Economias lusófonas mantêm perspectivas de crescimento até 2027, aponta FMI
Angola acelera em 2026, enquanto Cabo Verde e Timor-Leste mantêm expansão robusta; Brasil e Portugal apresentam ritmo mais moderado
As economias dos países de língua portuguesa apresentam perspectivas distintas para os próximos anos, mas a maioria deverá manter trajetória de crescimento até 2027, segundo as projeções mais recentes do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgadas no World Economic Outlook. Entre os destaques estão Angola, Cabo Verde e Timor-Leste, com taxas de expansão relevantes no conjunto das economias lusófonas.
De acordo com os dados apresentados pelo FMI, Angola deverá crescer 4,4% em 2026, acima dos 3,1% estimados para 2025. Para 2027, a expectativa é de desaceleração para 3,3%. O país também deverá enfrentar inflação ainda elevada, embora em trajetória de redução nos próximos anos.
Cabo Verde aparece entre os países africanos de língua portuguesa com melhor desempenho projetado. Depois de uma expansão estimada em 6,3% em 2025, a economia do arquipélago deverá crescer 5% em 2026 e novamente 5% em 2027. A inflação deverá permanecer relativamente controlada, enquanto a taxa de desemprego é projetada em 8,5% ao longo do período analisado.
Na Guiné-Bissau, a previsão é de crescimento de 4,7% em 2026 e de 4,9% em 2027, após uma expansão estimada em 5,8% em 2025. O país, no entanto, continuará enfrentando desafios relacionados ao déficit da balança corrente.
Já Moçambique deverá iniciar uma recuperação gradual depois da contração estimada em 0,2% para 2025. O FMI projeta crescimento de 1% em 2026 e 2% em 2027, ao mesmo tempo em que aponta para a permanência de um déficit externo significativo.
Para São Tomé e Príncipe, a perspectiva é de expansão mais moderada: 0,4% em 2026 e 1,9% em 2027. A inflação deverá continuar sendo um dos principais desafios econômicos do país.
Brasil, Portugal e Timor-Leste
Fora do continente africano, Timor-Leste também aparece com crescimento relevante. A economia timorense deverá avançar 4% em 2026 e 3,7% em 2027, depois de uma expansão estimada em 4,5% em 2025. A inflação, segundo o FMI, deverá permanecer próxima de 2% no período.
No Brasil, o Fundo prevê desaceleração do crescimento, de 2,2% em 2026 para 1,9% em 2027. Entre os fatores citados estão as condições monetárias ainda restritivas, a redução gradual dos estímulos orçamentários e as incertezas do cenário econômico mundial.
Para Portugal, a projeção de crescimento foi revista para 2,1% em 2026, seguida de expansão de 1,9% em 2027.
Os números evidenciam diferentes estágios e desafios econômicos dentro do espaço lusófono, mas também ajudam a identificar mercados com potencial crescente para investimentos, comércio exterior e cooperação empresarial entre países de língua portuguesa.
No cenário mundial, o FMI considera que a atividade econômica continua demonstrando resiliência, impulsionada, entre outros fatores, pelo setor tecnológico e pela capacidade de adaptação das economias às tensões geopolíticas. Ainda assim, a instituição projeta crescimento global de 3,1% em 2026 e 3,4% em 2027.
Para instituições e empresas ligadas à internacionalização, acompanhar o desempenho das economias lusófonas contribui para identificar oportunidades de negócios e compreender os diferentes ambientes econômicos que integram a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Fonte: Mundo Lusíada / Lusa, 13 de outubro de 2026, com dados do Fundo Monetário Internacional (FMI).
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