Ceará atraiu mais de R$ 56 bilhões em investimentos no mês de setembro

Ceará atraiu mais de R$ 56 bilhões em investimentos no mês de setembro

Quem encabeça a lista são os projetos de geração de energia offshore (capaz de aproveitar a força dos ventos nos mares)

Mesmo com a retração do PIB e a economia local aos poucos se recuperando, o Ceará faz o dever de casa no que diz respeito à atração de investimentos. Em setembro foram aproximadamente R$ 56,8 bilhões na somatória de projetos captados. É o que revela o titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedet), Maia Júnior.

Quem encabeça a lista são os projetos de geração de energia offshore (capaz de aproveitar a força dos ventos nos mares). Com capacidade de produção estimada em 5,2 GW, são R$ 50 bilhões. “O Ceará está se posicionando na dianteira. Cada GW representa R$ 10 bilhões. Uma torre offshore é capaz de gerar 15 MW de energia. Já uma onshore (em terra) gera 4,2 MW. Conseguimos também uma fábrica de aerogeradores no valor de R$ 400 milhões”, pontua.

Maia também elenca a refinaria da Noix Energy, na Zona de Processamento de Exportação (ZPE), no Pecém. Os investimentos giram em R$ 4,2 bilhões. No rol entra a assinatura do memorando de entendimento da usina de Itataia, cujo investimento gira em R$ 2,2 bilhões.

“São segmentos econômicos estruturadores que só confirmam o pioneirismo do Estado”, reforça Maia.

Vulcabras em Horizonte
Após a Vulcabras fechar acordo com a Alpargatas para a aquisição da Mizuno do Brasil, Maia relata que o time da secretaria entrou em campo para atrair os investimentos para o Ceará.

“No mesmo dia do anúncio, entrei em contato com o Pedro (Grendene). Falei para o governador da situação e ele se prontificou a buscar o negócio”, destacou. Ainda relevou que a Vulcabras foi assediada por outros Estados.

“Eles ainda vão detalhar o projeto para poder formalizar o acesso às políticas de incentivo. Será praticamente uma nova fábrica, apesar de fazerem no mesmo complexo fabril”, complementou Maia sem destacar o montante a ser investido no novo empreendimento.

Fonte: Jornal Focus em 28.09.2020

Turismo: baixo índice de contaminação fortalece Ceará como destino

Turismo: baixo índice de contaminação fortalece Ceará como destino

Setor debate a articulação entre os agentes públicos e privados do trade para que gargalos surgidos na pandemia sejam superados. Aposta é de que índice de movimentação pré-pandemia seja atingido no 2º semestre de 2021

A redução dos índices de mortes e de contaminação por Covid-19 no Ceará deve formar a base de divulgação para que os turistas voltem ao Estado, segundo defendem alguns representantes do trade turístico local.

A ideia é que o desempenho do Ceará no combate à disseminação pelo novo coronavírus seja levado aos viajantes e ajude a atrair turistas nas próximas temporadas – as quais devem ter os brasileiros como principais clientes.

O fomento e a promoção do destino “Ceará” durante a retomada é uma forma de restabelecer esse patamar vivenciado pelo turismo no ano passado, acredita a presidente do Sindicato das Empresas Organizadoras de Eventos e Afins no Estado do Ceará (Sindieventos-CE), Circe Jane Teles. Ela avalia que, se esse processo for bem planejado e organizado, os resultados já serão aparentes em 2021.

A recuperação dos voos também é uma preocupação dela. Para solucionar esses desafios, a presidente do Sindieventos-CE aposta no trabalho conjunto entre a iniciativa pública e privada.

“Precisamos estar em sintonia, tanto o poder público quanto o privado, para entendermos quais são os pontos favoráveis, como a gente pode colocar Fortaleza e outros municípios, e o Estado como um todo, na prateleira do mercado de turismo e de eventos”, aponta.
O questionamento deve guiar os debates promovidos pelo Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade do Sistema Fecomércio Ceará (Cetur), a partir de hoje (25), no canal do YouTube da Fecomércio.

Ampla divulgação

Para seduzir esse público nacional de turistas que vem avançando de forma tímida e atraí-lo a novos destinos, o presidente do Sindicato Estadual dos Guias de Turismo do Ceará (Sindegtur), Alberto Augusto, também aposta na ampla divulgação da situação de segurança sanitária vivenciada pelo Ceará nesta fase da pandemia.

“Se nós conseguirmos destacar isso diante do público do Brasil e até internacional, nós vamos ter consequências favoráveis de que o turismo volte a passos mais rápidos, mais largos. Por enquanto, ele está muito tímido, e o turismo local muito avançado”, afirma.
A alta temporada de férias não deve potencializar de forma significativa o setor agora, segundo Augusto. “O ‘boom’ só deve acontecer a partir da metade do ano que vem, se a pandemia estiver em estágio controlado”.

Outros potenciais

Mas, para tornar o Ceará uma referência no turismo para os cenários nacional e internacional, Circe Jane aponta ser necessário que as iniciativas pública e privada invistam também em destinos que não envolvam somente sol e mar.

“Acho que a gente tem que atrair novos equipamentos, resorts, além de também estabelecer um foco no turismo diferenciado, não só de sol e praia, mas tem colocar pontos no Ceará, como serra e sertão. Fazer o geoparque Araripe ter um fomento a mais de fluxo turístico, ou seja, essas regiões que ainda não são contempladas com um fluxo satisfatório. Precisamos divulgar nossas riquezas”, reforça.
Augusto cita o turismo direcionado à prática de esportes, além dos recursos naturais, como possibilidade que deve ser analisada pelo segmento.

Fonte: Diário do Nordeste em 24.09.2020

Refinaria entra no rol de grandes projetos privados no CE, que somam R$ 56 bilhões

Refinaria entra no rol de grandes projetos privados no CE, que somam R$ 56 bilhões

Iniciativa privada é responsável pela aplicação dos recursos no Estado, em parcerias com o governo estadual e com o federal, no caso da Usina de Itataia. Resultado aparecerá com geração de empregos e atração de novas indústrias

Ao fim deste mês, o Ceará deve somar R$ 56,64 bilhões em investimentos estruturantes, que não se limitam exclusivamente à instalação de empresas, mas à atração de novas indústrias e fomento de desenvolvimento local. Além do acordo firmado semana passada para estabelecimento de indústrias na área de energia (investimento de R$ 50,4 bilhões) e os R$ 4,240 bilhões anunciados ontem para a refinaria de petróleo, o Estado deve firmar, no fim de setembro, aplicação de mais R$ 2 bilhões para a construção da Usina de Itataia, no município de Santa Quitéria. Com os três aportes, o Ceará passa a ser destaque no país por movimentar tamanho volume em negócios estruturantes nestes meses de pandemia.

De acordo com o titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho do Ceará (Sedet), Maia Júnior, no fim do mês o projeto para a Usina de Itataia deve ser assinado pelo Estado, Governo Federal e Consórcio Santa Quitéria, formado pela estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e Empresa Galvani Indústria Comércio e Serviços S.A. A finalidade é explorar, na mina localizada no município de Santa Quitéria, urânio e fosfato. “Dentro de uma lógica estratégica, são três grandes projetos que vão ter como consequência uma boa geração de empregos e desenvolvimento local”, acredita o secretário.

São avanços para uma nova economia, na avaliação de Maia Júnior. Isso porque as atrações envolvem energias renováveis, bens e geração de energia solar e eólica. “Agora estamos consolidando as energias offshore. Atraímos uma fábrica semana passada. Com o projeto de energia, turismo, o hub de aviação e indústria de datacenter, o Ceará está criando – além das velhas economias, como agronegócio, têxtil, turismo e indústria de calçados – novas oportunidades de fortalecer sua base econômica. Do ponto de vista futuro isso tudo dá ao Ceará uma estrutura mais sólida de desenvolvimento”, considera.

Só com Itataia, o investimento estimado é de US$ 400 milhões de dólares, o que equivale a cerca de R$ 2 bilhões. Trata-se de um acordo semipúblico, pois o INB é o detentor de exploração da mina de urânio no Brasil, mas uma empresa do setor de fertilizantes que vai produzir o subproduto da mina, que é o fosfato. A produção local, segundo Maia Júnior, deve reduzir em 50% as importações brasileiras as fosfato e bicálcio. A expectativa é que a exploração e produção gerem em torno de 2.000 empregos diretos. A previsão é que a mina passe a operar por volta de 2023, sendo que o projeto deve ser iniciado no fim de 2021 ou início de 2022.

“São três notícias extraordinárias”, diz Maia Júnior. Além da refinaria e da Usina de Itataia, ele se refere ao contrato assinado semana passada com chinesa Mingyang Smart Energy, que construirá uma fábrica de aerogeradores para utilização em parques eólicos offshore, instalados no mar do Ceará. Com 15 fábricas na China, a companhia pretende investir R$ 400 milhões no Ceará. Somados aos investimentos do projeto Asa Branca e da Neoenergia, Maia Júnior informa que o Ceará soma R$ 50,4 bilhões em aplicações em energia limpa. “São três notícias extraordinárias para o Estado, em um momento difícil, em que o Nordeste todo teve articulação de atração”, diz.

“Considerada a maior jazida de urânio do Brasil, Itataia foi descoberta na década de 1970. Em 2004 formou-se o consórcio do Projeto Santa Quitéria (PSQ), formado pela estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e a Empresa Galvani Indústria Comércio e Serviços S.A. Segundo informações da INB, o PSQ está na agenda de prioridades do Governo Federal. A empresa aponta como justificativa a “recuperação do Brasil pós-pandemia da covid-19, com foco na balança comercial tanto para o urânio como para o fosfato”. O objetivo da exploração, segundo a estatal, é produzir fertilizantes fosfatados granulados destinados à agricultura, fosfato bicálcico utilizado para suplementação animal e urânio para a produção de energia elétrica.

Entre os benefícios do projeto a INB destaca ainda a condução de investimento pela iniciativa privada, a diminuição da importação de fertilizantes, a receita prevista, arrecadação de impostos, distribuição de produtos fosfatados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e desenvolvimento da “rota tecnológica”. Ainda conforme a estatal, a exploração em Itataia será baseada na economia de água, dispensará barragem de rejeitos, substituirá biomassa por coque de petróleo e terá maior aproveitamento do minério.

Pesquisas apontam que a produção do fosfato deve garantir a exclusão de elementos radioativos que representam risco para pessoas e ecossistema. Segundo informações do Ministério de Minas e Energia, o país importa urânio enriquecido no valor de R$ 100 milhões mensais para abastecer as usinas Angra I e II. O Movimento pela Soberania Popular na Mineração no Ceará defende que as comunidades atingidas participem das decisões e que o projeto contemplem políticas públicas que humanizem a economia, as relações com o espaço e minimizem riscos de contaminação.”

Investimento na refinaria é de R$ 4,240 bi, com implantação em até 30 meses

Após mais de 60 anos de espera, finalmente o Ceará terá uma refinaria – não pública, como foi ventilado no início dos anos 2000, mas com investimento privado. Nessa quarta-feira, o memorando de entendimento para a instalação do projeto foi assinado entre Governo do Estado e a companhia brasileira Noxis Energy. Com investimento de R$ 4,240 bilhões, a refinaria de petróleo deve gerar 150 empregos diretos e 3.000 indiretos. O maior impacto, contudo, é para o desenvolvimento local. Através da refinaria, novas indústrias podem se instalar no Estado, inclusive montadora de veículos. O fator determinante para a efetivação do projeto neste ano de incertezas econômicas foi o fato de o Ceará ser o único estado brasileiro com uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE) em pleno funcionamento.

O governador Camilo Santana assinou o documento com o diretor-presidente da Noix, Gabriel Debellian, e Márcio Dutra, principal investidor. Os secretários do Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedet), Maia Júnior, e do Meio Ambiente (Sema), Arthur Bruno, também estavam presentes. “Sempre tivemos um objetivo de implantar no Ceará uma refinaria e uma siderúrgica. Em 2017 conseguimos abrir a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), formada pela brasileira Vale e as coreanas Dongkuk e Posco, um grande investimento de todas as partes. Agora, para a instalação da refinaria da Noxis Energy, nós também nos colocamos à disposição para viabilizar a sua instalação. É um grande investimento para o nosso Estado e para os cearenses”, aponta o governador.

Após o licenciamento ambiental, a implantação está prevista para ocorrer no máximo em 30 meses. Em funcionamento, a refinaria terá como principal produto o óleo combustível marítimo (bunker), com capacidade de refino de 50.000 BBL/dia. Mas, plenamente implantada, a produção prevista é de 1.500.000 (hum milhão quinhentos mil) toneladas/ano de combustível, até 2025. Sediada no Rio de Janeiro, a Noxis Energy atua na área de refino de petróleo com plantas em processo de instalação em locais estratégicos ao longo da costa brasileira.

“Estar no Ceará é muito estratégico para a nossa empresa, pois o Estado apresenta condições favoráveis em posicionamento geográfico em um mercado com demanda significativa de derivados num raio de 200 km, instalações necessárias como o moderno Porto do Pecém, e pode atender também o Porto de Itaqui no Maranhão. Por falta de oferta, os navios vêm para o Brasil supridos de combustível para a viagem de retorno, e assim nos colocamos como principal fonte de reabastecimento de um bunker limpo, que terá uso compulsório nas embarcações já em 2020, reduzindo o teor de enxofre de 3,5% para 0,5%”, explica Gabriel Debellian. O presidente da Noxis garante também que a prioridade para a mão de obra essencial da refinaria será de cearenses.

Originalmente, a refinaria seria instalada no Maranhão. Contudo, a localização e as vantagens estratégicas locais foram preponderantes. Na avaliação do secretário Maia Júnior, daqui em diante o momento é de desenvolver projetos e obter licenças ambientais e de órgãos públicos licenciadores de obras. A ação, para o secretário, representa um segundo grande passo para a estruturação da política de desenvolvimento econômico, pois se trata de um investimento estruturador. O outro projeto a que Maia Júnior se refere é a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP).

“Como a ideia inicial era de um projeto voltado para exportação, o fato de o Ceará ter a única ZPE em funcionamento no Brasil foi um fator decisivo”, ressalta. Como contrapartida, o Estado oferta terrenos que hoje estão alugados e incentivos fiscais. Como já é definido pela ZPE, a produção e exportação do petróleo refinado não gerará imposto. Desse modo, a vantagem local é mais ampla. “A refinaria vai gerar um outro de consumo e indústrias complementares. Como vamos exportar, estamos agregando valor ao petróleo bruto, produzindo combustíveis, criando novas economias, fortalecendo a visão de futuro do porto e consolidando todo o arranjo planejado para o Pecém”, contextualiza.

Como reforça o secretário, “uma indústria não se abre nem se fecha da noite para o dia, sempre foi base de desenvolvimento em qualquer país do mundo”. Apesar de considerada de pequeno porto, Maia Júnior afirma que a refinaria pode ser ampliada de acordo com a demanda. Além disso, a instalação suscita uma nova lógica de crescimento no setor. Como se trata de uma indústria de base, a expectativa é que sua instalação agregue a vinda de outras indústrias, como a petroquímica. “Com essa nova estruturação, os desdobramentos futuros incluem negócios complementares, como a indústria automobilística, por exemplo. Não há mais impeditivo de se formar a complementação da cadeia, com uma base de refino, atrelada à indústria petroquímica”, sinaliza.

O secretário lembra ainda que a refinaria resgata antigos planejamentos para o Ceará, de outros governos. Isso porque desde os anos 1960 se ventila a possibilidade de o estado ter uma refinaria de petróleo. A condição mais próxima ocorreu no início dos anos 2000, quando a instalação de uma refinaria da Petrobras mobilizou estados nordestinos a barganharem a obra. Na ocasião, a decisão foi pelo estado de Pernambuco, onde a Refinaria Abreu e Lima foi instalada, está em operação, mas neste ano passa pela possibilidade de ser privatizada. No Nordeste, o outro equipamento do tipo é a Refinaria Landulpho Alves-Mataripe, construída nos anos 1960 na Bahia e também, à época, vislumbrada para ser instalada no Ceará. Na região, portanto, a refinaria cearense será a terceira, mas a primeira privada.

Fonte: O Otimista em 16.09.2020

Economia cearense cresce duas vezes mais que média nacional em julho

Economia cearense cresce duas vezes mais que média nacional em julho

Considerado a prévia do PIB, Índice de Atividade Econômica do Banco Central aponta avanço de 4,75% da economia do Ceará em julho, superior à média do País no período, de 2,15%, e a do Nordeste, de 1,6%

Após crescer 6,71% de maio para junho, a atividade econômica no Ceará avançou 4,75% na passagem de junho para julho, superando o desempenho obtido pela região Nordeste (1,60%) e pelo Brasil (2,15%).

Já na comparação com julho de 2019, a atividade no Ceará apresentou retração de 0,95%, mas também superou os resultados registrados na média regional (-3,59%) e nacional (-4,89%). O dado é referentes ao Índice de Atividade Econômica do Banco Central – Ceará (IBC-CE), divulgado ontem (15).

Para Ricardo Coimbra, presidente do Conselho Regional de Economia Ceará (Corecon-CE), a queda dos números de casos de coronavírus no Estado aliada à retomada gradual das atividades vem contribuindo para a recuperação econômica cearense. E a tendência é que o Estado permaneça nessa trajetória nos próximos meses.

“O Ceará vem tendo esse crescimento da atividade de forma escalonada sem que haja crescimento dos números efetivos da doença. Isso vai gerando uma recuperação mais sólida e constante nas próximas etapas”, diz.
Coimbra destaca ainda que os resultados de agosto e setembro tendem a ser ainda melhores devido à reabertura de outras atividades no Estado.

“Esses números só vão aparecer mais a frente, então é provável que a gente tenha uma melhora mais efetiva do que o outros estados na nossa região”, prevê o economista.

“Além disso, a solidez fiscal do Estado do Ceará também contribuiu nessa perspectiva de uma retomada mais sólida. O Estado manteve sua capacidade de investimento, de pagamento de suas contas, gerando até a possibilidade de ajuda na área econômica com a postergação do pagamento de imposto”.

Expectativa revisada

No acumulado de janeiro a julho, a atividade econômica cearense apresentou queda de 3,96%, ficando abaixo do resultado registrado no Nordeste (-3,17%). Mas no acumulado de 12 meses até julho, o Ceará apresentou retração de 1,39%, enquanto o Nordeste registrou queda de 1,56%.

Divulgado mensalmente pelo Banco Central, o IBC é considerado a prévia do Produto Interno Bruto (PIB) do País, regiões e estados.

Em junho, a expectativa do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) era de queda de 4,92% do PIB estadual para 2020. Mas, diante da recuperação da atividade, Coimbra avalia que o resultado seja revisado

“O crescimento do Ceará acima do patamar nacional e do Nordeste deve gerar uma perspectiva de que o impacto da quarentena no PIB de 2020 seja menor do que se esperava inicialmente, podendo ficar com uma queda de 1,8% a 2%, em vez de uma retração de quase 5% como se imaginava”.
No primeiro trimestre, parcialmente afetado pela quarentena, o PIB do Ceará apresentou queda de 0,45% enquanto o do Brasil caiu 0,3%.

Fonte: Diário do Nordeste em 16/09/2020

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Investimento de US$ 400 mi no Ceará eleva oferta de fertilizantes e de urânio

Investimento de US$ 400 mi no Ceará eleva oferta de fertilizantes e de urânio

Projeto, que está na fase de licenciamento ambiental, deve ter mina operando no final de 2023

Redenção. Essa foi a palavra que Tomas Antonio Albuquerque de Paula Pessoa, prefeito de Santa Quitéria (CE), buscou ao falar sobre uma parceira público-privada que está para ocorrer em sua cidade.

Em seu quarto mandato, e tentando o quinto, Pessoa diz que enfim a região poderá desfrutar de um investimento industrial que vem sendo esperado desde 1976.

O prefeito se refere ao consórcio Santa Quitéria, que une a estatal INB (Indústrias Nucleares do Brasil) e a Galvani em um projeto para a extração de fosfato e de urânio na cidade.

“É um casamento de interesses e oportunidades, realizado em um momento adequado”, diz Carlos Freire Moreira, presidente da INB, empresa que tem o monopólio da produção de urânio no país.

O contrato, ainda com possíveis acertos, dá à Galvani o direito de extração dos minerais. Ela fica com o fosfato e repassa o urânio para a INB. A empresa do setor de fertilizantes assume a operação de extração.

“É um projeto com viabilidades interessantes. Vamos produzir fertilizantes fosfatados de alto teor para uma região que cresce muito”, afirma Ricardo Neves de Oliveira, diretor-presidente da Galvani.

A empresa vai utilizar o fosfato para dois segmentos: o de fertilizantes fosfatados e o de fosfato bicálcico. Este último, destinado à nutrição animal, um setor novo para a empresa.

O executivo aposta no sucesso da operação devido à forte demanda por fertilizantes e por suplementação alimentar nas áreas do chamado Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).

Na avaliação do prefeito de Santa Quitéria, a logística favorável e a proximidade da mina de algumas das principias regiões produtoras de grãos e pecuária vão baratear os custos para os produtores. Agricultores de São Raimundo Nonato (PI) e Balsas (MA) serão dois dos polos que serão bastante beneficiados, diz ele.

Para Oliveira, o novo olhar sobre a sustentabilidade no país vai reverter muita área de pastagens para a produção de grãos. Com isso, a pecuária vai ter de usar mais tecnologia e ser mais produtiva.

Segundo o executivo, a Galvani vai poder atuar no Norte e Nordeste com preços bastante competitivos para agricultores e pecuaristas.

O novo projeto auxiliará o abastecimento do país em duas frentes: reduzirá a importação de fertilizantes e elevará a produção nacional de urânio, tornando o país exportador do excesso neste último caso.

A Galvani, quando o projeto estiver terminado, colocará 500 mil toneladas de fertilizantes fosfatados por ano no mercado. O Brasil importa 72% do que consome.

A empresa elevará também a oferta nacional de fosfato bicálcico em 250 mil toneladas. O consumo anual do produto para suplementação animal é de 1,2 milhão de toneladas.

No caso do urânio, o salto na oferta será gigantesco, segundo Freire. Serão 1.600 toneladas por ano de concentrado de urânio (yellowcake), extraído do ácido fosfórico.

A produção de Santa Quitéria terá capacidade para cobrir as necessidades das usinas Angra 1, 2 e 3, e fornecerá combustível para o abastecimento de pelo menos outras três usinas do porte das atuais.

O Brasil será reconhecido como um potencial fornecedor de urânio enriquecido, um produto com muito mais valor adicionado, diz Freire.

“Uma coisa é ter urânio. Outra é saber processar, e o Brasil está no grupo dos poucos países que já dominam essa tecnologia”, afirma ele.

Segundo Freire, “fala-se muito dos malefícios da energia nuclear, mas pouco dos benefícios”. É uma energia limpa e pode ser levada para perto dos grandes centros de demanda. Além disso, ganha espaço na medicina e na agricultura.

Sobre o acidente ocorrido em Goiânia (GO), em 1987, ele o classifica como um ponto fora da curva. Naquele ano, o caso conhecido como o do césio-137 provocou a morte de quatro pessoas e a contaminação de várias dezenas por radioatividade.

Um dos sérios problemas da região é a falta de água, mas o processo a ser utilizado na extração do fosfato e do urânio vai reduzir em 30% o consumo, segundo Oliveira. Entre 80% e 85% da energia elétrica será gerada na própria unidade.

O projeto, que está na fase de licenciamento ambiental, terá investimentos de US$ 400 milhões a US$ 450 milhões. Serão de US$ 320 milhões a US$ 350 milhões na planta e mais um valor de US$ 80 milhões a 100 milhões em outras operações, inclusive portuária.

A mina começa a operar no final de 2023, mas ainda com baixa produção. Aumenta o ritmo em 2024 e estará a plena carga em 2026. A vida útil da jazida é estimada em 30 anos.

O empreendimento movimentará 2.500 trabalhadores, 500 deles com contratação própria. Freire diz que o objetivo é requisitar o máximo possível de trabalhadores da região. Para o prefeito da cidade, as contratações e a formação de profissionais não serão problemas. Santa Quitéria tem várias escolas premiadas pela liderança na qualidade do ensino no estado.

O projeto da INB e da Galvani dará vida a toda a região, segundo Pessoa. O município faz divisa com 14 outros e tem 45 mil habitantes. Está a 230 km do porto de Pecém.

O prefeito já prevê o caixa da cidade um pouco mais gordo, podendo ser acrescentados R$ 20 milhões aos atuais R$ 90 milhões do orçamento.

Pensa, e faz as contas. O movimento será intenso. Serão pelo menos 700 carretas por semana circulando pelo município, afirma.

Fonte: Folha de São Paulo em 11.09.2020

Tourism Connection Ceará marca recomeço dos negócios turísticos do estado

Tourism Connection Ceará marca recomeço dos negócios turísticos do estado

Durante as quase quatro horas de evento virtual, o otimismo sobre a recuperação do setor turístico pautou painéis e palestras

“O turismo hoje é uma necessidade”. Com essa frase que espelha a aposta na carência de contato entre pessoas que virou realidade nos tempos de isolamento social, Arialdo Pinho, secretário de turismo do Ceará, abriu o Tourism Connection Ceará, evento totalmente multimídia que serviu de marco simbólico para o recomeço sustentável e, acima de tudo, seguro, de toda a cadeia de negócios turísticos do estado do Ceará.

Durante quase quatro horas, especialistas trocaram conhecimentos, apontaram soluções e compartilharam experiências de outras realidades que podem e devem servir de aprendizado e, acima de tudo, inspiração para o reaquecimento desse setor relevante para a economia e para a imagem do Ceará. Os protocolos para a reabertura dos tipos de serviço do setor com os devidos cuidados sanitários salientados também foram apresentados.

O ex-governador Ciro Gomes destacou que o “novo normal” é a oportunidade para a exploração coordenada de maneira nacional que impulsione a chegada de turistas estrangeiros ao Brasil, hoje muito aquém das potencialidades turísticas do país. Jean-Marc Pouchol, diretor geral da América do Sul do Grupo Air France-KLM destacou que a caminhada para os números anteriores é longa. Estimou que apenas em 2024 a malha aérea internacional estará trabalhando em mesmo grau que antes da pandemia. Maurício Benvenutti, CEO da StartSe do Vale do Silício destacou como pequenos negócios em situações de crise tem a chance de ouro para tentar algo diferente, já que os riscos aparecem de forma mais que natural e devem ser corridos para a busca por soluções eficientes.

Diana Rocha entrevistou representantes de empresas e instituições turísticas de todos os continentes. O sentimento coletivo de inexistência de um modelo perfeito para reabertura, mas sim um coletivo de aprendizados cotidianos a partir dos erros e acertos com as ações já aplicadas passou pelos discursos dos convidados.

Jean-Marc Janot, Vice-presidente do InterContinental Hotels Group da América Latina e Caribe e Ivana Bezerra, Presidente do Fortaleza Convention & Visitors Bureau, destacaram os investimentos em infra-estrutura para a garantia de hospitalidade sem riscos a saúde da rede hoteleira no estado e apostaram nas soluções digitais para agilizar etapas do processo de hospedagem dos turistas no Ceará.

A palestras e painéis continuarão à disposição de forma gratuita no site www.tourism-connection.com. Um jeito de conferir o conteúdo daquele que foi mais um evento sobre turismo, mas uma verdadeira troca de experiências sobre o futuro de um setor vital para o estado.

Fonte: Revista Vemtambém em 02/09/2020

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Maior navio a atracar no Estado chega ao Pecém para embarcar frutas

Maior navio a atracar no Estado chega ao Pecém para embarcar frutas

Embarcação aporta hoje para levar carregamento à Europa. Produtores de melão estimam um crescimento de pelo menos 10% das exportações da fruta neste ano, puxado pela queda da produção no exterior e pela alta do dólar

Porto do Pecém recebe, neste sábado (29), o maior navio a atracar em um porto cearense. Com 330 metros de comprimento e 48 metros de largura, o MSC Shuba B, receberá contêineres carregados de frutas para exportação.

Mesmo diante da crise global, provocada pelo novo coronavírus, a expectativa é que as exportações de frutas apresentem um crescimento em torno de 10% neste ano, puxado, dentre outros fatores, pela queda da produção de melão na Europa e pela alta do dólar, que deixou o produto brasileiro mais competitivo no exterior.

“Tenho conversado com produtores e essa expectativa de 10% eu acho modesta. Acredito que será mais, porque o início desta safra já está superando as expectativas, o que é um indicativo que pode aumentar bastante esse volume”, diz Sílvio Carlos, secretário executivo do Agronegócio da Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedet).

No primeiro semestre, as exportações de melão, principal fruta voltada ao comércio exterior, cresceram 135%, somando US$ 14,1 milhões. Em igual período do ano passado, o Ceará havia exportado US$ 6 milhões.

Logo após o início da quarentena, em abril, havia preocupação no setor com relação aos contratos de compra da safra deste ano. Mas, segundo Luiz Roberto Barcelos, diretor institucional da Associação das Empresas Produtoras Exportadoras de Frutas e Derivados (Abrafrutas), as encomendas da Europa acabaram surpreendendo e superando a programação de cultivo.

As expectativas estão mudando muito. Há uns dois meses a gente estava bem negativo. Agora está mais positivo, principalmente, porque o câmbio está favorável”.

Barcelos, que também é sócio e diretor de produção da Agrícola Famosa, maior exportadora de frutas do País, diz que devido ao novo coronavírus, a Espanha, principal produtor europeu de melão, enfrentou dificuldade para contratação de mão-de-obra, o que acabou pressionando os custos de produção e aumentando a demanda pelo produto brasileiro.

“Eles tiveram problema para contratar os imigrantes, com isso, diminuíram consideravelmente a produção local”.

A Agrícola Famosa, que tem cerca de 9 mil hectares cultivados, espera exportar em torno de 150 mil toneladas neste ano, um incremento de pouco mais de 10% em relação ao volume registrado no ano passado (135 mil toneladas).

Movimentação

Em 2019, o Porto do Pecém movimentou 11.578 contêineres (TEUs), volume 42% superior ao de 2018. Segundo Raul Viana, gerente de Negócios Portuários do Complexo do Pecém, o crescimento foi impulsionado pelo setor da fruticultura nos estados do Rio Grande do Norte, Bahia, Pernambuco, além do Ceará.

De acordo com dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), de janeiro a junho de 2020, o Ceará foi 11º Estado em exportações, com o embarque de 2 milhões de toneladas, das quais 1,5 milhões foram enviadas pelo Porto do Pecém.

Produção nordestina

Diante dos resultados iniciais desta safra, Raul Viana diz que a expectativa é de que haja um crescimento de pelo menos 30% com relação aos volumes de 2019. “E esse crescimento se deve também ao fortalecimento da fruticultura, principalmente, nos estados do Rio Grande do Norte, Ceará, Bahia e Pernambuco”, destaca. “Juntos, esses estados produzem para países como Estados Unidos, Holanda, Reino Unido e Espanha, que são hoje os que mais recebem as frutas exportadas através do Porto do Pecém”, diz.

Além de escoar as frutas produzidas no Ceará, o Porto do Pecém vem sendo a principal porta de saída para as frutas produzidas na região do Vale do Rio São Francisco, sobretudo uvas e mangas. Em 2019, o porto cearense foi responsável por 38% das exportações dos produtores da região, enquanto o porto de Salvador escoou 31% e o de Natal, 21%, segundo dados da Associação dos Exportadores de Hortigranjeiros e Derivados do Vale do São Francisco (Valexport).

“O Pecém apresenta um custo operacional menor do que os demais e um trâmite mais rápido”, diz Tássio Lustoza, gerente-executivo da Valexport. Essas vantagens acabam compensando os custos logísticos decorrentes da maior distância do porto cearense em relação ao de Salvador.

De acordo com Tássio, a expectativa dos produtores do Vale do São Francisco é atingir, neste ano, o mesmo patamar de produção de 2019, quando a região registrou recorde de exportação. “A gente entende que está pegando a retomada, pós-pandemia, em um bom momento”.

Novas rotas

Para este ano, o Ceará deverá iniciar as exportações para a China. Mesmo que ainda em pequenos volumes, a expectativa é de que haja um grande potencial a ser explorado no mercado asiático nos próximos anos. “Acredito que a partir de outubro deve sair alguma coisa (para a China). O volume será pequeno, mas o potencial é grande”, diz Barcelos. Ele diz ainda que o volume enviado para o Oriente Médio também deverá crescer.

Segundo Viana, o envio de melão para o mercado chinês poderia “facilmente” triplicar os atuais volumes de exportação da fruta via Pecém. “Contudo, é necessário criar uma solução logística que atenda o ‘shelf-life’ (tempo de prateleira), uma vez que é uma carga perecível e não suportaria uma viagem de 40 dias somente na parte do transporte marítimo. É necessário que todos da cadeia logística se juntem para que seja desenvolvida uma solução para o atendimento deste mercado”.

Além das linhas que já ligavam o Porto do Pecém aos Estados Unidos e ao norte da Europa, em agosto do ano passado, o porto cearense começou a operar um nova linha ao continente europeu com direção a portos no Mediterrâneo, como Valência (9 dias de viagem) e Barcelona (11 dias), na Espanha, e Gênova (13 dias), na Itália. Esse novo serviço, operado pela Mediterranean Shipping Company (MSC), permitiu a conexão dos contêineres de frutas a países do Oriente Médio, a partir de Valência.

Fonte: Diário do Nordeste em 29.08.2020

Número de investidores estrangeiros no Ceará mais do que dobra em 10 anos

Número de investidores estrangeiros no Ceará mais do que dobra em 10 anos

Estado possui mais de 5.800 empresas constituídas com capital externo e, mesmo diante da pandemia, segue recebendo investimentos de fora
Localizado em posição geográfica privilegiada perante a Europa, Estados Unidos e Norte da África, o Ceará tem se mostrado, cada vez mais, uma terra de grandes oportunidades para empresários estrangeiros que decidem apostar no Brasil. Nos últimos dez anos, por exemplo, o número de investidores de outros países mais do que dobrou no Estado, passando de 4.104, em 2010, para 8.531 no primeiro semestre de 2020, segundo estudo divulgado durante o evento Ceará Global – O Futuro em 360º.

Elaborado pela Câmara Brasil Portugal no Ceará (CBP-CE), com apoio da Junta Comercial do Estado, a edição 2020 do levantamento B.I. Investimento Estrangeiro no Ceará revela que, da quantidade total de investidores externos atualmente presentes no Ceará, mais de 3.800 são oriundos de dois países europeus: Itália, com 2020 investidores; e Portugal, que conta com 1.854. França (663), Espanha (655) e China (375) completam os cinco principais destaques.

Para Rômulo Alexandre Soares, sócio da APSV Advogados e vice-presidente da Federação Brasileira de Câmaras de Comércio Exterior, o que aproximou o Estado de investidores europeus foram as ligações aéreas entre Fortaleza e importantes destinos da região, desenvolvidas ao longo dos anos. “Costumo dizer que navios transportam mercadorias e aviões transportam investimentos”, afirma.

“Em 1998, quando a TAP começou a operar a rota Fortaleza/Lisboa, houve um forte processo de aceleração de investimentos estrangeiros e, hoje, os portugueses são um dos principais grupos de investidores do Estado. O mesmo tem acontecido com franceses e holandeses, após a chegada do hub da Air France/KLM no Aeroporto de Fortaleza. O fato de ter uma ligação aérea permite criar laços de negócios extremamente difusos”, comenta Rômulo Alexandre.

Para o presidente da Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece), Eduardo Neves, outro fator que culminou no aumento de investidores estrangeiros no Ceará, ao longo da última década, foi a chegada de grandes empreendimentos ao Estado, como a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), a Siderúrgica Latino-Americana (Silat) e a Vestas, maior fabricante de turbinas eólicas do mundo, localizada no município de Aquiraz.

“Podemos dizer que esses são os maiores investimentos em termos financeiros, mas outro fator interessante é o aumento do turismo no Estado, trazendo mais investidores de pequeno e médio porte, seja no mercado imobiliário, em hotéis, ou também em pousadas e restaurantes. Esse tem sido um movimento muito forte” destaca Eduardo Neves.

Somente no primeiro semestre de 2020, mesmo com toda a instabilidade gerada pela pandemia da Covid-19, 184 novos investidores decidiram aportar recursos no Ceará, segundo o levantamento. Desses, a maioria são pessoas físicas, mas, segundo especialistas, a grande quantidade captada pelo Estado faz com que o impacto econômico seja significativo.

Número de empresas cresce na crise

Além da quantidade de investidores, o número total de empresas com capital estrangeiro no Ceará também cresceu em meio à crise do novo coronavírus, tendo em vista que houve um incremento de 153 novos negócios no primeiro semestre deste ano. Ao todo, o Ceará conta, atualmente, com 5.822 empresas com aportes internacionais, alta de 122,5% ante as 2.616 registradas em 2010.

Das novas empresas com capital estrangeiro que chegaram ao Ceará em 2020, 24 possuem sócios italianos, 21 têm aportes colombianos e 16 de investidores portugueses. Somadas, a mais de 5.800 empresas deste tipo existentes no Estado têm um capital social de R$ 31,22 bilhões, aponta o estudo da CBP-CE.

“A pandemia atrapalhou, sem dúvida, pois interferiu no comércio exterior e nos investimentos, mas a questão do câmbio é um item extremamente importante, porque é quanto você consegue comprar na economia local. Assim, a posição cambial, hoje, é vantajosa para as exportações e para atrair investimentos, pois fica mais barato apostar em negócios no Brasil”, opina Rômulo Alexandre.

Ainda segundo o vice-presidente da Federação Brasileira de Câmaras de Comércio Exterior, diferenciais competitivos do Ceará, como as conexões aéreas, os portos do Pecém e de Fortaleza, assim como a localização geográfica e o ramal ferroviário da Transnordestina, ainda não concluída, dão totais condições de que o Estado siga recebendo investimentos estrangeiros ao longo dos próximos anos, mesmo em uma cenário de retomada da economia global.

“O Ceará tem, sim, como atrair investimentos. Fortaleza é uma metrópole de influência regional, que tem impacto sobre 20 milhões de habitantes, sobre um território envolvendo Ceará, Piauí, Maranhão e parte do Rio Grande do Norte. Se identificarmos as vocações da cidade, temos tudo para avançar, pois ela é privilegiada no aspecto geoeconômico”, diz Rômulo.

Quem também se mostra otimista quanto à chegada de novos investimentos estrangeiros é o presidente da Adece. Segundo Neves, com sua “trinca de hubs”, o Ceará possui um cenário favorável para a captação em diversos setores. “Já estamos sentindo na área de tecnologia e a possibilidade de atrairmos outras empresas tem sido crescente, seja no mercado de e-commerce ou no armazenamento de dados. Na área de logística a tendência é de que tenhamos mais empresas de grande porte” opina.

US$ 4 bilhões em investimentos

Segundo o levantamento da CBP-CE, atualmente o Ceará conta com cerca de US$ 4 bilhões em investimento estrangeiro direto na sua economia, incluindo US$ 4 milhões inseridos nos primeiros seis meses de 2020.

Do início do século até o primeiro semestre deste ano, somente a Coreia do Sul responde por 29% de tudo que foi investido no Estado, principalmente por conta das empresas Dongkuk e Posco, responsáveis pela implantação da CSP, que também tem a Vale em sua composição acionária.

Além dos sul-coreanos, os portugueses também possuem uma participação significativa no investimento estrangeiro do Estado, com 22% do total, o que representa aportes de aproximadamente US$ 3 bilhões ao longo das duas últimas décadas. Alemanha (US$ 1,56 bi) completa o pódio dos destaques.

Segundo o estudo divulgado no Ceará Global 2020, a indústria da transformação foi o setor que mais recebeu investimentos estrangeiros no Estado ao longo dos últimos 20 anos, com US$ 5,53 bilhões. Na sequência, aparece o setor de eletricidade e gás, com US$ 4,66 bilhões no período. A categoria “atividades e serviços complementares aparece na terceira colocação, com US$ 2,19 bilhões.

Para Rômulo Alexandre, há outros setores com potencial para aumentar sua participação e despontar, nos próximos anos, como destaques na captação de investimentos estrangeiros. “Há grandes oportunidades para atrair investimentos na área de serviços e na de telecomunicações, principalmente na parte de dados. O Ceará fez o dever de casa, com transparência, responsabilidade fiscal e investimento em educação. Assim, é natural que a evolução continue”, finaliza.

Fonte: Trends CE em 26/08/2020

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Com ações atuais e planos para o futuro, Ceará mira economia criativa

Com ações atuais e planos para o futuro, Ceará mira economia criativa

Capital do Estado, Fortaleza foi reconhecida pela Unesco, em 2019, como Cidade Criativa do Design

Composta por atividades produtivas que têm como processo principal um ato criativo, resultando em uma produção de riqueza cultural, econômica e social, a economia criativa tem crescido ao redor do mundo, e no Ceará não é diferente. Com ações atuais e planejamentos de curto, médio e longo prazo, o Estado mira o desenvolvimento do setor e já desponta como destaque em algumas áreas. A capital Fortaleza, por exemplo, foi reconhecida pela Unesco, em 2019, como Cidade Criativa do Design, uma chancela que confirma o potencial da cidade.

De acordo com os dados mais recentes da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), que realiza um mapeamento entre os estados brasileiros, o Ceará contava, em 2016, com 4,1 mil empreendimentos criativos em seu território, o que correspondia a um PIB Criativo de R$ 2,3 bilhões, o terceiro maior do Nordeste. Segundo o levantamento, o Estado também tinha, na região, a maior representatividade da classe criativa em seu mercado de trabalho formal.

Criada há aproximadamente um ano, a Câmara Setorial da Economia Criativa da Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece) tem trabalhado para solidificar ações de fomento à economia criativa no Estado. Para Luis Carlos Sabadia, vice-presidente da entidade, o setor é, atualmente, o que o turismo foi na década de 1980: algo novo, promissor, mas que exigia infraestrutura, políticas públicas e engajamento do setor produtivo para se tornar mais dinâmico e sólido.

“Somos um país multicultural, multidisciplinar e multirracial, com um patrimônio natural e histórico riquíssimo, além de vocação para a cultura e a arte. Essa diversidade, sendo bem trabalhada, pode ser um ativo no sentido econômico. Temos que utilizá-la como potencial para o desenvolvimento”, afirma Sabadia.

Além de abranger setores artísticos como artes cênicas, artesanato, cinema, literatura e música, a economia criativa também abraça as chamadas criações funcionais, como é o caso do design, da arquitetura e da gastronomia. Conforme Sabadia, são “áreas que têm especificidades, mas que bebem desse mesmo ativo multicultural”.

Ele lembra que, em 2017, a Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), em parceria com o Sebrae-CE, lançou o projeto Rotas Estratégicas Setoriais 2025, na qual são projetadas diversas ações para o fortalecimento da economia criativa e de outros setores ao longo dos próximos anos.

Segundo Sabadia, a própria criação da Câmara Setorial foi uma realização importante para o fortalecimento da economia criativa no Ceará. “Se temos uma agência de desenvolvimento, era fundamental termos esta representatividade para influenciar as políticas públicas”, afirma.

A meta no longo prazo é tornar o Ceará uma referência nacional em desenvolvimento sustentável, tendo como vetor estratégico a economia criativa, a partir do fortalecimento dos processos identitários, territórios, setores, empreendimentos e da integração de organizações políticas, educacionais, empresariais e da sociedade.

Chancela da Unesco

Uma vitória importante para a economia criativa do Ceará aconteceu ao longo de 2019, quando Fortaleza, após enviar um dossiê com os resultados dos últimos anos, bem como os compromissos de projetos a serem executados nos próximos quatro anos, foi chancelada como Cidade Criativa do Design pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Na ocasião, a Comissão Nacional do Brasil para a Unesco destacou que o dossiê de Fortaleza “realça a presença da economia criativa nos projetos da cidade, assim como a relação com os objetivos de desenvolvimento sustentável e o interesse em cooperar com outras cidades dentro da Rede”.

O anúncio foi feito em outubro de 2019, pela diretora geral da Unesco, Audrey Azoulay. Segundo ela, “em todo o mundo, essas cidades, cada uma a seu modo, fazem da cultura o pilar, e não um acessório, de sua estratégia. “Isso favorece a inovação política e social e é importante para as gerações jovens”, comentou.

Para o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, a chancela da Unesco “cria uma nova ambiência e estimula ainda mais as ações de criatividade e inventividade” da Capital. Segundo ele, o reconhecimento consolida o que a cidade já vivenciava e que pode, agora, sistematizar com políticas públicas mais arrojadas, voltadas aos princípios e necessidades de estimular a economia criativa ainda de forma mais intensa.

“Agora, com a chancela da Unesco, Fortaleza junta-se ao seleto grupo de cidades criativas de design da Unesco e passa ater, concretamente, a possibilidade de intercâmbios de cooperação entre empreendedores da economia criativa local com várias cidades do mundo, com acesso a financiamentos internacionais, a ampliação do comércio bilateral entre os profissionais criativos das cidades”, comenta Roberto Cláudio.

Conforme Alberto Gadanha, ponto focal de Fortaleza para a Rede de Cidades Criativas da Unesco, além de reforçar seu potencial criativo, a chancela da Unesco abre a possibilidade de a Capital ter acesso às boas práticas em economia criativa que outras cidades já executam pelo mundo.

“Existe um interesse muito grande em trocar experiências. A oportunidade de termos Fortaleza na mesma rede em que estão gigantes como Singapura, por exemplo, é uma maneira de identificarmos o que deu certo lá fora e de que forma podemos adaptar isso para cá. A rede incentiva esse intercâmbio”, diz Alberto Gadanha.

Ainda de acordo com Gadanha, com Fortaleza chancelada, o mais importante, atualmente é “sensibilizar a população sobre a existência desta rede, fazendo com que as pessoas percebem o design como eixo de desenvolvimento sustentável”. Segundo ele, aos utilizarem essa marca em seus negócios, os empreendedores criativos ganham “algo a mais” para valorizarem seus produtos.

Distrito Criativo

Um dos projetos mais ambiciosos de Fortaleza para fomentar sua economia criativa é a criação de um Distrito Criativo na região da Praia de Iracema, com 3,5 quilômetros quadrados (km²) de área, o que inclui 28 equipamentos culturais/turísticos, 36 bens tombados e sete praças públicas. A ideia é desenvolver um território de sinergia entre empreendedores criativos, por meio de clusters, startups, incubadoras, coworkings e micro e pequenos negócios.

Segundo Davi Gomes, presidente do Instituto Iracema, organização sem fins lucrativos e que tem contrato com a Prefeitura de Fortaleza para o desenvolvimento do projeto de requalificação da Praia de Iracema, a ideia é que o Distrito Criativo transcenda a Praia de Iracema e englobe também o bairro Centro, criando uma grande área de fomento à economia criativa.

Previsto no Plano Fortaleza 2040, o projeto deve ter sua primeira fase concluída ainda neste ano, com a atuação de várias iniciativas voltadas à criação e comercialização de produtos da economia criativa. “Lançamos, no fim do ano passado, o edital Cria P.I., que já selecionou 20 projetos criativos para o bairro”, comenta Davi.

Como parte do projeto do Distrito Criativo, a Câmara de Fortaleza aprovou, ainda em 2019, uma série de incentivos fiscais para negócios criativos que se instalarem na Praia de Iracema, em especial na Rua dos Tabajaras, tradicional ponto cultural da Capital. A legislação, prevê, por exemplo, um desconto de até 100% no Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU); de até 60% no Imposto Sobre Serviços de qualquer natureza (ISS); e de até 100% no Impostos de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI).

“Esse projeto visa fomentar negócios criativos nas regiões da Praia de Iracema e Centro, que já possuem vários centros culturais, espaços de ateliê e outros equipamentos. Isso é fundamental para fomentar a economia criativa, que é a mola propulsora do desenvolvimento global atualmente, já que é uma economia limpa, que usa somente o intelecto para se desenvolver”, afirma Davi Gomes.

O presidente do Instituto Iracema lembra que as maiores empresas de comunicação do mundo atualmente, Google e Facebook, têm como base a economia criativa. “Ambas já estiveram em uma garagem e, hoje, são as empresas mais valiosas do mundo”, destaca. Segundo ele, o fato de utilizar o conhecimento e a criatividade como principais insumos torna este tipo de atividade mais atrativa quando se pensa, em especial, na sustentabilidade.

Desafios e metas

Apesar de ter ganhado mais destaque ao longo dos últimos anos, a economia criativa ainda precisa continuar sendo desenvolvida para alcançar todo o seu potencial no Estado. O alerta é da professora e pesquisadora Cláudia Leitão, presidente da Câmara Setorial da Economia Criativa. Segundo ela o crescimento do setor “mal começou”, dado o potencial existente no Ceará. “Um dos desafios é fazer com que essa área seja vista, efetivamente, como objeto de políticas públicas. Neste aspecto, a existência da Câmara Setorial é fundamental”, diz.

Segundo Cláudia, que desenvolveu o plano do Governo Federal para a Secretaria da Economia Criativa, ainda no governo da presidente Dilma Rousseff, o Nordeste, no geral, possui uma vocação considerável para a economia criativa. Ela sugere, por exemplo, que os nove estados da região desenvolvam, em unidade, um consórcio para o fomento do setor, a exemplo do que é feito atualmente na área da saúde, como forma de combate à pandemia.

“Um consórcio nordestino para a economia criativa seria interessante para o desenvolvimento de políticas cooperadas, inclusive para pensar o novo turismo, que terá que ser construído no pós-pandemia. A região tem uma riqueza cultural imensa, com ciclos juninos, festas agrícolas e religiosas, além de questões muito fortes como o artesanato, que dialoga com o design. Se houver cooperação, isso poderá ganhar uma dimensão muito interessante”, destaca Cláudia Leitão.

Por fim, a pesquisadora reitera que os desafios do setor são grandes, mas que, com incentivos e informação, podem ser alcançados ao longo dos anos. “Eu diria que temos alguns pontos para desenvolver: fomento a estudos e pesquisas para os negócios criativos; criação de pastas e planos voltados à economia criativa, com marcos regulatórios e leis que atraiam esses profissionais para determinados territórios; e o melhor acesso ao crédito para os pequenos, que muitas vezes desistem de um negócio promissor por falta de recursos”, finaliza.

Fonte: TrendsCE em 20.08.2020

Com enorme mercado potencial, rota da África se revela para o Ceará

Com enorme mercado potencial, rota da África se revela para o Ceará

Comércio com o continente ainda é tímido, mas crescimento demográfico, países em ritmo de desenvolvimento e incentivos oferecidos podem gerar boas oportunidades.
Quando o assunto é comércio internacional, muitas pessoas acabam se rendendo ao senso comum e a números absolutos, sem contexto. Para investidores, entretanto, a análise deve ser mais apurada, o que faz com que os olhares não raro se voltem para mercados com largo potencial em detrimento daqueles que já possam estar, de certa forma, saturados. É o que o Ceará deveria fazer em relação às nações africanas.

De fato, a pauta do Estado em relação ao continente ainda é pouco diversificada, com exportações e importações igualmente baseadas em itens de baixo valor agregado, poucos produtos manufaturados e um número incipiente de empresas atentas àquele lado do planeta. “Existe um potencial gigantesco de comércio não explorado”, exclama o presidente do Instituto Brasil África (Ibraf), João Bosco Monte.

O dirigente está se referindo a um mercado com mais de 1,2 bilhão de habitantes, grande crescimento demográfico e países em intenso ritmo de desenvolvimento como fatores favoráveis, entre outros.

“É importante ainda mencionar que a África está estruturando sua Área de Livre Comércio, que será uma das maiores do mundo. O continente africano tem grande potencial e alguns de seus países apresentam algumas das maiores taxas de crescimento. Desta forma, fazer negócios com um país africano significa ter abertura para um continente inteiro, com grandes oportunidades. Com esse tratado, é importante fortalecer os laços e expandir os negócios com a África”

João Bosco Monte, presidente do Ibraf
Com recorte apenas no ano de 2019, o Ceará realizou trocas com mais de 20 países africanos e exportou mais de 14 US$ milhões. Destaque para as transações envolvendo África do Sul, Angola e Cabo Verde. As importações, por sua vez, estiveram bem mais em alta, como já costumava acontecer em anos anteriores, superando os US$ 112 milhões. Deixou um déficit de US$ 97 milhões na balança comercial, é verdade, mas nada que não possa começar a ser alterado nos próximos anos, segundo Fábio Fraines, diretor regional para o Nordeste da Câmara de Comércio Afro-Brasileira (AfroChamber).

“Quando falamos de África, estamos nos referindo a 55 países, dos quais cinco falam português (no mundo, são oito nações que usam o idioma), e há diversas oportunidades”. Entre elas, ressalta Fraines, está a competitividade das mercadorias brasileiras, proporcionada pelo câmbio desvalorizado em relação ao dólar: “Nossos produtos estão muito mais competitivos lá fora. Nosso maior concorrente seriam produtos da China e estamos trabalhando praticamente em pé de igualdade com ele em termos de preço, mas com uma qualidade muito superior”, compara.

Outra grande oportunidade que se apresenta é que a grande maioria desses países africanos possui um parque industrial muito escasso, avisa Fraines. O diretor da AfroChamber enumera ainda outras vantagens nessa relação intercontinental “Existem incentivos, bons projetos nesses países para que empresas de fora se instalem neles, com os governos locais cedendo terrenos, propriedades, facilitando crédito e oferecendo isenções de muitas tarifas por muitos anos, além de farta mão de obra. É um bom momento, uma ótima oportunidade”, sentencia.

Construir novas relações entre as duas representações é questão apenas de favorecer a criação dessas “pontes”, conforme os ouvidos pela reportagem. “É preciso um maior conhecimento, tanto do lado cearense quanto do africano, das oportunidades de negócios. Acredito que os empresários do Ceará precisam conhecer a África, entender o potencial econômico da região, assim as parcerias serão muito benéficas para ambos os lados”, avalia ele.

Setores

Dois setores têm se destacado mais nas trocas comerciais entre Ceará e países africanos: o alimentício e o de calçados. Para que se tenha ideia, com a África do Sul, país que mais se destacou nessas relações com o Estado nos últimos anos, foram mais de US$ 1,9 milhão negociados no segmento de calçados polainas e artefatos semelhantes no ano passado, conforme dados do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado (Fiec). Em segundo lugar na relação com aquele país, com bem menos representatividade, ficaram os produtos gorduras e óleos animais ou vegetais, com US$ 323,3 mil. O “vice-campeão” em exportações para o Ceará é Cabo Verde, que de seus US$ 2,7 milhões gastos no total, deixou US$ 1,1 milhão em combustíveis e óleos minerais e US$ 729,4 mil com obras de ferro fundido, ferro ou aço.

Outro setor que possui boa representatividade é o do agronegócio. “No Brasil, é o que está mais avançado em termos de exportação para a África, mas no Ceará praticamente não há exportações, há mais importações, e elas ocorrem para castanha de caju, e ainda em épocas sazonais. Algumas empresas do Estado, para as quais até já liderei alguns projetos, fizeram exportações de materiais de construção civil, o que tem sido uma boa oportunidade, por conta da desvalorização cambial que tem ocorrido. E lá tudo é negociado em dólar”, relaciona Fraines.

Se nas exportações os setores alimentício e calçadista, que são especiais por conta do know-how existente, segundo o professor João Bosco Monte, do ponto de vista das importações, o setor de insumos, com destaque para produtos derivados de petróleo e carvão mineral, possui boa aceitação. Entre as nações africanas que mais obtiveram receita advinda do Ceará em 2019 estão África do Sul (US$ 32,8 milhões) – em grande parte com minérios escórias e cinzas -, Nigéria (US$ 32,6 milhões) e Moçambique (US$ 31,9 milhões) – ambas em sua quase totalidade enviando para cá combustíveis, óleos minerais e produtos de sua destilação.

Pandemia

Com a chegada do novo coronavírus e a pandemia que se instalou, sacudindo os mercados pelo mundo todo, cada país ou bloco econômico teve de se apressar para estabelecer suas estratégias de modo a sobreviver à crise que se assomava.

No caso dos africanos, a busca por reforço no comércio interno foi um das opções, o que naturalmente fez com que o volume de exportações caísse acentuadamente. “Essa tendência de protecionismo é uma pauta que já vinha crescente nos últimos anos. Além disso, a pandemia mostrou que os países que são dependentes de exportações podem, de fato, ser afetados com uma crise mais aguda. Entretanto, acredito que, neste momento de instabilidade, é ainda mais fundamental o estabelecimento de acordos e fortalecimento da cooperação internacional, em especial no âmbito da transferência técnica e científica”, explica Monte.

Já Fábio Raines projeta quem pode se sair melhor nos negócios com africanos no pós-pandemia. “Muitos países por lá estão começando a chegar ao pico só agora, que é o que já temos passado, mas, ao reabrir, devem retomar seus negócios normalmente. Os setores que podem ser beneficiados serão o de calçados, de malhas e vidros. Inclusive no ano passado, uma empresa cearense que trabalha com beneficiamento de vidros fez boas exportações. O problema é que o cearense tem mais a cultura de importar”.

Levantamento ‘no forno’

De olho na expansão dos acordos e novas oportunidades de negócios envolvendo o Estado e o continente onde a humanidade deu seus primeiros passos, o Instituto Brasil África realizou uma pesquisa em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). O documento, que logo deverá estar disponível para acesso no site do Ibraf, tratará sobre o histórico das relações entre a Região Nordeste e o continente africano. O estudo contará com um mapeamento das rotas marítimas do Brasil com a África.

Fonte: TrendsCE em 19/08/20

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