025,
Local: Centro de Eventos do Ceará
Mais informações: https://feiraexpolog.com.br/

Fonte: A Noticia do Ceará em 15.11.2025

Algodão quebra recordes de exportação em 2025

Algodão quebra recordes de exportação em 2025

O ano de 2025 está se desenhando como um marco histórico para a cotonicultura nacional. Com um ritmo de embarques que impressiona até os analistas mais otimistas, o Brasil caminha para superar todos os recordes anteriores e se firmar ainda mais como um dos líderes mundiais no fornecimento de algodão.

Dados recentes do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) indicam que o volume exportado em outubro foi o maior já registrado para o mês, impulsionado por uma combinação de fatores que vão da fazenda ao porto. Esse cenário positivo é fruto de anos de investimento em tecnologia, sustentabilidade e, acima de tudo, do trabalho incansável do produtor rural, que transformou o algodão brasileiro em sinônimo de qualidade e confiança no mercado internacional.

O que está por trás do sucesso do algodão brasileiro?
O crescimento notável do Brasil no mercado global de algodão não aconteceu por acaso. É o resultado de uma estratégia bem-sucedida que une produtividade, tecnologia e um forte compromisso com a sustentabilidade. A maior parte da produção nacional vem do Cerrado, em um sistema predominantemente de sequeiro, o que já representa um grande diferencial. O produtor brasileiro se especializou em utilizar a tecnologia a seu favor, com agricultura de precisão, colheita 100% mecanizada e variedades geneticamente melhoradas, muitas delas desenvolvidas pela Embrapa, que garantem uma fibra mais longa, resistente e limpa.

Além da excelência produtiva, a rastreabilidade e a certificação são pilares que sustentam essa expansão. Programas como o Algodão Brasileiro Responsável (ABR), gerido pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), atestam que a produção segue rigorosos critérios ambientais, sociais e econômicos. Essa garantia de origem e de boas práticas abre portas nos mercados mais exigentes, que hoje buscam não apenas um produto de qualidade, mas uma cadeia produtiva transparente e ética. É essa combinação que torna a pluma brasileira tão competitiva e desejada mundo afora.

Exportações brasileiras de algodão em números recordes
Os números falam por si e confirmam o momento excepcional vivido pelo setor. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pelo Cepea, até a primeira semana de novembro de 2025, o Brasil já havia exportado 2,326 milhões de toneladas de algodão. Este volume já supera o total embarcado em anos inteiros anteriores, com a única exceção de 2024, que fechou com 2,77 milhões de toneladas. A expectativa, no entanto, é que essa marca seja batida. Se o ritmo diário dos embarques se mantiver intenso em novembro e dezembro, 2025 tem tudo para estabelecer um novo recorde anual para as exportações brasileiras de algodão.

Esse desempenho é impulsionado pelo avanço do beneficiamento da safra, que transforma o algodão colhido na pluma pronta para exportação, e pelo escoamento eficiente do grande volume produzido. Outro fator crucial é o preço externo, que tem se mostrado mais atrativo para o produtor do que o praticado no mercado interno. Essa conjuntura favorável permite que o Brasil atenda à forte demanda global, especialmente de gigantes da indústria têxtil, consolidando sua posição entre os maiores exportadores do planeta e garantindo um fluxo de receita vital para o agronegócio nacional.

Principais destinos e a confiança do mercado internacional
A pluma brasileira viaja o mundo e veste milhões de pessoas, mas alguns destinos se destacam como os principais compradores. Tradicionalmente, países asiáticos lideram a lista, sendo os maiores polos da indústria têxtil global. Nações como China, Vietnã, Bangladesh, Paquistão e Turquia são clientes fiéis do algodão brasileiro, valorizando suas características de fibra longa e alta qualidade, ideais para a produção de tecidos finos e resistentes. A confiança desses mercados não se baseia apenas na qualidade intrínseca do produto, mas também na regularidade do fornecimento e na segurança contratual que os exportadores brasileiros oferecem.

A crescente demanda por produtos sustentáveis também fortalece as exportações brasileiras de algodão. O alinhamento do programa ABR com iniciativas internacionais, como a Better Cotton Initiative (BCI), confere uma credencial de peso à pluma nacional. Os compradores sabem que, ao adquirir algodão do Brasil, estão investindo em um produto que respeita o meio ambiente e as leis trabalhistas. Essa reputação positiva é um ativo valioso que diferencia o Brasil de outros concorrentes e garante a preferência dos maiores players da indústria têxtil mundial, que estão cada vez mais pressionados por seus consumidores a adotar cadeias de suprimento responsáveis. Clique aqui e acompanhe o agro.

Da lavoura ao porto: os desafios do produtor
Apesar dos números expressivos, a jornada do algodão do plantio ao navio é complexa e cheia de desafios para o produtor. Cada safra é um ciclo de planejamento cuidadoso, trabalho duro e gerenciamento de riscos. O sucesso das exportações brasileiras de algodão começa muito antes do embarque, com decisões tomadas ainda na fazenda. Para o cotonicultor, o dia a dia envolve uma série de etapas cruciais para garantir uma colheita de qualidade e rentável.

Planejamento da safra, incluindo a escolha da variedade mais adaptada à região e a rotação de culturas para a saúde do solo;
Manejo integrado de pragas e doenças, buscando um equilíbrio entre o controle eficiente e o uso consciente de defensivos;
Monitoramento constante do clima, pois o excesso ou a falta de chuva em momentos-chave pode comprometer toda a produção;
Execução precisa da colheita mecanizada, definindo o momento ideal para garantir uma fibra limpa e com o mínimo de contaminação;
Acompanhamento do beneficiamento e da classificação da pluma, etapas que definem o valor final do produto;
Gestão da logística de escoamento, enfrentando os desafios de transporte das fazendas até os portos.
Superar esses obstáculos exige conhecimento técnico, investimento e uma grande capacidade de adaptação. O recorde nas exportações é, em essência, o reconhecimento da competência do produtor de algodão, que consegue entregar um produto de excelência mesmo diante de um cenário agrícola sempre desafiador.

O panorama para o algodão brasileiro é extremamente positivo. Os recordes de exportação em 2025 não são um ponto de chegada, mas um indicador da força e do potencial de um setor que se modernizou, abraçou a sustentabilidade e conquistou o mundo com qualidade. O sucesso das exportações brasileiras de algodão reflete a sinergia entre o campo, a pesquisa e o mercado, mostrando que o agronegócio nacional continua a ser um motor de desenvolvimento e uma referência global em produtividade e responsabilidade. O futuro da pluma brasileira parece tão brilhante e promissor quanto a própria fibra.

Fonte: Agro News em 19.11.2025

O futuro das Relações Institucionais e Governamentais é coletiva ou não é? por Josbertini Clementino

O futuro das Relações Institucionais e Governamentais é coletiva ou não é? por Josbertini Clementino

O tempo das vozes isoladas e das agendas setoriais restritas está chegando ao fim. Hoje, influenciar exige convergência, não imposição. A legitimidade deixou de ser construída por acessos individuais e passou a depender da capacidade de formar alianças sólidas, baseadas em confiança e propósito comum.

Entramos na “Era das Coalizões”: um tempo em que o poder não está em quem fala mais alto, mas em quem fala junto.
A complexidade dos temas públicos e a interdependência entre setores impõem um novo modelo de governança. Nenhuma organização, seja pública, privada ou social, consegue avançar sozinha. As decisões que configuram o futuro exigem redes de diálogo, parcerias intersetoriais e construção de soluções coletivas.

Do interesse ao propósito coletivo
RIG ainda é percebido como uma prática voltada à defesa de interesses específicos, seja corporativo, setorial ou institucional. Um campo marcado pela busca de acesso, influência e posicionamento político. Mas o mundo mudou, e com ele o conceito de influência.

A sociedade passou a cobrar transparência, coerência e propósito. As empresas e organizações que desejam ser ouvidas precisam mostrar por que suas pautas também importam para o interesse público.

O que antes era uma agenda interna, hoje precisa dialogar com causas sociais amplas, com impactos mensuráveis e legitimidade reconhecida.
Nesse contexto, o verdadeiro poder está em transformar interesses privados em causas públicas. Coalizões legítimas nascem justamente de convergências unindo técnica e ética, estratégia e empatia, resultado e responsabilidade. O que legitima um movimento de influência hoje não é meramente o poder econômico, mas a capacidade de produzir soluções coletivas com base em evidências e diálogo.

O novo papel do profissional de RIG
O profissional de RIG do tempo presente e futuro precisa ir além da negociação. A mediação entre instituições e governo já não se sustenta apenas em argumentos técnicos ou acesso político. O verdadeiro diferencial está em traduzir complexidades, conectar atores e gerar valor coletivo.

Mais do que articulador, esse profissional se torna um curador de convergências, alguém capaz de perceber onde agendas aparentemente divergentes podem se encontrar.

Sua principal habilidade deixa de ser o convencimento e passa a ser a composição, transformando conflitos de interesse em espaços de diálogo produtivo.
Essa mudança de papel exige uma combinação diferenciada de competências: escuta ativa, inteligência política e visão sistêmica. Empatia para compreender o contexto dos outros; estratégia para antecipar movimentos; e capacidade analítica para propor soluções que façam sentido para todos os lados da mesa.

O profissional de RIG contemporâneo precisa ser tão bom em ler pessoas quanto em ler políticas.
Influenciar, hoje, é um ato de cocriação, não de imposição. A construção de consenso é o novo campo de disputa, e os grandes influenciadores institucionais são aqueles que mobilizam conhecimento, constroem confiança e traduzem propósito em política pública. O futuro da influência não pertence a quem fala por todos, mas a quem faz todos falarem juntos.

RIG moderno é colaborativo, empático e orientado por evidências. O profissional de destaque não é o que defende uma posição isolada, mas o que facilita o entendimento que permite avançar.
Influência com propósito
Coalizões verdadeiras não são apenas alianças estratégicas e não se constroem pela pressão, mas pela articulação qualificada. O papel de quem atua em RIG hoje é mediar perspectivas, unir diferenças e criar entendimento entre mundos que, muitas vezes, não se escutam. Influenciar, nesse sentido, é construir pontes, e não muros.

A influência com propósito é aquela que gera impacto sem romper relações, que propõe sem impor. É mister entender que cada negociação, cada política pública, cada pacto firmado é, antes de tudo, uma oportunidade de fortalecer as partes e renovar a confiança social. A influência deixa de ser instrumento de poder e passa a ser ferramenta de construção coletiva.

O que percebo de maneira simples e límpida é que sozinho, ninguém aprova nada. O presente e futuro das Relações Institucionais e Governamentais é coletiva, ou simplesmente não será.

Por Josbertini Clementino
Especialista em Relações Institucionais e Governamentais l Políticas Públicas l Gestão de Projetos e Stakeholders l Conselheiro de Administração IBGC l Regulatório l Advocacy l RIG l RelGov

Funcex defende modelo de “inteligência comercial” entre países de língua portuguesa

Funcex defende modelo de “inteligência comercial” entre países de língua portuguesa

A Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais (Funcex), com sede no Brasil, propõe um modelo de comércio exterior orientado por inteligência, por meio de análise preditiva, entre Brasil, União Europeia e a África lusófona.

Responsáveis pela Funcex afirmam que “estudos de mercado e plataformas digitais, quando aplicados de modo prático, orientam as decisões sobre preços, logística, certificações e estratégias de entrada, permitindo que os exportadores tomem decisões mais rápidas baseadas em dados concretos”.

A Funcex ressalta que “a análise de dados permite identificar oportunidades antes dos concorrentes”.

“Por meio de sistemas de análise preditiva e do cruzamento de indicadores de importação e exportação, é possível identificar mercados emergentes, nichos de oportunidade e parceiros estratégicos”, afirmou Antônio Carlos da Silveira Pinheiro, presidente da Funcex, entidade que tem atuação também em Portugal, através da Funcex Europa.

Por Igor Lopes
Publicado no Jornal Mundo Lusíada

Investir em Portugal Diretrizes Estratégicas e o Papel das Câmaras de Comércio no Planejamento para o Novo Ano

Investir em Portugal Diretrizes Estratégicas e o Papel das Câmaras de Comércio no Planejamento para o Novo Ano

Portugal permanece como um dos destinos mais atrativos para investidores internacionais, em especial para empresários brasileiros que buscam segurança jurídica, inserção na União Europeia, ambiente de negócios competitivo e forte vocação para inovação. A Estratégia Portugal 2030 , aprovada no âmbito governamental, organiza prioridades nacionais e oferece parâmetros claros para investimentos alinhados ao desenvolvimento sustentável, competitivo e inclusivo.

Com a aproximação de um novo ciclo anual, o período de planejamento empresarial torna-se propício para avaliar oportunidades, estabelecer parcerias estratégicas e estruturar iniciativas que dialoguem com os objetivos nacionais portugueses.

A Estratégia Portugal 2030 estrutura-se em agendas centrais que funcionam como referência para investidores que desejam ingressar ou ampliar presença no país. Entre os eixos prioritários, destacam-se:

a) Inovação, digitalização e qualificação
Portugal elegeu a inovação tecnológica e a transformação digital como pilares de crescimento. Projetos que incorporem tecnologia, promovam formação especializada ou dinamizem cadeias produtivas possuem forte aderência à estratégia nacional.

b) Sustentabilidade e transição climática
A transição energética, o uso eficiente dos recursos naturais e a descarbonização estão entre os compromissos nacionais. Investimentos em energias renováveis, economia circular, tecnologias verdes e gestão ambiental são fortemente incentivados.

c) Competitividade externa e coesão territorial
Há incentivo explícito para investimentos que ampliem a participação portuguesa nos mercados globais, fortaleçam exportações e apoiem a dinamização de regiões fora dos grandes centros. Investidores dispostos a estabelecer-se em zonas menos centrais podem beneficiar-se de incentivos adicionais e melhores condições de instalação.

d) Pessoas, inclusão e equidade
O capital humano @PESSOAS2030 é central para Portugal. Iniciativas que promovam formação, empregabilidade qualificada, inclusão social e bem-estar encontram ambiente favorável e podem tornar-se diferencial para empresas em expansão.

Oportunidade de Planejamento para 2025

O encerramento de um ciclo anual convida investidores a rever estratégias, reposicionar capital e mapear novos mercados. Portugal oferece:
– Ambiente regulatório estável
– Facilidade de constituição de empresas
– Elevada segurança jurídica
– Integração total com o espaço europeu
– Incentivos a inovação, sustentabilidade e internacionalização

Assim, o início de um novo ano é momento ideal para consolidar planos de investimento, conduzir estudos de mercado e engajar-se em redes institucionais.

O Papel das Câmaras de Comércio no Fomento ao Investimento

As Câmaras de Comércio bilaterais, como a Câmara Brasil Portugal no Ceará – CBPCE e demais estruturas congêneres, assumem protagonismo crescente na facilitação dos fluxos de investimento entre os dois países. Atuando como ponte institucional, exercem funções relevantes:

a) Inteligência de mercado
Fornecem informação qualificada sobre setores prioritários, estrutura regulatória, tendências econômicas e oportunidades regionais.

b) Articulação institucional
Conectam investidores a organismos governamentais, agências de promoção de investimentos, associações empresariais e potenciais parceiros locais.

c) Missões empresariais e networking
Organizam agendas técnicas, rodadas de negócios e visitas setoriais, permitindo ao investidor conhecer in loco o mercado, reduzir riscos e acelerar a tomada de decisão.

d) Redução do risco empresarial
Oferecem suporte em temas legais, regulatórios e logísticos, contribuindo para processos de internacionalização mais seguros, rápidos e eficazes.

e) Promoção da cultura de cooperação
Aproximam ecossistemas empresariais, estimulam a troca de know-how e fortalecem cadeias de valor bilaterais.

Não se trata apenas de “introduzir investidores no país”, mas de acompanhar o ciclo completo de maturação de negócios, favorecendo a criação de valor sustentável.

Caminhos para o Investidor Brasileiro

Considerando o alinhamento estratégico de Portugal, recomenda-se que investidores interessados:

Mapeiem oportunidades compatíveis com a Estratégia Portugal 2030, especialmente em tecnologia, energia, sustentabilidade, logística, saúde, educação e economia criativa.
Busquem parcerias com Câmaras de Comércio, aproveitando sua capacidade de articulação e inteligência institucional.

Valorem projetos enraizados regionalmente, sobretudo em áreas fora dos grandes polos urbanos.

Planejem com ênfase em inovação, qualificação e exportação.

Incorporem critérios ESG como vantagem competitiva.

Aproveitem programas europeus de incentivo e financiamento, quando aplicáveis.

Portugal projeta-se como plataforma estratégica para negócios globais, graças ao seu ambiente estável, políticas integradas e forte compromisso com inovação e sustentabilidade. Com o novo ano, abre-se uma janela de oportunidades para investidores que desejam crescer de forma responsável, conectada com a matriz europeia e com o dinamismo luso-brasileiro.

As Câmaras de Comércio emergem como agentes centrais nesse processo, ampliando pontes, facilitando integração e sustentando decisões empresariais mais sólidas.

Trata-se, portanto, de momento privilegiado para investidores que almejam não apenas retornar capital, mas construir legado.

Por Clivânia Teixeira
Diretora Executiva CBPCE

A artista visual Alice Dote, sócia da CBPCE, realiza sua primeira exposição individual no Centro Cultural Banco do Nordeste

A artista visual Alice Dote, sócia da CBPCE, realiza sua primeira exposição individual no Centro Cultural Banco do Nordeste

A artista visual e pesquisadora Alice Dote, sócia da Câmara Brasil-Portugal no Ceará (CBPCE), apresenta sua primeira exposição individual intitulada “O nome disso não é fome”, no Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB), em Fortaleza. A mostra, que conta com curadoria de Eduardo Bruno e Waldirio Castro, da Plataforma Imaginários, tem abertura marcada para o dia 22 de novembro, com a presença da artista e dos curadores.

Composta por 19 pinturas a óleo e uma videoperformance, a exposição propõe uma reflexão sensível sobre o olhar do desejo na pintura, explorando o ato de pintar como um gesto erótico, capaz de representar e despertar o desejo no espectador.

A mostra consolida um novo momento na trajetória de Alice Dote, destacando sua pesquisa estética e conceitual no campo das artes visuais contemporâneas.

Abertura: 22 de novembro
Local: Centro Cultural Banco do Nordeste – Fortaleza
Entrada gratuita

Contatos:
Alice Dote
E-mail: alicedote@gmail.com
Instagram: https://www.instagram.com/alicedote/
Site: www.alicedote.com

Pecém, um ecossistema de negócios: governança, investimentos, cooperação e resultados

Pecém, um ecossistema de negócios: governança, investimentos, cooperação e resultados

O Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) é, hoje, uma das experiências mais bem-sucedidas de cooperação empresarial e institucional do Brasil. Desde os anos 2000, quando o terminal portuário deu origem às primeiras indústrias ligadas à geração de energia, a trajetória do Pecém foi marcada por uma característica singular: a capacidade das empresas de se reconhecerem como parte de uma agenda comum e atuarem de forma articulada com o Estado do Ceará e outros atores públicos e privados.

Foi nesse ambiente que nasceu a Associação das Empresas do CIPP (AECIPP), que ao longo da última década consolidou-se como um núcleo vital de articulação do ecossistema. Ao padronizar boas práticas, fortalecer fóruns temáticos e dar previsibilidade a pautas críticas, a AECIPP transformou a cooperação em motor de competitividade. No Pecém, a força do associativismo se tornou o verdadeiro diferencial competitivo: unindo empresas, governo e comunidade em torno de uma visão compartilhada de desenvolvimento.

“O associativismo tem sido a chave para transformar desafios comuns em soluções coletivas. Na prática, isso significa que o ambiente jurídico do CIPP foi moldado para reduzir riscos e dar previsibilidade. É nessa convergência entre cooperação empresarial e segurança jurídica que se consegue transformar o Pecém em uma referência nacional e internacional.”

— Igor Gonçalves, coordenador do programa de internacionalização do APSV Advogados

Associativismo como vetor de transformação

A lógica de investimentos nacionais e estrangeiros encontrou no CIPP não apenas infraestrutura portuária e retroárea estruturada, mas um ambiente de governança coletiva capaz de reduzir custos de transação e acelerar decisões. O associativismo, liderado pela AECIPP, permitiu que gargalos sistêmicos fossem enfrentados de forma coordenada e que investimentos intensivos em capital fossem viabilizados em ritmo que nenhum agente isolado conseguiria alcançar.

Essa prática se traduziu em um ciclo virtuoso: ampliação da base industrial, qualificação de fornecedores locais, elevação do padrão de serviços e, sobretudo, previsibilidade para investidores nacionais e internacionais.

Previsibilidade, infraestrutura e demanda

Graças a esse ambiente associativo, o Pecém demonstrou capacidade de oferecer estabilidade regulatória e segurança contratual, fatores decisivos para investimentos em setores de alta complexidade.

Projetos de hidrogênio verde, siderurgia de baixo carbono, energias renováveis e data centers confirmam que o CIPP atrai atenção global. Esses investimentos são consequência direta da mobilização conjunta das empresas, que posicionaram o Pecém como hub industrial, energético e de dados para a próxima década.

“Os incentivos fiscais da ZPE Ceará foram fundamentais para criar um ambiente competitivo capaz de atrair investimentos bilionários. A segurança jurídica nesse processo é decisiva: não basta o benefício existir, é preciso garantir que ele seja aplicável de forma clara, previsível e estável. Essa foi a chave para transformar a ZPE em vetor de expansão industrial no Pecém.”

— Pedro Albuquerque, sócio-fundador do APSV Advogados

Capital humano e diferencial ESG

Outro campo em que o associativismo faz diferença é na qualificação da mão de obra. Programas de formação e parcerias com universidades e centros de pesquisa são viabilizados pelo esforço conjunto das empresas coordenadas pela AECIPP. Esse alinhamento reduz custos, acelera a inovação e amplia a base de profissionais especializados.

No mesmo espírito coletivo, a ZPE Ceará tornou-se laboratório de uma industrialização de baixo carbono, vinculando novas plantas ao uso de 100% de energia renovável. Essa conquista não se explica apenas pela legislação, mas pela força de um ecossistema que compreende a sustentabilidade como pilar central de competitividade.

“Os investidores que chegam ao Pecém buscam escala, mas também exigem sustentabilidade. O fato de a ZPE Ceará vincular novas plantas ao uso de 100% de energia renovável demonstra como a regulação pode ser aliada da inovação. Nosso papel tem sido justamente traduzir esses marcos legais em estruturas contratuais sólidas, que viabilizam negócios de longo prazo.”

— Gabriela Romero, sócia do APSV Advogados

Esses aspectos não passam ao largo do CIPP, que continuamente acomoda projetos concebidos com atributos legais e comercialmente relevantes, incluindo rastreabilidade de carbono, previsibilidade de custo energético, possibilidade de uso de energias renováveis e maior aceitabilidade socioambiental. Esses pontos, juntos, facilitam financiamentos, aceleram time-to-market e ampliam o leque de parceiros em cenário global.

“O crescimento do Pecém está ligado não só à infraestrutura, mas à capacidade de formar talentos e alinhar instituições. Do ponto de vista jurídico, acompanhamos essa evolução, sempre com o objetivo de garantir que novos projetos estejam bem estruturados, respeitando licenciamento, governança ESG e compromissos socioambientais.”
— Pedro Fontenele, sócio do APSV Advogados

Visão de futuro ancorada no associativismo

Ao celebrar 25 anos, o CIPP mostra que sua maior inovação não foi apenas a infraestrutura física ou os incentivos fiscais, mas a criação de uma cultura de cooperação empresarial. A AECIPP simboliza essa força: um fórum que traduz interesses comuns em ação coordenada, dando ao Pecém a capacidade de aprender rápido, ajustar rotas e se alinhar às tendências globais.

Até 2030, a meta é consolidar o CIPP como o maior polo industrial de baixo carbono da América Latina. Para os investidores, isso significa operar em um ecossistema em que a competitividade nasce do associativismo — uma rede que garante governança, compliance, inovação e compromisso socioambiental como condições estruturais de crescimento.

“A atuação empresarial coordenada e ativa no CIPP fomenta a criação de um ambiente com segurança jurídica, fortalecimento da governança e maior previsibilidade regulatória. Para investidores, isso significa operar em um polo onde compliance, inovação e sustentabilidade não são apenas diretrizes, mas compromissos compartilhados por todo o ecossistema.”

— Romulo Soares, sócio-fundador do APSV Advogados

No CIPP, essa equação já começou a se provar — e, se seguir evoluindo com a mesma coesão, tende a consolidar o Ceará no mapa global de uma industrialização eficiente, sustentável e aberta e conectada com o mundo.

Contatos:
Telefone: +55 85 3308 7300
E-mail: relacionamento@apsv.com.br
Site: www.apsv.com.br

Fonte: APSV Advogados

Expolog 2025 amplia espaço dedicado ao agronegócio e fortalece debates sobre logística no setor

Expolog 2025 amplia espaço dedicado ao agronegócio e fortalece debates sobre logística no setor

A Expolog 2025, um dos maiores eventos de logística do Brasil, reforça sua conexão com o campo e com os desafios da economia verde ao ampliar sua programação voltada ao agronegócio. O evento será realizado nos dias 26 e 27 de novembro de 2025, no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza, reunindo especialistas, empresários, gestores públicos e representantes da academia.

Entre os destaques da programação está o 6º Seminário Logística no Agronegócio, promovido pelo Instituto Future, que tem como foco discutir soluções inovadoras e sustentáveis para o escoamento da produção e o fortalecimento das cadeias produtivas do setor, especialmente no Nordeste.

Com o patrocínio do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e o apoio do Sebrae Ceará, da Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE), da Adece e da Ematerce, o seminário busca aproximar o campo da inovação logística, explorando temas como tecnologia, infraestrutura, sustentabilidade e integração de modais.

A ampliação do espaço dedicado ao agro na Expolog 2025 reflete a crescente importância do segmento para o desenvolvimento econômico e logístico do país, consolidando o evento como um ponto de encontro estratégico para quem pensa o futuro da logística brasileira.

Serviço:
EXPOLOG 2025
Data: 26 e 27 de novembro
Local: Centro de Eventos do Ceará Pavilhão Leste
Inscrições: https://feiraexpolog.com.br/

Negócios em Portugal: o peso das emoções para empresários brasileiros, por Thiago Matsumoto da Atlantic Hub, sócia da CBPCE

Negócios em Portugal: o peso das emoções para empresários brasileiros, por Thiago Matsumoto da Atlantic Hub, sócia da CBPCE

“Negócios não são feitos apenas de planejamento, produto e mercado. São feitos de pessoas, emoções e, sobretudo, da habilidade de transformar desafios emocionais em vantagens competitivas”.

Empreender, por si só, é uma atividade que envolve riscos, incertezas e decisões constantes. Agora, imagine enfrentar esse desafio em outro país. Para muitos empresários brasileiros, empreender em Portugal representa acesso a novos mercados, estabilidade e oportunidades. No entanto, essa jornada traz um fator pouco discutido: o impacto das emoções nos negócios.

Portugal é um destino natural para empresários brasileiros que buscam internacionalização. A similaridade da língua e os laços culturais reduzem algumas barreiras iniciais, mas não eliminam os desafios. Como destacam Massote et al. (2010), a internacionalização ocorre em degraus, exigindo adaptação progressiva. Mesmo em mercados culturalmente próximos, entender o ritmo dos negócios, as dinâmicas de relacionamento e as sutilezas da comunicação é tão essencial quanto qualquer plano estratégico. Nesse caminho, muitos percebem que os desafios vão além da operação, exigindo também ajuste emocional e cultural.

Daniel Goleman (1995), referência mundial em inteligência emocional, já demonstrava que resultados empresariais não dependem apenas de conhecimento técnico ou planejamento estratégico. A capacidade de reconhecer e gerir emoções — próprias e alheias — é o que frequentemente diferencia quem prospera de quem fracassa. Especialmente em ambientes desafiadores, onde não basta apenas entender de negócios: é preciso entender de gente.

Este artigo discute exatamente isso. Mais do que processos e estratégias, ele revela como empresários brasileiros em Portugal lidam com os desafios emocionais que fazem parte, de forma invisível porém poderosa, da condução dos seus negócios.

O impacto das emoções ao empreender em Portugal: a experiência dos brasileiros

Sentimentos que não aparecem no plano de negócios, mas estão lá. Presentes na adaptação cultural, nas negociações, na burocracia e, sobretudo, na pressão silenciosa e constante de fazer dar certo.

Ao empreender em Portugal, empresários brasileiros lidam não apenas com desafios operacionais, mas também com fatores emocionais que impactam diretamente sua trajetória. Medo, ansiedade, insegurança e frustração surgem com frequência, especialmente nos primeiros anos, quando o desconhecimento do mercado e a necessidade de construir uma nova rede de relacionamentos intensificam esse cenário.

Eduardo Migliorelli, CEO da Atlantic Hub, lembra que, no início, o peso emocional estava presente em quase todas as decisões. “Eu percebi uma ansiedade muito grande nessa questão de querer entender a forma ideal de conhecer o mercado. Fiz muitos cafés, muitas reuniões com players locais, buscando compreender como trabalhar, como abordar, como gerar negócios aqui. Isso foi essencial para minha entrada em Portugal, mas, ao mesmo tempo, trouxe frustrações, principalmente quando esbarrava nas diferenças culturais, na forma de se comunicar, de se vestir e até na pontualidade, que é levada muito mais a sério aqui do que no Brasil. Isso, muitas vezes, pode gerar decisões tomadas na urgência emocional e não na lógica do negócio.”

Migliorelli reforça que compreender o funcionamento da cultura local, construir relações de confiança e adaptar-se às dinâmicas do mercado português são desafios emocionais tão relevantes quanto qualquer questão operacional. É um processo que exige não só preparo técnico, mas também inteligência emocional constante.

Como as Emoções Impactam as Decisões de Empresários Brasileiros?
No empreendedorismo, decidir faz parte da rotina. Mas, no contexto internacional, as decisões raramente são puramente racionais. As emoções, muitas vezes, assumem um papel central, influenciando a avaliação de riscos e acelerando ou retardando processos.

O medo costuma gerar excesso de cautela, enquanto a ansiedade leva a decisões apressadas, focadas mais em aliviar desconfortos emocionais do que em critérios objetivos. Esse padrão é recorrente entre empresários brasileiros que constroem negócios em Portugal, enfrentando um ambiente novo, uma cultura de negócios diferente e a pressão por resultados rápidos.

Essa pressão emocional aparece, especialmente, na expectativa de replicar o ritmo de trabalho e de crescimento do Brasil. “Existe uma cobrança muito grande que nós mesmos colocamos. A gente vem com aquela mentalidade de performar, de fazer acontecer rapidamente, e isso gera uma ansiedade enorme. Já me peguei, mais de uma vez, tomando decisões apressadas só para aliviar aquela angústia momentânea de achar que as coisas não estavam andando no ritmo certo”, relata Adriano Sforcini, fundador da Bauc, uma agência luso-brasileira de marketing e publicidade.

O relato de Sforcini evidencia como decisões são, muitas vezes, respostas emocionais a desconfortos internos, e não fruto de análises objetivas. Reconhecer que emoções como ansiedade e insegurança afetam diretamente a estratégia é essencial para uma gestão mais consciente e sustentável.

Estratégias para Controlar as Emoções e Ter Sucesso nos Negócios em Portugal

Se as emoções impactam diretamente decisões e resultados, compreender como elas influenciam o comportamento empreendedor torna-se uma competência estratégica, especialmente no contexto internacional.

De acordo com Baron (2008), o afeto, ou seja, o estado emocional, exerce influência direta na forma como os empreendedores percebem e interpretam oportunidades, avaliam riscos e tomam decisões. Emoções positivas ampliam a visão, favorecem a criatividade, facilitam conexões e aumentam a disposição para enfrentar desafios. Por outro lado, emoções negativas, como ansiedade, insegurança ou frustração, tendem a restringir o pensamento, gerar aversão ao risco e conduzir a decisões precipitadas.

Essa percepção se reflete claramente nas experiências de empresários brasileiros em Portugal. Muitos, ao chegarem, sentem a necessidade de ajustar expectativas e compreender que o ritmo dos negócios é diferente do que estavam acostumados no Brasil. Tanto Eduardo Migliorelli quanto Adriano Sforcini destacam que aprenderam, na prática, que tentar replicar a velocidade e a dinâmica brasileira gera ansiedade, frustração e, muitas vezes, decisões tomadas no impulso.

Ambos reforçam que aceitar o tempo natural do mercado português, investir na construção de relações e desenvolver autoconhecimento foram fundamentais para lidar melhor com os desafios emocionais. Mais do que uma habilidade pessoal, gerenciar o impacto das emoções tornou-se um diferencial estratégico para conduzir os negócios de forma mais consciente e sustentável.

O sucesso também é uma construção emocional

Nenhuma estratégia se sustenta sem equilíbrio emocional. Ao empreender em Portugal, muitos empresários brasileiros descobrem que, além de compreender o mercado, adaptar-se à cultura local e estruturar modelos de negócio, é fundamental aprender a gerir as próprias emoções.

O impacto emocional não é periférico. Ele está no centro da construção dos negócios em Portugal, influenciando decisões, relações e a capacidade de enfrentar riscos e incertezas. Ansiedade, medo e insegurança não são apenas desafios pessoais, mas variáveis estratégicas, que moldam a forma como oportunidades são percebidas e como os resultados se constroem.

Mais do que atravessar fronteiras geográficas, empreender no exterior é atravessar fronteiras emocionais. E, na prática, o sucesso de quem escolhe Portugal como destino empresarial também se mede pela capacidade de desenvolver autoconhecimento, resiliência e inteligência emocional. Negócios não são feitos apenas de planejamento, produto e mercado. São feitos de pessoas, emoções e, sobretudo, da habilidade de transformar desafios emocionais em vantagens competitivas no longo prazo.

*Thiago Yokoyama Matsumoto é mestrando da Universidade Uninove no Brasil, CMO e Co-Founder da Atlantic Hub, em Portugal.

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