Breves considreações sobre o 25 de abril em Portugal, por Rogério Lopes, Cônsul de Portugal em Fortaleza
O 25 de abril de 1974 rompeu, naquela madrugada de liberdade, a longa noite da ditadura que Portugal viveu. Fora do tempo e da história, o regime do Estado Novo calcou o povo português, condicionando-o a um fatídico destino de atraso, desigualdades e pobreza.
Esse destino não foi a Providência que deu, foi a ditadura que nos impôs. O movimento de capitães que fez romper a nossa aurora, constitui o grupo de bravos que gritou bem alto, que um povo pode estar muito tempo silenciado, mas que a sua alma não pode ser esmagada. E é a alma do nosso povo, que todos os anos comemoramos neste dia.
O 25 de abril representou um dos mais importantes momentos de coragem do nosso Povo, por isso este dia é seu. E por isso o invocamos. E por isso o celebramos. O 25 de abril não é de nenhuma força política, nem é de movimento algum. Se um grupo de jovens oficiais lançou o renascimento da nossa liberdade, rapidamente o povo assumiu como seu o que é seu: o seu destino! E esse grupo de oficiais em bom tempo prescindiu, deixou a democracia fluir. E muitas foram as vicissitudes do processo revolucionário até à estabilização democrática.
Foi o povo que nas ruas e nas eleições foi construindo o seu futuro. Futuro que se faz todos os dias, porque a democracia é um processo sempre carente de salvaguardas e aprofundamento. A defesa da democracia requer a mobilização permanente e cidadãos cada vez mais conscientes dos seus direitos.
Nenhuma noite é eterna!
Como disse Sophia de Mello Breyner Andresen, escritora e poetisa portuguesa:
“Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo”.
No princípio foi o sonho. E a esperança ainda que misturada dos medos que meio século de cruel opressão fez pairar na cabeça de um povo pobre, oprimido, inculto e submisso. O povo saiu à rua e uma manhã bastou para que o que restava de um regime obsoleto e decrépito se convencesse estar ganha a causa da revolução.
Sim, foi o povo quem a agarrou escoltado na coragem e audácia dos militares que tomaram o poder enquanto o regime dormia. De cravo ao peito disse ao que vinha e ditou a regra de querer uma revolução sem sangue, de que deu sinal claro apondo cravos no cano das espingardas, e que depressa se transformou mundo fora na imagem da talvez única revolução pacífica até hoje levada a cabo à escala planetária.
O povo saiu à rua e acreditou que unido jamais seria vencido.
Aqui chegados é oportuno perguntar. Valeu a pena o 25 de Abril?
Sim, valeu a pena.
Celebrar abril é e será sempre resistir e sonhar de novo.
Por: Rogério Lopes Cônsul de Portugal em Fortaleza